DESPERCEBIDO. Manifestação em homenagem a Marielle foi proibida no jogo entre Cruzeiro e Patrocinense

Torcidas foram proibidas de erguer faixas ou entoar cantos que remetessem ao assassinato da vereadora do PSOL; proibições contrariam o Estatuto do Torcedor

Foto: Divulgação

faixa-marielle-21032018110009366

Fato aconteceu no jogo Cruzeiro e CAP e em dois outros


Da redação da Rede Hoje


Só agora ficamos sabendo da proibição de manifestação da torcida no jogo entre Cruzeiro e Patrocinense, realizada no estádio do Mineirão no último sábado (17). Graças a reportagem do jornal Lance!, republicada na Revista Fórum, tomamos conhecimento de que parte da torcida do Cruzeiro levantou uma faixa com os dizeres “#MariellePresente” que foram imediatamente retirada por seguranças do estádio.

 

É comum na história do futebol as manifestações de cunho social e político se fazerem presentes nos estádios. Desde a semana passada, as principais mobilizações no Brasil têm sido as de protesto à morte da vereadora do PSOL, Marielle Franco, brutalmente assassinada na última quarta-feira (14). As homenagens a ativista dos direitos humanos e protestos contra a violência tomaram conta das ruas do país mas, na contramão da história, foram coibidas nos estádios.

 

Uma reportagem do Lance! mostra que as manifestações em prol de Marielle Franco foram proibidas em ao menos três partidas de futebol diferentes no último final de semana.

 

No jogo do CAP. Na partida entre Cruzeiro e Patrocinense realizada no estádio do Mineirão no último sábado (17), parte da torcida do Cruzeiro levantou uma faixa com os dizeres “#MariellePresente” que foi retirada por seguranças sem nenhuma justificativa plausível. A empresa que administra o estádio, por sua vez, informou apenas que “atos de manifestação, comunicados previamente, têm acontecido de forma organizada e, ainda, recebido apoio das mídias do estádio”.

 

O mesmo aconteceu com parte da torcida do Grêmio no clássico contra o Internacional no mesmo final de semana. Uma faixa com os mesmos dizeres teve que ser retirada depois da intervenção de seguranças.

 

Já no Rio de Janeiro, a torcida do Bangu entoou cantos ligados ao caso de Marielle e também foi coibida por seguranças.

 

Esse tipo de proibição vai contra o Estatuto do Torcedor, que diz em seu 13º que as únicas proibições são de cartazes, bandeiras, símbolos ou outros sinais com mensagens ofensivas, inclusive de caráter racista ou xenófobo”.

Votou atrásO engajamento do movimento “Resistência Azul Popular” e do Comando Rasta - braço de uma torcida organizada do Cruzeiro - em prol de homenagens à vereadora carioca Marielle Franco, assassinada no Rio de Janeiro na última semana, deu resultado. Após a polêmica envolvendo os torcedores e a empresa que administra o Mineirão, os cruzeirenses, enfim, poderão se manifestar em favor da parlamentar.

 

Antes da partida entre Cruzeiro e Tupi, neste domingo, no Mineirão, torcedoras tanto da Resistência Azul Popular quanto do Comando Rasta entrarão em campo com faixas contra a violência, em apoio a Marielle e seu motorista, também assassinado no Rio.

 

A permissão para que homenagens acontecessem surgiu após uma reunião entre membros dos movimentos cruzeirenses e gestores do Mineirão. Encontro motivado por causa de um vídeo divulgado pela Resistência Azul Popular na segunda-feira, onde o coordenador de segurança do estádio, Coronel Teatini, afirmou que o Mineirão “não era lugar para manifestação política”, indo contrariamente à nota oficial publicada pela gestora do Gigante da Pampulha.

 

“Um diretor do Mineirão entrou em contato com membros do Comando Rasta na segunda-feira e solicitou uma reunião na terça-feira para explicações sobre o episódio do veto às faixas. Houve um pedido de desculpas e o acerto para que no jogo contra o Tupi as manifestações acontecessem”, disse ao jornal Hoje em Dia uma fonte que pediu sigilo.

 

Com o Hoje em Dia e a Revista Fórum