
Representantes e especialistas debatem metas do Plano Estadual de Educação em audiência. Foto: Guilherme Bergamini
Estratégias do governo para atração e manutenção de alunos na EJA foram questionadas por autoridades durante monitoramento.
Da Redação da Rede Hoje
A educação de jovens e adultos (EJA) recebeu atenção especial de autoridades e especialistas durante a terceira audiência pública de monitoramento do Plano Estadual de Educação (PEE), realizada nesta quinta-feira (16). O encontro, que integra a programação do Tema em Foco no biênio 2025-2026, concentrou-se nas metas 3, 10 e 11 do plano, que tratam do atendimento no ensino médio e da educação profissional. Instituído em 2018, o PEE estabelece o planejamento do Estado para o desenvolvimento educacional até o ano de 2027, buscando a universalização do ensino para a população de 15 a 17 anos.
A deputada Beatriz Cerqueira, presidenta da comissão, apresentou indicadores que mostram que Minas Gerais alcançou 93,7% de adolescentes na escola ou com educação básica concluída, índice que ainda coloca o estado na 16ª posição nacional em universalização. Em relação à meta 10, que prevê a oferta de 25% das matrículas de EJA integradas à educação profissional, o governo admitiu desafios devido à reduzida procura. Atualmente, o Estado avançou para 4,5 mil vagas preenchidas em 2026 por meio do programa Trilhas do Futuro, o que representa apenas 7% do total de matrículas da modalidade específica.
Expansão profissional
Quanto à meta 11, o Estado registrou 258 mil matrículas na educação profissional e tecnológica em 2026, impulsionado pelo projeto Trilhas do Futuro, que oferece cursos técnicos gratuitos a estudantes e egressos. Esse volume de matrículas faz de Minas o segundo estado com maior percentual do País na área, atingindo a marca de 9,4%. Entretanto, a deputada Beatriz Cerqueira ressaltou um desnível significativo na participação das instituições de ensino, apontando que a rede privada manteve uma vantagem média de 82% na expansão da educação profissional técnica de nível médio entre os anos de 2022 e 2024.
A estratégia de busca ativa e manutenção dos estudantes na EJA foi duramente criticada pela coordenadora do Fórum Estadual Permanente de Educação de Minas Gerais, Analise de Jesus, e pela promotora de Justiça Giselle Oliveira. As especialistas apontaram problemas estruturais, como a falta de formação específica para professores da modalidade, o fechamento sistemático de turmas e a dificuldade dos alunos em conciliar os estudos com a jornada de trabalho. A promotora Giselle Oliveira defendeu a necessidade de customização dos conteúdos para torná-los mais atrativos e facilitar a frequência escolar de quem retorna às salas de aula.
Déficit educacional

Segundo Analise de Jesus, praticamente metade da população do Estado não concluiu a educação básica. Foto: Guilherme Bergamini
Dados apresentados pelo Fórum Estadual Permanente de Educação revelam um cenário alarmante sobre o panorama mineiro. Segundo Analise de Jesus, praticamente metade da população do Estado não concluiu a educação básica, o que representa cerca de 11,1 milhões de mineiros. Desse total, aproximadamente 985 mil pessoas nem sequer foram alfabetizadas, evidenciando o abismo entre as metas projetadas e a realidade social. Citando números da plataforma Qedu, a professora pontuou que 39% das crianças que entraram na escola em Minas Gerais não chegaram ao Ensino Médio, demonstrando uma evasão escolar persistente.
O Governo do Estado foi repreendido por especialistas por ainda trabalhar com previsões de cumprimento de metas em um período tão próximo ao encerramento da vigência do Plano Estadual de Educação. A crítica central reside na necessidade de métodos mais eficazes para garantir que o ensino profissional chegue à rede pública de forma paritária à privada. As autoridades presentes reforçaram que, sem uma reforma nas estratégias de atração e no suporte aos alunos trabalhadores, os indicadores de escolaridade de jovens e adultos continuarão abaixo do esperado para garantir o pleno desenvolvimento social e econômico de Minas Gerais.





