COLUNA DO IVAN. Um circo chamado Câmara dos Deputados

Por IVAN BATISTA DA SILVA*

O que todos os brasileiros viram na Câmara na votação do impechment foi um verdadeiro circo. É verdade que o Tiririca estava lá, mas foi ele o ator mais comportado, mais discreto, mais humilde. Foi um espetáculo deprimente. Sentíamo-nos pobres eleitores abandonados e impotentes parecendo não acreditar no que víamos. Parodiando o poeta Castro Alves: “Deus, oh Deus! Onde estás que não respondes? Será loucura será verdade...” tanto horror na Câmara dos Deputados!

Homens e mulheres pareciam não saber o porquê de estarem ali, mais preocupados em aparecerem( e apareceram mal) para seus familiares do que para o eleitor; mais preocupados em repetir a mesma coisa que todos diziam, sem se lembrarem o motivo do votação e muito menos em defender o seu voto. Que a atual legislatura é muito ruim todos já o sabíamos. Mas, de repente, parece que juntou tanta gente ruim num só momento que ficamos estarrecidos ao perceber que a presença de um ruim piorava o outro, ao perceber que a atual Câmara é péssima mesmo. Um bando a dizer as mesmas besteiras.

Não foram só as baboseiras ditas no momento do voto. Notava-se uma falta de postura e compostura dos engravatados, nos seus xingamentos impróprios e incabíveis naquele momento, no espreme-espreme para aparecer nas câmeras de TV, nos saquinhos de bolacha rodando entre eles, de frente das câmeras! Nem em um bando de estudantes não se vêem atitudes tão despropositadas.

Pior ainda foi notar a falta de ética, de moral dos votantes. Mauro Lopes,do PMDB, ministro da aviação civil, na sexta-feira, prometeu à Presidente que votaria com ela. No domingo, votou contra. Como pode um ministro votar contra a pessoa com quem ele trabalha? Deslealdade é insuficiente para caracterizar esta atitude. Tiririca, no domingo de manhã, no apartamento de Lula prometeu-lhe que votaria com a Presidente. Votou contra. Falta de hombridade. Atitude pior foi a do deputado Adail Carneiro do PP que esteve no Palácio com a própria Presidente no domingo à tarde até na hora da votação. Prometeu-lhe que votaria a favor dela. Foi direto do Palácio para o Congresso e votou contra a Presidente. Falta de dignidade também é pouco para caracterizar este deputado.

Cada vez que se vê uma sessão no Congresso, tem-se a impressão de que valores morais, éticos desapareceram da política. Estão ali para defenderem interesses próprios, interesses de grupos e nada mais.

Até o motivo da votação parecia uma encenação de circo, pois a meu ver não há motivo para impeachment. Este atende apenas ao interesse de um grupo da sociedade capitaneado pela FIESP e Cia. Como se classifica uma pessoa que foi eleita como vice dentro de uma chapa e depois retira seu apoio à Presidente, faz seu partido todo retirar o apoio ao governo para ocupar o lugar da Presidente? Usurpador do poder, traidor? É pouco, o Sr. Temer merece outros adjetivos.

Uma coisa é clara: não estão pensando no País, estão pensando em si mesmo, querem é abafar a lava-jato, querem é resolver a situação do presidente da Câmara. Quantos meses vai durar a lava-jato se o impeachment se concretizar? Dois, três meses no máximo. Para os usurpadores do poder ela já terá cumprido a sua função de condenar o PT, de derrubar a Presidente. Assim, a turma dos outros partidos se livrará de sua investigação e condenação.

Tenho certeza de que muitos brasileiros como eu, no domingo, foram dormir com a horrível sensação de que palhaços fomos, nós eleitores, que colocamos na Câmara estes deputados. Os que ainda não tiveram esta sensação, vão tê-la logo depois que a turma do Temer assumir o poder. Vão sentir que palhaço foram também os que saíram à rua para defender a mudança de governo, pois será um governo a serviço de poucos. O resto que se dane. 

Na próxima eleição, o ideal é não reeleger nenhum deputado federal. O melhor será não votar em nenhum deputado que está lá. Será a melhor resposta do eleitorado para mudar a política.  

O professor Ivan Batista da Silva é diretor do Colégio Atenas e escreve regularmente no portal da Rede Hoje


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