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Crise Sem Fim | Atlético enfrenta crise institucional e esportiva: saída de Hulk, maus resultados e dívida bilionária

A Arena MRV, orgulho dos atleticanos é uma parte do dreno de recursos do clube . Foto: Pedro Souza / Atlético

Galo acumula derrotas na Copa Sul-Americana, ocupa posição próxima à zona de rebaixamento no Campeonato Brasileiro e registra aumento de 30% no endividamento líquido.

Da Redação da Rede Hoje

As derrotas do Atlético para o Flamengo por 4 a 0, em casa, pelo Campeonato Brasileiro e para o Cienciano por 1 a 1, em Cusco, agravaram a crise institucional vivida pela Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do clube mineiro. O resultado negativo na terceira rodada da Copa Sul-Americana deixou a equipe na última colocação do Grupo B, somando apenas 3 pontos. Com esse desempenho, o time corre o risco real de ser eliminado do torneio continental ainda na fase de grupos, sem atingir os playoffs.

O cenário esportivo é marcado por uma sequência negativa de 4 derrotas nos últimos 6 jogos, o que coloca o treinador Eduardo Domínguez sob forte pressão. No Campeonato Brasileiro, o Galo ocupa a 15ª posição com 14 pontos, vindo de 3 derrotas consecutivas na competição nacional. A pontuação é idêntica à do Santos, primeiro time dentro da zona de rebaixamento, tornando o clássico contra o Cruzeiro decisivo para a permanência fora do Z4.

Galoucura exige a demissão imediata de Paulo Bracks, vice-presidente de futebol. Foto: Pedro Souza / Atlético

A crise técnica é acompanhada por protestos intensos da torcida organizada Galoucura, que exigiu a demissão imediata de Paulo Bracks, vice-presidente de futebol. Em nota oficial, os torcedores manifestaram indignação com o planejamento do elenco, apontando excessos em alguns setores e falta de reposição em outros. A torcida também criticou a ausência de uma identidade de jogo clara, mesmo com os altos investimentos realizados pela gestão.

O atacante Hulk durante partida na Arena MRV; ídolo histórico encerra passagem pelo clube mineiro com 140 gols marcados. Foto: Pedro Souza / Atlético

Em meio ao turbilhão administrativo, o clube anunciou a saída oficial do atacante Hulk, que negocia sua transferência para o Fluminense. O jogador encerra sua trajetória como o maior artilheiro do Atlético no século 21, acumulando 140 gols e 54 assistências em 297 partidas. Hulk detém marcas expressivas, sendo o maior goleador da Arena MRV, com 24 gols, e do novo Mineirão, onde balançou as redes 59 vezes.

Finanças

No campo financeiro, o balanço de 2025 revelou dados que contrariam as promessas iniciais de saneamento da dívida até o ano de 2026. A dívida líquida da associação saltou quase 30% em apenas um ano, atingindo a preocupante marca de 1,77 bilhão de reais. Dependendo da metodologia aplicada por especialistas, o passivo total da instituição já supera a barreira dos 2 bilhões de reais.

Mesmo registrando uma receita bruta recorde de 768 milhões de reais, o Atlético fechou o período com um prejuízo contábil de 882 milhões. Esse índice foi fortemente impactado por uma perda de 572 milhões de reais referente à desvalorização do próprio departamento de futebol. A gestão adotou uma política de alta alavancagem, mas o faturamento não cresceu o suficiente para equilibrar as contas conforme o previsto.

Na prática, o clube passou a contrair novos empréstimos com o objetivo exclusivo de honrar os juros e encargos de dívidas antigas. O débito bancário isolado atingiu 654 milhões de reais, gerando um sufocamento direto no fluxo de caixa e na operação do Galo. Atualmente, a instituição precisa desembolsar anualmente cerca de 250 milhões de reais apenas para o pagamento de encargos financeiros.

Com investimentos em contratações que superam as receitas obtidas com vendas de atletas, a geração de recursos orgânicos tornou-se insuficiente. Essa dinâmica tem dificultado o cumprimento de compromissos imediatos com fornecedores, asfixiando o funcionamento cotidiano do clube. A análise técnica do balanço sugere que a dependência de aportes externos e novos financiamentos permanece extremamente alta para 2026.

Gestão

A diretoria precisará revisar drasticamente as projeções de gastos para o próximo biênio a fim de evitar o agravamento da crise de liquidez. Acionistas e conselheiros da SAF devem se reunir nas próximas semanas para discutir medidas corretivas e a redução do custo da dívida. O equilíbrio entre manter a competitividade em campo e a saúde do caixa institucional tornou-se o principal desafio da cúpula atleticana.

O mercado observa com atenção os passos da gestão mineira, que serve de referência para outros clubes que adotaram o modelo empresarial. A transparência na divulgação dos dados financeiros é vista como necessária, embora revele um cenário de “bola de neve” nos débitos. A saída de Hulk simboliza o fim de um ciclo de grandes investimentos e inicia uma fase de incertezas sobre a reposição do elenco.

Dentro de campo, a falta de resultados positivos reflete o ambiente conturbado nos bastidores da Cidade do Galo. A torcida enfatiza que a cobrança sobre a diretoria deve-se a decisões desconectadas da realidade técnica apresentada nos torneios. O risco de rebaixamento no Brasileirão gera insegurança adicional entre investidores e parceiros comerciais que sustentam a estrutura da SAF.

A saída de Hulk também retira do time sua principal referência em clássicos, onde o atacante marcou 10 gols contra o Cruzeiro. Ele encerra sua passagem como o único jogador do clube a ser artilheiro do Campeonato Mineiro por quatro anos consecutivos. A ausência de sua liderança técnica obriga o treinador a buscar soluções caseiras em um elenco que já é considerado desequilibrado pelos torcedores.

Logística

O planejamento logístico para a sequência da temporada precisará focar na recuperação física dos atletas e na adaptação a calendários apertados. A eliminação precoce em torneios da Conmebol representaria uma perda significativa em premiações previstas no orçamento anual. Por outro lado, a permanência na elite nacional é vital para garantir as receitas de transmissão que alimentam o caixa do clube.

O treinador Eduardo Domínguez ainda tem que enfrentar desfalques por lesão também têm dificultado o trabalho. Foto: Pedro Souza / Atlético

Os próximos dias serão fundamentais para definir se Eduardo Domínguez terá respaldo para continuar o projeto técnico ou se haverá nova troca no comando. A falta de continuidade nas decisões esportivas é um dos pontos mais criticados pela Massa Atleticana nas arquibancadas da Arena MRV. O apoio popular será testado no clássico de domingo, em meio ao clima de forte protesto contra a atual vice-presidência de futebol.

O Atlético Mineiro vive, portanto, um momento de redefinição obrigatória de sua rota administrativa e esportiva diante de dados tão alarmantes. A reconstrução do clube sob o modelo de empresa enfrenta seu primeiro grande teste de resiliência e competência gerencial. O desfecho da temporada 2026 será o divisor de águas para determinar a viabilidade do projeto financeiro a longo prazo da instituição.

@redehoje
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