COLUNA DA MÔNICA. Três anos se passar da tragédia de Mariana e... nada!


Por Monica Othero Nunes


Três anos se passaram desde que a barragem do Fundão em Mariana se rompeu. O maior desastre socioambiental do país no setor de mineração,

com o lançamento de cerca de 45 milhões de metros cúbicos de rejeitos no meio ambiente. O subdistrito de Bento Rodrigues não existe mais. Fauna e flora diretamente atingidas. Áreas de preservação ambiental atingidas.

 

O rastro de destruição percorreu 663,2 km de cursos d'água. Três anos se passaram e mesmo com toda documentação reunida não existe a certeza

que tragédia semelhante nunca mais acontecerá. Controlada pela Vale e pela BHP Billiton, a Samarco foi notificada 73 vezes e recebeu 25 autos de infração do Ibama até o momento, que totalizam R$ 350,7 milhões.

 

O Ministério Público prestou contas de atuação que inclui entre outros: Termo de Acordo Preliminar (TAP), estudos técnicos, Termo de Ajuste de Conduta, bloqueio judicial de 300 milhões de reais da empresa Samarco, exclusivo para assegurar os direitos das vítimas de Mariana, conforme decisão liminar proferida no dia 11/11/2015, nos autos da Ação Cautelar n. 0400.15.003989-1. O bloqueio continua vigente.

 

Toda sociedade tem direito constitucionalmente resguardado a defesa de um meio ambiente ecologicamente equilibrado. Porém, sabemos que a reparação de um dano ambiental é vagarosa e nem sempre devolverá ao meio ambiente o que um dia existiu naturalmente. Nem sempre as famílias envolvidas em uma tragédia ambiental vão se recuperar de tamanho trauma!

 

Procedimentos civis, criminais e ambientais, cada um em suas esferas, ressarcimentos e muitos encontros em relação aos impactos ambientais não garantem a solução esperada. Sociedade civil, associações, órgãos ambientais, voluntários atentos ao meio ambiente e do lado de lá a mineração, considerada setor básico da economia do Brasil, continuam hoje provocando muita discussão.

 

É muito dinheiro envolvido e fica um sentimento de que tudo que é feito

ainda é pouco quando se trata de meio ambiente. O aproveitamento de recursos minerais sem danificar o meio ambiente é hoje um desafio.

 

Por mais que afirmem que medidas sócio ambientais foram tomadas a tragédia acontecida em Bento Rodrigues nos mostra que estas são falhas, vagarosas e incertas. Fala se muito em proteção ambiental, mas, sem a participação da sociedade civil nenhum governo vai implantar ações, medidas, projetos que visem preservação ambiental.

 

Nem sempre a vontade social é a vontade política.

Necessário é desenvolver monitoramento e severas restrições ambientais.

Necessário é estar atento a responsabilidade ambiental.


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