
Cinegrafista da TV Band Minas morreu em acidente na BR-381, em Ravena, na Grande BH. Repórter ficou gravemente ferida. (Crédito: Videopress Produtora)
Batida frontal na altura de Ravena, na Grande Belo Horizonte, matou profissional da emissora e deixou jornalista internada no CTI do Hospital João XXIII
Da Redação da Rede Hoje
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) detalhou a dinâmica do acidente que envolveu um carro da Band Minas na BR-381 em Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, na tarde desta quarta-feira (15 de abril de 2026). O cinegrafista Rodrigo Lapa morreu no local e a repórter Alice Ribeiro foi socorrida em estado grave após a batida entre o veículo da emissora e um caminhão.
Segundo o inspetor Flávio Marc, da PRF, a colisão ocorreu em um trecho perigoso da rodovia, conhecido pelo alto número de acidentes. De acordo com ele, o motorista do carro da emissora, que seguia no sentido Belo Horizonte, invadiu a contramão. O motorista do caminhão, que trafegava no sentido Vitória, tentou desviar, mas não conseguiu evitar o impacto.
O inspetor afirmou que encontrou a equipe de reportagem cerca de 10 quilômetros antes do local do acidente, enquanto os profissionais faziam imagens das obras de duplicação da rodovia. A PRF trabalha com a hipótese de que o motorista do carro possa ter passado mal ou dormido ao volante.
Investigação em andamento
Quando os agentes chegaram ao local, equipes da concessionária Nova 381 já prestavam atendimento. Ainda segundo a PRF, não há indícios de tentativa de ultrapassagem. O inspetor informou que a apuração está sendo feita com o motorista que seguia atrás do caminhão, e ele não relatou a presença de outro veículo envolvido.
A equipe retornava de uma pauta sobre o início das obras de duplicação da rodovia. Segundo informações preliminares, o veículo voltava de Ravena no momento da colisão. As circunstâncias do acidente ainda são investigadas pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG).
Em nota, a Band Minas informou que os profissionais foram socorridos pela concessionária responsável pelo trecho e pelo Corpo de Bombeiros. A emissora disse que aguarda a apuração das causas e afirmou prestar assistência às famílias das vítimas.
A PCMG informou, também em nota, que requisitou a presença da perícia oficial no local. O objetivo é identificar e coletar vestígios que irão subsidiar a investigação sobre o acidente.
Perfil do cinegrafista

O cinegrafista Rodrigo Lapa, de 49 anos, morreu no local. A repórter Alice Ribeiro, de 35, foi socorrida em estado grave. (Crédito: O Tempo e Redes Sociais)
Conhecido entre os colegas pela presença entusiasmada e pela versatilidade técnica, o cinegrafista Rodrigo Lapa unia o rigor do jornalismo à sensibilidade das artes cênicas. Gaúcho de Porto Alegre, ele adotou Minas Gerais como lar e campo de trabalho, onde construiu uma carreira marcada pelo compromisso com a imagem e por projetos sociais.
Na TV Band Minas, para onde retornou em dezembro de 2025 após uma passagem anterior entre 2022 e 2024, Lapa atuou em diversas coberturas. Em seu portfólio recente incluía desde a dinâmica cultural do Carnaval de Belo Horizonte até o registro humanitário dos danos causados pelas chuvas na Zona da Mata mineira.
A atuação de Lapa extrapolava as redações. Palhaço de formação, ele dedicava parte de sua vida ao voluntariado, levando entretenimento a crianças em ambiente hospitalar. Há poucos dias, o profissional também integrou o projeto Garagens Periféricas, reforçando sua conexão com iniciativas comunitárias e artísticas.
Fora do ambiente profissional, Rodrigo Lapa era descrito por amigos e familiares como uma pessoa alegre e agregadora. Ele deixa a esposa e a filha, de 7 anos. A emissora onde trabalhava e entidades de classe manifestaram pesar pela perda do profissional, destacando sua trajetória de dedicação ao serviço da informação e da arte no estado.
Estado de saúde da repórter

Equipe fez entrada ao vivo no Band Cidade. Foto: reprodução do programa Band Cidade
A repórter Alice Ribeiro, de 35 anos, está em coma após o acidente. A jornalista sofreu um traumatismo craniano e foi encaminhada ao Centro de Terapia Intensiva (CTI) do Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, em Belo Horizonte. De acordo com a tia da jornalista, Geane, Alice passou por diversos exames após dar entrada na unidade e permanece sob cuidados intensivos.
Ainda segundo a familiar, a repórter sofreu um forte impacto na cabeça no momento da colisão, descrito como um efeito de chicote, comum em acidentes de trânsito. Geane afirmou que os sinais vitais de Alice estão estáveis. Segundo a tia, as próximas 24 horas serão decisivas para a evolução do quadro clínico.
Relato do caminhoneiro

O motorista Leonardo Saldanha desceu do caminhão para prestar socorro após a batida. (Crédito: Videopress Produtora)
Acostumado a cruzar, com frequência nos últimos cinco anos, a BR-381 no trecho entre Belo Horizonte e Ravena, o caminhoneiro Leonardo Saldanha, de 26 anos, sempre temeu entrar para a estatística de acidentes da via conhecida como Rodovia da Morte. O receio se confirmou nesta quarta-feira, quando o caminhão que ele dirigia se envolveu na batida.
Eu fiz o máximo que eu pude para evitar, disse Leonardo, emocionado. Segundo ele, seguia no sentido Vitória, havia acabado de sair de uma curva e entrava em um trecho reto quando viu o carro na contramão. Ele afirmou que tentou jogar o veículo para o acostamento, reduziu a velocidade e freiou, mas, infelizmente, aconteceu a tragédia.
Após a batida, o motorista desceu do caminhão para prestar socorro. Ele conseguiu abrir a porta do carro e ajudar a retirar a repórter, que foi socorrida minutos depois por uma equipe de resgate aéreo e levada ao Hospital João XXIII. O cinegrafista morreu no local.
Trecho perigoso da rodovia
José Messias Santos, de 28 anos, que estava no caminhão com Leonardo, também relatou os momentos após o acidente. Ele disse que tentaram ajudar e fizeram o que podiam. Os dois destacaram a preocupação com o trecho da rodovia, conhecido pelo alto número de acidentes. José afirmou que passam pelo local duas ou três vezes por dia e que a duplicação é necessária.
O trecho da BR-381 onde ocorrBR-381 – Foto: DNIT/Divulgaçãoeu o acidente é um dos pontos mais perigosos em número de mortes a cada 10 quilômetros. É o que aponta o Guia da Confederação Nacional dos Transportes (CNT) de Segurança nas Rodovias Brasileiras de 2026. A tragédia ocorreu na data que marca o início das obras de duplicação no trecho.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, o acidente aconteceu na altura do km 438, próximo ao Posto Fumaça, no sentido Belo Horizonte. O levantamento da CNT indica que, entre os kms 430 e 440, dez pessoas morreram em 2025 nos 58 acidentes registrados no trecho ao longo do ano passado.
Dados estatísticos da CNT

BR-381 – Foto: DNIT/Divulgação
O índice de mortalidade nesse intervalo de 10 quilômetros é semelhante ao da BR-251 entre os kms 440 e 450, onde houve 13 mortes. Já o trecho com maior letalidade em 2025 foi o da BR-040, entre os kms 660 e 671, com 11 óbitos em 40 acidentes. Conhecida como Rodovia da Morte, a BR-381 foi a estrada que mais registrou mortes em Minas Gerais no período.
Foram 158 ocorrências na BR-381, o que corresponde a 20,7 por cento do total do estado. O local do acidente com a equipe da Band figura entre os dez trechos de rodovias federais da região Sudeste com maior número de mortes registradas entre janeiro e dezembro de 2025.
A equipe da Band Minas produzia, justamente, uma reportagem sobre o início das obras de duplicação da BR-381 no trecho de Ravena quando sofreu o acidente. O cinegrafista Rodrigo Lapa dirigia o carro da emissora no momento da colisão. A repórter Alice Ribeiro seguia como passageira.





