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Entrevista | Maurício Cunha projeta futuro de sucesso do CAP focado na renovação da base e superação de desafios financeiros

Foto: Rede Hoje

PATROCÍNIO – O Clube Atlético Patrocinense (CAP) vive um momento de transição e reestruturação, alternando entre o protagonismo regional e a necessidade de se reinventar. Para compreender os rumos do clube, a Rede Hoje conversou com o, hoje vice-prefeito, Maurício Cunha, ex-presidente e uma das figuras centrais nas tomadas de decisão que moldaram a história recente do Grená.

Com 37 anos de bagagem no futebol, Maurício analisou as dificuldades herdadas, elogiou o apoio inédito do poder público municipal e cravou: o futuro do CAP e a sustentabilidade do clube passam obrigatoriamente pela lapidação dos talentos locais na base e pela formação de novos gestores.

Rede Hoje: O CAP está num bom caminho? O que o senhor está esperando para este ano?

Maurício Cunha: — É, a expectativa é boa, né? Cada ano a gente aprende alguma coisa a mais. Essa diretoria que está aí é um desafio, novamente, porque nós temos alguns débitos ainda da diretoria anterior, estamos trabalhando muito. E fizemos também uma ajuda agora para as categorias de base. Eu acho isso importante para que formem novos jogadores, inclusive também que formem novos dirigentes do Clube Atlético Patrocinense, que há uma inovação, uma renovação na diretoria e dá sequência.

Rede Hoje: A estrutura do futebol mineiro não poderia ser modificada, com um calendário mais longo com fases direcionadas para os clubes do interior?

Maurício Cunha: — Sim, o calendário é muito curto, as despesas são grandes – se bem que a Federação tem sido muito parceira do CAP – mas isso não basta. Como você está dizendo. Um calendário que envolvesse regiões, com arbitragens regionalizadas, estruturas regionalizadas teriam um custo menor, a rivalidade entre clubes regionais é muito maior, e financeiramente se despende menos recursos com viagens, hotéis, alimentação, porque você jogando na região sai da cidade no dia do jogo e volta depois da partida.

Rede Hoje: Por que não acontece assim?

Maurício Cunha: — Isso depende mais dos dirigentes do que da Federação Mineira de Futebol. O conselho técnico formado pelos clubes com pensamentos diversos teria que resolver, deixar as rivalidades regionais só dentro do campo. Mas os interesses de cada clube não permitem que isso aconteça, pois não há consenso e não se pensa a longo prazo.

Rede Hoje: Verdade, não conseguiram nem na formação da liga nacional envolvendo os grandes clubes, cada um puxando para um lado, fizeram duas ligas e hoje estão no impasse de gestão. E aqui, como o senhor avalia o apoio que o clube e o esporte local têm recebido atualmente da administração municipal?

Maurício Cunha: — Então, a gente tem que também cumprimentar o nosso prefeito Gustavo Brasileiro, que teve essa sensibilidade. Eu trabalho no futebol há 37 anos e nunca vi um prefeito fazer o que o Gustavo está fazendo para o futebol na base e nem para o futebol amador de Patrocínio. Então a gente tem que cumprimentar ele, parabenizar e tenho certeza que os frutos serão colhidos ao longo do tempo.

Rede Hoje: O início das categorias de base sempre exige paciência. Como o senhor viu a estreia e o potencial desse elenco jovem?

Maurício Cunha: — A gente viu que com menos de 30 dias o time de sub-20 já mostrou a que veio, perdeu de 2 a 1, mas perdeu de virada, perdeu no fim do jogo. Eu acho que o futebol está muito nivelado e Patrocínio tem muitos craques. Faltava o trabalho de preparação física, de conjunto, a parte psicológica, que é a primeira vez que esses meninos jogam fora valendo um campeonato desse nível, mas a gente está de parabéns e eu tenho certeza que vai fazer bonito durante esse campeonato.

Rede Hoje: Além do Sub-20, o torcedor pode esperar o mesmo empenho nas outras categorias que estão por estrear?

Maurício Cunha: — Não só o sub-20, como também o sub-15 e o sub-17 que começaram e vão fazer bonito, porque Patrocínio já provou que é só investir que os atletas são revelados. A gente tem exemplos como Ademir, criado aqui e hoje brilhando no Bahia, temos nos clubes e na seleção brasileira de futsal. Então não tenho dúvida que será sucesso total e a Prefeitura, nosso governo, estará para apoiar não só o futebol júnior, mas também o futebol amador, que também tem muitas atividades e revelação de talento acontecem quando se investe.

Rede Hoje: O que vocês esperam a longo prazo?

Maurício Cunha: — Mudança não só para os jogadores, mas para toda a comunidade. Um envolvimento maior dos jogadores, da comunidade, para que a gente possa garantir um futuro do Patrocinense, dos garotos e a certeza de que o clube vai continuar. Nós temos a diretoria de base, isso vai facilitar e muito a vida do nosso amado do CAP.

Rede Hoje: Para fechar, qual é a dimensão hoje do esporte amador no dia a dia da cidade e a importância desse olhar do governo?

Maurício Cunha: — Vejo atividade todos os dias no futebol amador, no esporte amador, e o prefeito – com a Secretaria Municipal de Esportes e com a Secretaria de Educação – tem feito esse trabalho de participar não só do futebol, de investir na criança e no jovem, mas para com todos os segmentos da sociedade, porque a cidade é composta de todos esses segmentos.

Análise: Logística e sustentabilidade no horizonte do CAP

Maurício Cunha, quando presidente no retorno do CAP em 2016. Foto: Rede Hoje

A fala de Maurício Cunha toca em uma ferida antiga do futebol do interior de Minas Gerais: o sufocamento financeiro provocado por campeonatos curtos e viagens longas. A proposta de regionalização com calendários longos e menos custosos levantada pelo dirigente, surge como uma solução inteligente para reduzir custos com hotelaria e transporte, além de inflamar os clássicos locais que atraem mais público e renda. Hoje, esse é um sonho quase impossível.

Enquanto a mudança estrutural depende do consenso entre os clubes na FMF, o CAP se blinda investindo na base. A revelação de talentos — endossada pelo sucesso de nomes como o atacante Ademir — e a parceria estratégica com a Prefeitura de Patrocínio e suas secretarias aparecem como o único caminho viável para manter o clube competitivo, gerando ativos em campo e descobrindo a próxima geração de gestores para o futebol patrocinense.

Bastidores do CAP: A aposta nas categorias Sub-15, Sub-17 e Sub-20 surge em um momento estratégico para o Patrocinense. Ao focar na lapidação física e psicológica de pratas da casa, com a fundamental ajuda do prefeito Gustavo Brasileiro que resolveu investir na base, a diretoria tenta blindar o clube contra o mercado inflacionado e os desafios financeiros citados por Maurício Cunha, garantindo uma transição sustentável para os próximos anos.

@redehoje
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