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Desenvolvimento | Análise econômica revela contrastes no progresso de Patrocínio

Colunista Eustáquio Amaral aponta que liderança no agro não se reflete totalmente nos índices de ICMS e exportação. (Foto: Reprodução)

Estudo sugere que a industrialização de insumos locais é o caminho para aumentar a arrecadação e a riqueza do município.

Da Redação da Rede Hoje

Em sua coluna semanal na Rede Hoje publicada neste domingo, o colunista Eustáquio Amaral analisa a situação econômica de Patrocínio sob uma perspectiva conjuntural. Segundo o autor, embora o agronegócio local apresente números robustos, o conjunto da economia revela sinais de que o município ainda está aquém de seu potencial real. A análise indica que setores como o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), as exportações de café e a industrialização do leite precisam de maior atenção estruturante. O diagnóstico aponta que o progresso desejável para a Capital Nacional do Café depende de indicadores mais diversificados além da produção primária.

No que se refere ao ICMS, Patrocínio apresenta um Valor Adicionado Fiscal (VAF) inferior ao de outras grandes cidades da Região Intermediária de Patos de Minas. Em fevereiro de 2026, o município recebeu 5,4 milhões de reais via VAF, enquanto cidades como Patos de Minas e Paracatu arrecadaram 7,6 milhões e 14,5 milhões de reais, respectivamente. No acumulado de 2025, a arrecadação total de ICMS em Patrocínio foi de 90,5 milhões de reais, valor superado por Unaí, que atingiu 117,7 milhões, e Paracatu, com 218,3 milhões de reais. O colunista destaca que o VAF responde por 75% das transferências do imposto, evidenciando a necessidade de melhoria nesse índice.

Desempenho por setores específicos

Apesar da defasagem no índice geral, Patrocínio apresenta desempenho positivo em setores específicos que compõem o cálculo do ICMS, como a Educação. No mês de fevereiro de 2026, o município recebeu quase 200 mil reais devido aos bons resultados educacionais, superando Patos de Minas, que obteve 165 mil reais no mesmo período. Outro fator que contribui para a arrecadação é o setor penitenciário, que gerou 1,47 milhão de reais em repasses ao longo do ano de 2025. Por outro lado, áreas como Meio Ambiente, Patrimônio Cultural, Turismo e Esportes são apontadas como pontos fracos, onde a cidade é superada há bastante tempo pelos vizinhos regionais.

A situação das exportações de café também é alvo de questionamentos na coluna, que cita o conceito de “Sobrenatural de Almeida” para explicar a ausência de Patrocínio nos rankings de comércio exterior. Mesmo sendo o maior produtor de café do Brasil, com 65 mil toneladas, o município não aparece com destaque nas estatísticas de exportação de março de 2026. O ranking mineiro é liderado por Varginha, que exportou 261,4 milhões de dólares no mês, impulsionada pelo grão produzido em diversas regiões, incluindo o café patrocinense. A análise sugere que a riqueza gerada pela produção local acaba sendo contabilizada e tributada em outros centros logísticos do estado.

Caminhos para a industrialização

O setor lácteo repete o padrão observado no café, com Patrocínio ocupando a posição de segundo maior produtor de leite de Minas Gerais, atrás apenas de Patos de Minas. Contudo, a maior parte da produção é destinada a laticínios localizados em outros municípios, o que evidencia a carência de fatores estruturantes para o processamento local. Eustáquio Amaral defende que a industrialização é a “saída de ouro” para elevar o patamar econômico da cidade. A transformação de insumos vindos do próprio agro, como o beneficiamento do café e a produção de derivados do leite, é apontada como a principal aposta para o desenvolvimento sustentável.

A coluna conclui que, embora os títulos de Capital Estadual e Nacional do Café sejam positivos para a imagem da cidade, eles precisam ser acompanhados de ações práticas de fortalecimento econômico. O colunista reforça que o potencial de Patrocínio é incomparável, mas depende de uma visão que integre a força do campo com a agregação de valor na indústria. O aumento da participação no ICMS e a retenção da riqueza gerada pelas exportações são os desafios imediatos para que o progresso seja sentido em todos os setores da sociedade. A diversificação da base econômica é vista como essencial para que o município alcance os líderes regionais em arrecadação.

@redehoje
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