Prefeito de Patrocínio diz a revista que o grande problema da Saúde é o custeio

Foto: Igor Coelho/Agência i7

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Da Redação da Rede Hoje

A revista Viver Minas, edição de maio, trouxe em sua capa uma entrevista com o prefeito de Patrocínio Lucas Siqueira com titulo "A saúde é uma bomba-relógio" e o subtitulo "O médico Lucas Campos de Siqueira, prefeito de Patrocínio, diz que o grande problema é o custeio do serviço". No corpo do texto, assinado pelo jornalista Ana Elizabeth Diniz, informa que o prefeito tem "preocupação com a saúde, que considera um gargalo em seu governo" e que recorre aos santos, cujas imagens tem em seu gabiente, e "não se incomoda de assumir que, algumas vezes, quando a situação ficou preta, ajoelhou ali mesmo e rezou". 

Referindo-se ao título da reportagem - "A saúde é uma bomba-relógio" - o texto diz que afirmativa "não é exatamente uma novidade para os brasileiros e foi feita por um médico hematologista que sempre atuou no serviço público de saúde e conheceu de perto a área quando foi secretário municipal em 1997. Lucas Campos de Siqueira (PPS), 51, casado há 25 anos, três filhos, é prefeito de Patrocínio em seu segundo mandato, presidente da Associação dos Municípios da Microrregião do Alto Paranaíba e, em 2011, recebeu do Sebrae o prêmio prefeito empreendedor por buscar o desenvolvimento sustentável do município, criando condições de crescimento e melhoria na qualidade de vida da população". 

O texto da revista diz ainda que "além da preocupação com a saúde, que considera um gargalo em seu governo, o prefeito tem paixão pela área da educação, para a qual tem se empenhado bastante. Em seu gabinete, ostenta algumas imagens de santos e não se incomoda de assumir que, algumas vezes, quando a situação ficou preta, ajoelhou ali mesmo e rezou". 

Confessa á revista que e católico e devoto de Nossa Senhora Aparecida e Nossa Senhora da Abadia. “Rezo pra elas todo santo dia, peço proteção. Tenho uma fé danada e sempre que posso participo da cavalgada que acontece em Romaria, em homenagem à padroeira Nossa Senhora da Água Suja, que opera milagres. Já cavalguei os 70 km umas cinco ou seis vezes e caminhei três vezes quando mais jovem, quando minha saúde permitia e meus pés aguentavam”, confessa. 

A entrevista completa, em a seguinte:

Patrocínio acaba de completar 172 anos. Há o que comemorar? 

Há sim. Patrocínio enfrenta dificuldades assim como o Brasil inteiro. Algumas prefeituras e municípios estão em situação calamitosa, alguns até falimentares. Tivemos grandes avanços em áreas que considero fundamentais, principalmente na educação, onde me propus fazer um investimento diferenciado nos dois mandatos. O plano tem surtido um resultado espetacular e os números são significativos. 

Quais são essas conquistas? 

De 2009 para cá, passamos de 6.500 alunos na rede pública municipal de ensino para quase 11 mil, temos 100% das 21 escolas entre o ensino infantil e o básico reformadas ou ampliadas. Estamos implantando mais três escolas de educação infantil que vão atender mais de 700 alunos através do Proinfância, programa do governo federal. Estamos licitando mais quatro escolas de ensino básico também em parceria com o governo federal. Até o final deste ano, vamos licitar mais quatro escolas, totalizando mais 11 novas escolas até o ano que vem. Fornecemos para todos os alunos kit escolar completo e temos uma parceria com outras áreas afins, como a de cultura, onde levamos a capoeira para crianças com menos de cinco anos e já temos 1.500 alunos. Por meio do projeto Arte Cidadã, oferecemos, nas próprias escolas, aulas de violão, violino, canto, percussão, teatro, balé, entre outras. O Programa de Iniciação Esportiva e Educacional conta com mais de 2.000 alunos inscritos em mais de oito centros esportivos localizados na cidade e zona rural que oferecem futebol de campo, de salão, basquete e handball masculino e feminino. Temos perto de 1.200 alunos matriculados em tempo integral, principalmente na área rural.  

E os desafios nessa área? 

O transporte escolar é o grande drama. A prefeitura recebe dos governos federal e estadual em torno de 700 mil reais por ano e gasta 850 mil reais por mês. Oferecemos transporte escolar entre as áreas rurais para a cidade e dentro da cidade. 

O município foi premiado por um trabalho de educação especial. Qual foi ele? 

Ficamos entre os 15 selecionados no Prêmio Objetivos de Desenvolvimento do Milênio Minas Gerais e entre os 30 do Brasil com o Centro Municipal de Apoio Educacional Especializado, atendimento interdisciplinar para alunos do ensino infantil e fundamental que apresentam necessidades educacionais especiais. Entre as ações desenvolvidas, estão o atendimento psicológico e psicopedagógico, orientação dos pais e acompanhamento de médicos, fonoaudiólogos e fisioterapeutas. Em 2013, foram beneficiados 230 crianças e adolescentes. Inclusão que não tem preço. 

Quais os desafios da saúde? 

Talvez seja nosso grande gargalo, chega a ser frustrante. Como médico, trabalhei a vida inteira na rede pública. A Constituição diz que 15% da receita do município deve ser aplicada em saúde, mas eu nunca destinei menos de 23% nesses cinco anos de governo. O grande problema da saúde no Brasil se chama custeio, é insolúvel e vem se agravando. É uma bomba-relógio. Você hoje consegue verba para construir posto de saúde e até hospital, mas como manter essa estrutura em funcionamento? Enquanto os governos não acordarem para a realidade de que o problema da saúde pública é de custeio, não será possível manter a máquina funcionando. A criação do Sistema Único de Saúde foi um dos grandes avanços sociais, com universalidade de conceitos, mas eles se esqueceram de fazer as contas. Só para se ter uma ideia, uma equipe do Programa de Saúde da Família (PSF) conta com um médico que recebe 11 mil reais; a enfermeira, 3 mil reais; duas técnicas de enfermagem que ganham em torno de 1.200 reais cada uma e no mínimo seis agentes comunitários de saúde que ganham 900 cada um. Somente essa equipe custa para a prefeitura entre 27 mil e 30 mil reais por mês. O governo federal manda 7,5 mil reais. Do bolo arrecadatório do Brasil 58% ficam com a União, 25% ficam nos estados e 17% vão para os municípios. Logo quem fica com a menor parte do bolo é que fica com a maior parte do custeio. A conta não fecha. 

E a questão da segurança ou insegurança? 

Esse é um grande desafio e um problema cada dia mais difícil de ser enfrentado. Os prefeitos alegam que esse é um problema do governo estadual, mas quem mora no município é o prefeito e, então, temos que resolver nossos problemas. Fizemos convênios com todas as polícias, Militar, Civil, Florestal, Corpo de Bombeiros. Todos recebem uma cota mensal da prefeitura para aplicar na contratação de pessoal e melhorias. É uma maneira de a prefeitura e da própria instituição se planejarem com recursos previamente estabelecidos. Já tivemos ano em que tivemos 39 homicídios por grupo de cada 100 mil habitantes, o que é um absurdo, e no ano passado menos de 20. Acredito que o grande problema é a sensação de insegurança da população. Não adianta ter números para comemorar se a população não tiver a sensação de segurança. 


Com informações da Ascom/PMP e revista Viver Minas


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