O SOM DA MEMÓRIA. CAP 1993 - um dos anos mais turbulentos na história grená

Alô, tudo bom?

Olha, na coluna "O Som da Memória", vou dar pequenas amostras das histórias que você vai poder ler no livro "CAP - A história de uma paixão grená". Hoje conto a saga de um ano particularmente difícil para o CAP e que está contada no livro. Aliás, foi um ano que só treinadores vieram três: começou com Mazinho, passou por Pedro Omar e terminou com Ciro Luiz. Não bastasse, foi a única vez na história que a diretoria pediu demissão em massa. Essa mesma diretoria conseguiu fazer tambem o melhor negócio da história do CAP: antes de sair, a diretoria comandada por Maurício Cunha, vendeu o meia Dudu para o América Mineiro por um valor equivalente a  20 mil dólares e ainda os passes de jogadores que foram fundamentais depois para o time grená nas competições posteriores, Cica e Casagrande. O presidente do conselho, Vicente Marra, segurou as pontas até conseguir montar outra diretoria. Apesar disso tudo, o time conseguiu se manter na elite no ano seguinte, 1994. Foi o ano também de formação da primeira e melhor equipe de juniores da história da águia, com o técnico Carlos Roberto revelando de nomes como: Biro-Biro, Paulinho Jau, Alexandre, o goleiro Fernando e o meia Fabinho que foram concados para a seleção mineira sub-20. O junior tinha diretoria separada da diretoria principal. Era formada por Laudecir Luqui, que conseguiu levar para o clube a família do médico Elidmar Bento(ele, a esposa, Daniela Alarcão e o cunhado Marcelo Alarcão) e ainda Marcos Lazzarin, Carlos Alberto Lazzarin, Magno Faria, tudo contado com a ajuda de Tião do Diego.

Confira como foi aquele ano:   

 Foto:acervo pessoal do Welington Fajardo

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Time de 1993: Welington, Juninho, Alexandre, Paulo Alan e Issa; agachados: Biro-Biro, Brandão, Messias, Pingo e Luiz Carlos

 

1993. TRÊS COMPETIÇÕES, TRÊS TÉCNICOS E UM PROBLEMAÇO

  

Campeonato Mineiro, Copa Edmar Pires e Taça Minas(valendo vagas na elite do ano seguinte, onde estavam garantidos América-MG, Atlético-MG, Cruzeiro e Democrata-GV, que haviam garantido as vagas na primeira competição do ano - o campeonato mineiro)

Bem, pra você entender, vou explicar porque aquele ano foi atípico para o CAP. O ano de 1993 foi difícil para o Clube Atlético Patrocinense pela falta de condições para montar a equipe para temporada. Depois um campeonato mineiro com uma campanha muito fraca, o time não se classificou para a fase mais importante da competição principalmente por causa de um treinador sem a bagagem suficiente para comandar o elenco. O técnico da época, Mazinho, não conseguiu implantar um mínimo de competitividade na equipe e o preparador físico, Luiz Carlos Borges, apesar do excelente currículo, também não conseguiu fazer a equipe ter um desempenho minimamente razoável.  

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Pedro Omar, o segundo técnico do CAP em 1993. Foto:arquivo - Revista Presença - Rede Hoje

Veio a Copa Edmar Pires - que a FMF promoveu para as equipes se prepararem para o Copa Minas, que classificaria as 8 primeiras equipes para o Mineiro de 1994. E com ela, o maior problema já vivido pelo Patrocinense em sua história: a renúncia da diretoria por incompatibilidade com o prefeito Júlio Elias. Muita coisa havia sido modificada, mesmo com as dificuldades da diretoria. Outro treinador - Pedro Omar - já havia chegado, mas o  time mantinha o mesmo desempenho, a campanha no torneio Edmar Pires era de razoável a ruim. Então, o presidente Maurício Cunha e a diretoria inteira, esperando o apoio da prefeitura que não vinha, rompeu com o prefeito Júlio Elias. Além de Maurício, sairam: Walterson Silva, José Pereira Couto, Marcos Antônio da Silva, Gilmar José de Oliveira, Roberto Nakamura, Rubens Rocha Machado, Tarcísio de Oliveira e Kleber Guarda. Coube ao presidente  do conselho deliberativo, Vicente Marra, vendo a Copa Minas cada vez mais próxima, tentar  solucionar a questão. Era importante disputar a competição, ela classificaria 8 equipes para  a elite de 1994 em Minas Gerais junto com América, Atletico e Cruzeiro - todos de Belo Horizonte - e Democrata GV, que já tinham vagas asseguradas. Após um longo trabalho de convencimento de Vicente Marra, Wallterson José da Silva assumiu a presidência, com apoio de Walter Guimarães, Rubens Rocha Machado, José Maria Peroba e do próprio  Vicente Marra. Essa diretoria passou a contar com apoio total do prefeito Júlio Elias. 

Foto:acervo pessoal do Welington Fajardo

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Time de 1993: Hamilton Torrão, Claudião, Cica, Alexandre, Wilson, Renato e Welington; agachados: Gute, Brandão,  Cezinha, Messias e Mauricinho

Antes de sair, a diretoria comandada por Maurício Cunha ainda fez uma excelente negociação: vendeu o meia Dudu para o América Mineiro por um valor equivalente a  20 mil dólares e ainda os passes de jogadores que foram fundamentais depois para o clube, Cica e Casagrande. A diretoria comandada por Walterson Silva, assumiu, e foi às compras. Foi contratado o treinador Ciro Luiz. O preparador físico Hamilton Torrão - contratado depois do campeonato mineiro para o lugar de Luiz Carlos Borges - permanecia. Chegaram os jogadores Cica, Casagrande, Renato, Gil, Messias, Gute, Brandão, Mauricinho, Zé Luiz, Ferreira. O goleiro Welington que tinha se machucado, retorna após tratamento. Começa a Copa Minas e nas primeiras rodadas parecia que a história se repetiria. Pontos importantes eram perdidos em casa, no estádio Júlio Aguiar. A equipe buscava pontos fora, mas em casa estava difícil. Até, que da imprensa esportiva da cidade, veio uma ideia: porque não tentar jogar no Estádio Pedro Alves, que tinha dimensões maiores e ficaria difícil a retranca que os times adversários estavam acostumados a armar no estádio Júlio Aguiar. Deu certo. Os pontos começaram a chegar. Até que o Atlético Patrocinense, jogando no Uberabão contra o Uberaba, buscando o empate que daria a classificação para continuar na elite em 1994, conseguiu o resultado. O time grená chegou a estar na frente grande parte do jogo, ganhando por 1 a 0, gol de Brandão, mas, o Uberaba empatou na segunda etapa. O jogo terminou um a um. Era o resultado que o time grená precisava para se classificar e deixar o Uberaba fora. O Clube Atlético Patrocinense garantira sua vaga para 1994 naquele ano que pode ser considerado um dos mais complicados da longa saga de lutas do clube.


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