DERROCADA AZUL. A cronologia de 10 momentos que marcaram o rebaixamento do Cruzeiro no Brasileiro

 Em mais de 98 anos de existência do Cruzeiro, você confere dez fatos que foram determinantes para a inédita queda de uma das maiores agremiações do país.

torcida

A torcida esteve presente em todos os momento, incentivou, ajudou, mas os desmandos foram maiores 


Por Lucas Borges | Hoje em Dia 


Manutenção da base do time bicampeão da Copa do Brasil, contratações de peso, lua de mel com a torcida e outros fatores fizeram com que a temporada 2019 se iniciasse com grande expectativa em torno do Cruzeiro. Entretanto, o dia 8 de dezembro marca o capítulo mais triste da história da Raposa: o time celeste está rebaixado pela primeira vez para a Série B do Campeonato Brasileiro.

 

Em meio a um ano turbulento, em que o clube passou pela pior crise institucional dos seus mais de 98 anos de existência, o jornal Hoje em Dia, de Belo Horizonte relembra dez fatos que foram determinantes para a inédita queda de uma das maiores agremiações do país.

 

Renovação de Thiago Neves. Peça fundamental na conquista da Copa do Brasil de 2017 e importante no bi, em 2018, apesar de apresentar um nível mais baixo, Thiago Neves começou o ano valorizado. Mesmo com o forte assédio do Grêmio, que tentou sua contratação, o meia renovou o contrato com o Cruzeiro em 7 de janeiro. O antigo vínculo, que iria até o fim de 2019, foi prorrogado até dezembro de 2020. Assim, a Raposa afastou qualquer possibilidade de TN10 deixar o clube. 

 

Apesar da idolatria conquistada nos dois primeiros anos em que vestiu a camisa celeste, Thiago Neves foi apontado por grande parte dos torcedores como um dos responsáveis pela queda do time à Série B. O fraco rendimento em campo, aliado a problemas fora das quatro linhas, resultou no melancólico fim da trajetória do jogador na Toca da Raposa II. Na última semana, ele foi afastado do grupo pelo gestor de futebol do clube, Zezé Perrella. 

 

Venda de Arrascaeta. Em uma negociação arrastada, cheia de polêmicas, o Cruzeiro acertou, em 8 de janeiro, a venda de Arrascaeta para o Flamengo, por cerca de R$ 76,5 milhões. Deste montante, a Raposa teve direito a receber em torno de R$ 55 milhões. 

 

Na ocasião, o ex-vice-presidente de futebol Itair Machado minimizou a saída de um dos principais jogadores do time, citando que as cifras que entrariam nos cofres seriam suficientes para repor a perda técnica e ainda ajudariam a sanar as dívidas. O tempo mostrou que o dirigente não conseguiu alcançar nenhum dos dois objetivos. 

 

Primeira derrota no ano. Campeão mineiro invicto e com 100% de aproveitamento na fase de grupos da Copa Libertadores até então, o Cruzeiro chegou para a estreia do Campeonato Brasileiro ostentando uma invencibilidade de 21 jogos no ano. 

 

Em 27 de abril, perdeu por 3 a 1 para o Flamengo, no Maracanã. Após o insucesso no Rio de Janeiro, a Raposa nunca mais conseguiu recuperar o embalo na temporada. 

 

Denúncias do Fantástico. Em 26 de maio, uma matéria veiculada no programa “Fantástico”, da Rede Globo, caiu como uma bomba no Cruzeiro. Entre as principais acusações estão a de pagamentos suspeitos, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. Os principais alvos foram o presidente do clube, Wagner Pires de Sá, o então vice-presidente de futebol, Itair Machado, e o então diretor-geral, Sérgio Nonato. 

 

A divulgação da matéria desencadeou um caos político e institucional na Raposa que interferiu nos resultados do time dentro de campo. Até porque, a grave crise financeira se agravou.

 

Fracassos com Mano Menezes. Com apenas uma vitória em 18 jogos após a Copa América, Mano Menezes sucumbiu à má fase e foi demitido após a derrota por 1 a 0 para o Internacional, pelas semifinais da Copa do Brasil, em 7 de agosto. 

 

Demissão de Rogério Ceni. O substituto de Mano durou pouco na Toca II. Contratado com a expectativa de criar um estilo de jogo mais solto e leve, Rogério Ceni até iniciou sua trajetória na Raposa de forma positiva, conquistando sete dos nove primeiros pontos disputados. 

 

Entretanto, os resultados negativos, aliados a desentendimentos com lideranças do time, como Thiago Neves e Dedé, fizeram com que Ceni, que não teve respaldo da diretoria, fosse desligado do clube, em 26 de setembro, após oito jogos (quatro derrotas, dois empates e duas vitórias). 

 

Saída de Itair Machado e chegada de Zezé Perrella. Muito pressionado pelas denúncias e pelo mau momento do time, Itair Machado foi demitido do Cruzeiro em 10 de outubro. No mesmo dia, Zezé Perrella, presidente do Conselho Deliberativo, assumiu o comando do futebol, garantindo que o clube não seria rebaixado.

 

Derrota para o CSA. Entre os vários momentos que marcaram a queda do Cruzeiro, dentro de campo, o mais simbólico foi a derrota por 1 a 0 para o CSA, em 28 de novembro, no Mineirão, pela 35ª rodada. 

 

Dependendo (mais uma vez) apenas de si para deixar a zona de rebaixamento, a Raposa novamente perdeu pontos para um rival da parte de baixo da tabela dentro de casa. O pênalti perdido por Thiago Neves, no segundo tempo, deu requintes de crueldade ao resultado, que praticamente selou o rebaixamento do time celeste. 

 

Afastamento de Thiago Neves. O turbulento ano de Thiago Neves dentro e fora de campo teve um fim melancólico em 2 de dezembro. Um dia após ser flagrado em um show de pagode, no Mineirão, quando a delegação estrelada estava concentrada para o duelo com o Vasco, no Rio de Janeiro, o meia foi afastado por Zezé Perrella, que criticou duramente as atitudes extracampo de TN10. 

 

Jogo contra o Palmeiras. O último capítulo dessa trajetória amarga é o jogo válido pela 38ª rodada do Campeonato Brasileiro, que sepultou o sonho de o clube permanecer na Série A no ano que vem.


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