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Cultura | Literatura como resistência ganha espaço em festival literário

Pessoas circulam entre bancas e estandes de livros em feira cultural ao ar livre. Foto: Festival literário São Paulo/I

Evento promove lançamento de livro sobre o Holocausto e debates a respeito da diversidade literária global

Da Redação da Rede Hoje

O cientista político e professor Norman G. Finkelstein lançará o livro A indústria do Holocausto: reflexões sobre a exploração do sofrimento judeu na próxima quinta-feira, 4, n’A Feira do Livro. O festival literário é realizado na capital paulista com entrada gratuita para o público. A programação cultural do evento teve início nesta semana e se estende até 7 de junho. O escritor é filho de sobreviventes de campos de concentração nazistas e do Gueto de Varsóvia, sendo considerado uma voz crítica internacional sobre a situação dos territórios da Palestina.

O autor internacional participará de uma entrevista conduzida pela jornalista Patrícia Campos Mello no Auditório Museu do Futebol, em um encontro que recebeu o título de Holocausto e Palestina. De acordo com o editor Cauê Seignemartin Amenio, da editora Autonomia Literária, o professor judeu é um autor com muitas obras publicadas e traduzidas no mundo. Na publicação que será lançada no festival, o escritor examina o que aponta como instrumentalização política da memória do extermínio promovido pelos nazistas durante o período da Segunda Guerra Mundial.

O argumento central apresentado por Finkelstein em sua obra indica que a memória do genocídio foi transformada em uma representação ideológica a serviço de interesses de classe e das elites judaicas estabelecidas nos Estados Unidos. O pesquisador defende que essa utilização do sofrimento traria uma espécie de imunidade para as ações do Estado de Israel. O editor do livro relembrou que o país está envolvido em conflitos com o Líbano e o Irã, além de manter confrontos na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, onde ocorre a expansão de colônias.

Amenio afirmou que o autor adquiriu relevância no cenário internacional após rejeitar investidas de Jeffrey Epstein que constavam em mensagens eletrônicas vazadas. O profissional explicou que o pesquisador possui propriedade acadêmica e familiar para abordar o tema por ser filho de vítimas diretas do Holocausto. O editor declarou que o autor se manteve íntegro no cenário mundial, enquanto outras personalidades intelectuais e políticas de destaque internacional acabaram cedendo aos interesses financeiros do empresário norte-americano que foi alvo de investigações.

Diversidade literária

A programação do festival também abrigará um debate a respeito de como as obras de países pouco traduzidos estão influenciando o panorama editorial global no Espaço Motiva Tablado Literário. O debate ocorre nesta quarta-feira, 3, a partir de 15h40, com a presença dos convidados Graziella Beting, Laura di Pietro e Leonardo Garzaro. Os profissionais debatem na mesa denominada Literatura Além do Eixo os impactos culturais negativos gerados quando essas histórias deixam de ser consumidas pelos leitores no mercado nacional.

A diretora editorial da editora Tabla, Laura di Pietro, ressaltou em entrevista a importância de trazer ao Brasil uma maior diversidade de referências culturais diante dos recentes conflitos mundiais. A profissional apontou que a literatura atua como uma forma de resistência e serve para criar empatia e abrir novos horizontes para o público. Segundo a editora, a diversificação dos textos é uma maneira de romper com as narrativas hegemônicas que chegam de forma equivocada por meio dos grandes veículos de comunicação.

A profissional declarou que a manutenção dessa diversidade no mercado nacional é garantida principalmente pelo trabalho contínuo desenvolvido pelas editoras independentes brasileiras. A editora relembrou que as produções literárias originárias da África e da América Latina eram esquecidas no país, que priorizava obras dos Estados Unidos e da Europa. O foco atual da empresa de Di Pietro abrange textos da Ásia Ocidental e do Norte da África, buscando superar as visões estreitas que a mídia replica sobre a região.

@redehoje
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