PERIGO. Representantes do Brasil e Colômbia alertam para cenário predador no mercado de café, durante encontro no DF

Patrocinenses participaram da reunião dos países produtores de arábica do mundo que estreitam laços contra a crise de preços

coffee-beans-2258839 1280

De acordo com os cafeicultores, os preços internacionais do café estão abaixo dos custos de produção e isso compromete a sustentabilidade econômica e a sobrevivência de 25 milhões de famílias cafeeiras no mundo


Da Redação da Rede Hoje


Os patrocinenses Aguinaldo José Lima(Abics) e Silas Brasileiro(CNC), estiveram entre os representantes dos cafeicultores brasileiros num encontro na segunda-feira, 27, em Brasília, que tratou da crise de preços mundiais do café e do desequilíbrio econômico dentro da cadeia produtiva, mas que passou um pouco ao largo da grande maioria dos produtores. O encontro aconteceu no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

 

O assunto é sério. De acordo com os cafeicultores, os preços internacionais do café estão abaixo dos custos de produção e isso compromete a sustentabilidade econômica e a sobrevivência de 25 milhões de famílias cafeeiras no mundo. Estiveram reunidos, discutindo o assunto, representantes da produção cafeeira de Brasil e Colômbia. Foram discutidas ações para enfrentar o cenário esse do setor que está arruinando os produtores.

 

O setor mostra grande preocupação com os fatores externos que afetam negativamente o preço internacional e os produtores. Os principais são a especulação financeira de atores alheios à cadeia, que pressionam negativamente as cotações do café, forçando movimentos migratórios, motivados pela pobreza e o nascimento de cultivos ilícitos em alguns países.

 

ESTOQUES. Para reequilibrar a balança atual, deslocando os estoques de países consumidores aos países produtores, é necessário o desenvolvimento de políticas internas nos produtores para apoiar o ordenamento da oferta. No Brasil, o Funcafé financia o carregamento do estoque para evitar a venda em momentos de preços aviltados. Isso ajuda a diminuir a força dos detentores dos estoques de café. Eles possuem maior influência na formação dos preços internacionais.

 

Outro tema do debate foi a discussão sobre a importância na formação de estoques nos países produtores. Que seja administrada pelo setor privado em coerência com ferramentas de gestão de risco de mercado. Também, é importante aumentar o consumo nos mercados emergentes e nos países produtores, para o qual se espera contar com o apoio da Organização Internacional do Café (OIC).

 

PREOCUPAÇÃO. A grande preocupação de todos os países produtores é a concentração da indústria e do setor de distribuição, que impõem aos produtores, por exemplo, condições de pagamento abusivas de mais de 200 dias, que massacram qualquer possibilidade de haver sustentabilidade econômica dos produtores. Os programas que algumas empresas multinacionais fazem para promover a sustentabilidade são anulados por suas próprias práticas comerciais. Igualmente as organizações internacionais sem fins lucrativos, que promovem o cultivo de café, têm que assumir a responsabilidade pela absorção dos excedentes que tendem a ser produzidos.

 

Todas as ações necessárias para solucionar a crise que compromete a oferta futura de café estarão em pauta entre o Brasil, Colômbia e os demais países produtores no Primeiro Fórum Mundial de Produtores de Café, em Medellín, na Colômbia, em julho de 2017. Com isso, esperam que todos os elos da cadeia produtiva atuem em forma conjunta e corresponsável devido à grave situação. As nações cafeeiras voltarão a se reunir em setembro, durante a semana de reuniões da OIC, em Londres, para aprofundar essa discussão.

 

Os produtores transformaram em prioridade a comunicação com os consumidores, em nível mundial, sobre a situação atual e a forma como esse cenário do mercado gera um espiral de pobreza nos países cafeeiros.

 

Os representantes de entidades que assinam o comunicado, são os seguintes:

- Silas Brasileiro, Conselho Nacional do Café (CNC) - Brasil

- Aguinaldo José Lima, Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) – Brasil

- Silvio Farnese, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) - Brasil

- Roberto Velez, Federación Nacional de Cafeteros (FNC) - Colômbia

- Juan Esteban Orduz, Federación Nacional de Cafeteros (FNC) - Colômbia

- Vanusia Nogueira, Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) - Brasil

- Arnaldo Botrel Reis, Associação dos Sindicatos Rurais do Sul de Minas (Assul) - Brasil

- Carlos Paulino, Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé) - Brasil

- Lúcio Dias, Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé) - Brasil

- José Marcos Magalhães, Cooperativa dos Cafeicultores do Sul de Minas (Minasul) – Brasil

- Breno Mesquita, Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) – Brasil


camara-450-x-108px-21082018