CRÔNICA. Cultura: o partilhar de ideias e realização

Cantata5

 


MONICA OTHERO NUNES


Através da Fundação Casa da Cultura, do Conservatório Municipal dr José Figueiredo, que desenvolve por aqui trabalho em parceria com algumas crianças e adolescentes das instituições Crê– ser, Lar das Crianças, Projeto Guri, Casa da Menina, CASI (Centro de Atendimento Sócio Infantil), Escola Municipal João Beraldo, Escola Estadual Irmã Gislene, Igrejas Presbiterianas do Central e Bairro Constantino foi apresentado pela primeira vez a Cantata de Natal no espaço histórico Museu professor Hugo Machado. A noite de ontem foi memorável com a chegada do Papai Noel e abertura programação.

 

Para nós que acompanhamos várias situações que envolvem a cultura local essa apresentação mostra que é possível desenvolver várias ações promovendo o acesso, a interatividade ,a participação. A emoção de assistir a apresentação envolvendo tantas pessoas provocou entre os presentes o "gosto de quero mais", eu acrescentaria podemos mais!


A tendência é responsabilizar a esfera pública e mesmo privada a ausência de ações,mas o problema do acesso a cultura vai além. Parece que tudo que acontece fica a desejar ,sendo também um problema cultural. A tendência a ver o mundo de um só ponto de vista produz um afastamento entre artista e envolvidos, a sociedade civil e poder público. Posso citar outros fatores: a educação,a capacidade de interagir,a vaidade,a ausência da condição de planejar,a questão política dentro da cultura, a falta de diálogo, a inclusão e a exclusão, a falta de capacitação, os recursos praticamente insuficientes. 

 

Cultura é na sua questão ampla tudo aquilo que é relacionado a totalidade dos valores e das práticas humanas. "Os produtos oferecidos através da cultura são amplos, porém infelizmente a realização e a condição democrática não são. Já passa da hora de repensarmos na questão cultural por aqui. Será que a questão cultural por aqui vai continuar a ser tratada como "anexo a..."? Não! Não podemos alimentar essa situação.


A cultura uma vez abandonada ou tratada de qualquer jeito é reflexo da ausência do pertencimento,muito triste isso. Somos os únicos seres criadores, quando nascemos o que recebemos da natureza não nos basta para vivermos em sociedade. O nosso
desenvolvimento como o animal racional não se contenta então o “homem constrói a sua natureza” ( LEONTIEV, Alexis). Esse processo que nos permite relacionar,realizar,desenvolver e evoluir.

 

Precisamos envolver desde o espectador cultural até o alienado cultural, o agente cultural, os artistas, os representantes públicos, as escolas, as instituições sociais, os setoriais para que a cultura possa se organizar e acontecer. Nossa a vasta herança cultural, a carência de grande parte da população a projetos que possam incluir o cidadão, a ausência de editais, a percepção dos hábitos e preferências culturais, a ausência de parceria poder público e iniciativa privada, criam uma insatisfação real. A cultura não é somente uma herança que se herda da família, um costume que passa, mais é também uma herança herdada da sociedade. Se optarmos por não herdarmos nada ou não contribuir para tal corremos o risco de alienarmos em relação as questões acerca do ambiente no qual estamos inseridos.


Que 2017 chegue apresentando um novo caminho.