
Integrantes da legenda apontam que silêncio do senador sobre relação com controlador de instituição financeira evitou substituição de seu nome pelo governador Tarcísio de Freitas. Foto: reprodução TV
Vínculos com o empresário Daniel Vorcaro geram desgaste interno na cúpula partidária após a divulgação de áudios relacionados ao financiamento de produção cinematográfica.
Da Redação da Rede Hoje
O desgaste político do senador Flávio Bolsonaro registrou ampliação entre os integrantes do Partido Liberal em decorrência das recentes revelações sobre sua proximidade com o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Lideranças e aliados da legenda avaliam que o parlamentar evitou expor publicamente e internamente os vínculos com o empresário com o objetivo de impedir a formação de uma pressão partidária pela substituição de sua pré-candidatura presidencial para o pleito de 2026. A estratégia teria sido desenhada para assegurar a manutenção de seu nome na disputa majoritária.
De acordo com integrantes da cúpula do PL, a intenção do senador teria sido atravessar o prazo legal de desincompatibilização eleitoral, encerrado no mês de abril, sem abrir margem para o avanço do nome do governador do Estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas. O chefe do Executivo paulista é apontado por setores da direita como uma das principais alternativas eleitorais para a sucessão presidencial. Parlamentares da legenda criticaram a falta de franqueza do pré-candidato, argumentando que o surgimento dos fatos pela imprensa colocou a agremiação em posição defensiva.
Diante do cenário de crise interna, o ex-presidente Jair Bolsonaro reforçou formalmente à direção nacional do partido que a postulação de seu filho ao cargo majoritário federal segue mantida, assegurando a inexistência de um plano alternativo na sigla. Nos bastidores do Congresso Nacional, o parlamentar fluminense vinha negando vulnerabilidades ligadas ao caso desde o término do período carnavalesco, quando o assunto começou a ganhar repercussão nos bastidores políticos. Em março, o senador negou a associação após informações apontarem seu contato na agenda do empresário.
Financiamento cinematográfico
O processo de desgaste da pré-candidatura presidencial ganhou intensidade após a divulgação de arquivos de áudio contendo diálogos entre o senador fluminense e o empresário Daniel Vorcaro. Nas gravações publicadas, o parlamentar realiza cobranças referentes ao pagamento de parcelas financeiras em atraso que estariam vinculadas ao suporte financeiro para o desenvolvimento do filme biográfico intitulado Dark Horse. Os relatórios indicam que os repasses financeiros estimados para viabilizar a produção cinematográfica sobre a trajetória de Jair Bolsonaro alcançaram o montante de 61 milhões de reais.
O senador confirmou a ocorrência das negociações financeiras, mas ressaltou que os valores tratados possuíam natureza estritamente privada e que não houve oferta de vantagens públicas em troca dos recursos. A empresa GOUP Entertainment, responsável pela produção do longa-metragem, emitiu uma nota oficial na qual nega o recebimento de qualquer quantia proveniente do Banco Master ou de empresas sob o controle societário do empresário. O caso foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal por meio de pedidos de investigação protocolados por parlamentares da base governista.
Fonte: Brasil 247





