MÔNICA NUNES escreve... Bloco Unidos na Resistência

Monica Othero Nunes


A princípio a ideia era reunir algumas pessoas para “brincar” o carnaval na residência de um dos participantes de um movimento social. Mas ,assim a possibilidade de também construir um espaço para toda irreverência que é o carnaval com consciência social e política seria desperdiçado. Então nasceu o Bloco Unidos na Resistência parceria com movimentos sociais, Comitê Ismene Mendes, Okayufu, Rap, Cia de teatro, grupo LGBT, apoio SIND UTE, SINASEF e SINDIELETRO.

 

Sem chefia, sem catraca, sem passaporte, sem apoio público, sem pré-requisito, sem idade pré estabelecida com recurso financeiro próprio as reuniões aconteceram nessas últimas semanas. Sem intenção de concorrer a nada e nem projetar ninguém o movimento ganhou simpatizantes. Aberto a participação popular o evento vai acontecer dia 9 de fevereiro a partir de 19 horas na praça Honorato Borges. Infelizmente o poder público deu como resposta ao protocolo (3028 2018) via secretaria de urbanismo: indeferido.

 

O texto cita que consulta feita a secretaria de cultura “a praça Honorato Borges está inserida na Zona de interesse histórico e cultural assim não poderia ser liberado este espaço. “Cita também que “eventos carnavalescos não estão mais sendo realizados nas áreas centrais pelo fato de existir o espaço Cultural destinado a realização de eventos.” Como espaço Cultural? Qual a última vez que o próprio poder público realizou algo ali? Sem querer prolongar no conteúdo dessa resposta gostaríamos de questionar qual critério adotado para o todos os eventos realizados nas praças Santa Luzia e Matriz no ano de 2017? Inclusive na esplanada do Museu vários trucks de lanches promovendo fumaça naquele espaço “defumando “o prédio do Museu? A instalação de arquibancada no centro da praça Santa Luzia(ArraiôPatrô )?

 

A feira de artesanato aos domingos. A festa de Santa Luzia e Nossa Senhora do Patrocínio! A apresentação no próximo sábado dia 10 de fevereiro da recém formada escola de samba Unidos do Congo descendo a avenida Rui Barbosa rumo a praça Santa Luzia,tentativa de resgatar o carnaval via Escola de samba.

 

O poder público deveria sim aprofundar um estudo sobre a vontade popular em relação aos eventos culturais públicos. Deveria empenhar na aprovação do Plano Municipal de Cultura encaminhado para a Câmara tem mais de dois anos.

 

Enfim, nossa cidade carece de eventos que incentivem as pessoas a saírem de casa ,interagir,participar o ano todo. Precisa sim valorizar o existente e abrir novas ações. Nossas praças não tem mais a frequência de outrora. Não só eventos nos espaços centrais mas,nos bairros e zona rural.

 

Centenas de cidades através do empenho do poder público tentam atrair milhares de pessoas não só em evento como carnaval,mas outros como festivais e atrações turísticas.

 

Muito além de atrair pessoas de outras cidades mas,manter seu morador isso sim é um desafio. Ao negar o uso do espaço público vai contra art. 5º, XVI, da Constituição Federal assegura: “todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente.

 

Portanto, a reunião de pessoas por si só em local público não precisa ser autorizada, desde que pacífica e sem armas, mas precisa ser previamente comunicada à autoridade municipal.”Talvez a dificuldade em “liberar” a praça esteja no fato de não ter compreendido a formação desse bloco. O carnaval sempre foi manifestação popular, o humor e o sarcasmo funcionam como arma de transgressão política,começando pela ocupação da rua pelo folião. Não é espaço para política partidária,mas é um momento de comunicar várias lutas que insistem ao longo dos anos.

 

QUAL SUA LUTA EM 2018?

 

Questões ligadas a política quase comum Brasil a fora: a luta da periferia, discriminação, homofobia, Fora Temer, Reforma da Previdência, sexismo, diferenças salariais, privilégios, assédio, violência, educação pública, racismo, opressão, preconceito, corrupção, injustiça, perseguição! Tentativa de resistir o cotidiano através da negação da ordem socialmente, economicamente e culturalmente instaladas nem sempre favorável a pessoa comum. Tentativa de reconstruir. Tentativa de divertir e questionar: Qual sua luta?

 

Venha participar.