O SOM DA MEMÓRIA. CAP completa domingo 63 anos de história; tenho o privilégio de fazer parte dela

Parabéns Clube Atlético Patrocinense: desde 19 de março de 1954, emocionando a gente patrocinense

 

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Relação da amor da torcida com o time e a cor Grená. Foto: Rede Hoje

 

Neste domingo, 19 de março, é o dia do aniversário do Clube Atlético Patrocinense. Para um clube de futebol, especialmente do interior, chegar nessa idade com o vigor do nosso CAP é muito difícil e muitos sacrifícios foram feitos.

 

No livro que estou escrevendo já há dois anos, "CAP: A história de uma paixão Grená - título provisório –, recorro a várias fontes como ex-jogadores, torcedores, ex-diretores e a principal delas é meu amigo Eustáquio Amaral. Não quero deixar nada passar.

 

Nesta crônica, faço um resumo de história que estarão no livro. É preciso lembrar a trajetória desse clube que é pequeno em termos de Brasil, mas um gigante para o seu torcedor. E mesmo coisas correlacionadas com esta história como em maio de 1962, quando se uniram arqui–inimigos de política UDN e PSD para a inauguração do Estádio Júlio Aguiar.

 

Eustáquio conta que “entre as autoridades, prefeito Enéas Aguiar, vice–prefeito Benedito Romão, deputado José Maria Alkmim e Abdias Alves Nunes. No gramado, após a solenidade, o poderoso América (base da então Seleção Mineira), com Caiô, Hilton Chaves, Gunga, Zuca e Ari, venceu a Seleção de Patrocínio por 2 a 1. Manelico, ex–vereador, foi o autor do gol patrocinense”. Naquele jogo, Véio Didino – irmão de Eustáquio Amaral - pôs em campo um time dos sonhos: Dedão; Gato, Calau, Macalé e Manelico; Rubinho, Peroba e Romeuzinho; Totonho, Dizinho e Ratinho. Todos de Patrocínio. Não era o CAP, mas uma vertente dele.

 

Em 3 de dezembro de 1992, o prefeito Silas Brasileiro e o vice–prefeito José Figueiredo, inauguraram o Estádio Pedro Alves do Nascimento. O Atlético Patrocinense (CAP) enfrentou o Atlético Mineiro e venceu por 1 a 0, gol de Dudu, um dos craques da história grená. Chegou a ser votado como um dos melhores de Minas no Troféu Guará que elege os melhores de Minas e é promovido pela Rádio Itatiaia em Belo Horizonte. Ele e o volante Paulo Alan, do CAP, receberam votos para a Seleção Mineira daqueles anos, por escolha de Eustáquio Amaral.

 

dular 600x100 04022017O CAP que teve muitos jogadores na sua história que também fizeram história como Edward (depois tornou–se o camisa 9 do então forte América de BH), Jovelino (era do Vasco da Gama), Gulinha (ainda reside na cidade), Anedino (jogou no Mamoré, onde reside em Patos de Minas).

 

O Patrocínio Esporte também era CAP, porque – segundo Sebastião Jacinto e jornais da época – quando Jorge Elias assumiu o time para voltar ao profissionalismo, entendia que o nome “Patrocínio” era mais comercial. Então mudou o uniforme(que antes era como o do Atlético Mineiro) para branco, que era a cor do Santos, a coqueluche da época. Aquele time tinha Armando, Prates, Chapada e Perigo.

 

Anos depois, na década de 1980, o CAP jogava com um uniforme como o América Mineiro(verde e preto). Havia voltado ao futebol amador e tinha feito um time de júnior fantástico, que chegou a derrotar o Paulistinha de Jundiaí, SP, Campeão do Mundo na categoria. O feito teve o comando de Leonardo Malagoli.

 

O CAP no meio da década dos anos 1980, voltou ao profissionalismo. Em 1986, participou da última competição amadora – usando já o time base que disputaria a Terceira Divisão em 1987 – do Torneio Regional Tubal Vilela: Delinho; Zezinho, Bagonha, Mário e Leandro; Bandolo, Gulinha e Cláudio; Gulina, Marquinhos e Jair.

 

Depois, tive a sorte e o privilégio de participar do nascimento do time profissional. Fomos à Belo Horizonte, tentar uma vaga na segundona. Foi a primeira vez que viajei de avião, um teco-teco do então presidente Waldir Molina Paulo. Na Federação Mineira de Futebol(FMF), participamos da reunião de negociação com as seguintes pessoas: o presidente, Waldir Molina; o membro do Governo do Estado Eustáquio Amaral(patrocinense); o advogado, Otacílio Ferraz; o radialista da Rádio Inconfidência, Tancredo Naves(de Romaria) e o presidente da FMF, Alcy Álvares Nogueira.

 

No mesmo dia, tivemos encontro no governo mineiro com Leopoldo Bessoni, que era o secretário de Estado de Esportes, que ajudou muito a pedido do deputado patrocinense de Romeu Queiroz. Mas, não deu certo e o time disputou – ainda em 1987 – a terceira divisão.

 

Antes, numa reunião entre o Tião do Dêgo – que era tudo no time, foi de roupeiro a presidente – e eu, na minha casa, na rua Rio Branco, sugeri que trocássemos a cor do uniforme para ser diferente dos outros clubes de Minas e propus o “grená”, por causa da Roma(que estava em alta), da Seleção da Venezuela que eu achava bonito e que, no Brasil, não havia nenhum clube de expressão que usasse uniforme naquela como, apenas o Juventus de São Paulo usava. Aproveitamos a criamos o mascote: á águia, pela força e característica do animal que tinha as mesmas características do CAP.

 

Levamos a nova cor e mascote para aprovação numa reunião com o Wécio Cruvinel e outros membros da diretoria que aceitaram, depois de argumentação de várias pessoas, entre elas o Tião Jacinto, que nos ajudou a convencer o dirigente. É bom lembrar que sempre participei, não como diretor - que nunca fui -, mas como membro do Conselho Deliberativo do clube. Minhas opiniões eram pesadas mais como homem de marketing.

 

Na década de 90 viram as grandes campanhas com jogos memoráveis, especialmente contra Atlético e Cruzeiro em Patrocínio e no Mineirão. Até 15 de maio de 1994, quando o Clube Atlético Patrocinense jogou diante do maior público para uma equipe de Patrocínio (cerca de 40.000 lotaram o Mineirão. Era a despedida de Ronaldo fenômeno do Cruzeiro antes de ir para a Europa; e, infelizmente para nossa história, aquele foi o ano do rebaixamento do Patrocinense. O Cruzeiro venceu por 1 a 0 (gol de Ronaldo).

 

Na década de 1960 tem muita história de futebol e bastidores. De 1987 até agora, na nova fase, o Patrocinense conquistou a Taça Triângulo em 1987, foi campeão da Segunda Divisão em 2000 – o timaço comandado por Renê Santana(filho do Telê) fora de campo e Rogerinho dentro. Mas, em 2001 não disputou.

 

Teve uma presidente, o primeiro e único clube profissional da região a ser comandado por uma mulher: Míriam Helena de Souza, que assumiu em 2004 para o time não parar. Casada com o caminhoneiro Aristides de Souza, mãe de seis filhos, vinda de Patos de Minas. Foi tão guerreira, que assistiu a uma reunião do conselho técnico da Federação Mineira de Futebol, indo a Belo Horizonte de moto. E a família inteira a apoiava.

 

Depois de ter as atividades paralisadas por uma década, o clube voltou e foi reestruturado por Maurício Cunha, diretores (inclusive dos anos 1990) e novos também. Pagou todas as dívidas – na FMF, trabalhistas e outras – e com a casa em dia, faz neste momento a melhor campanha de todos os clubes do Módulo II do Campeonato Mineiro de 2017, com novas expressões que vão marcar a história como Ademir, Dedê e Rogério Henrique, entre outros.

  

A história completa estará no livro "CAP: A história de uma paixão Grená”, que prometo lançar este ano ainda pela Amazon em E-book e livro físico.



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