
Cartaz do documentário que foi lançado no Cine Humberto Mauro, no Palácio das Artes, em Belo Horizonte. Crédito: Euler Júnior / TJMG
Filme aborda erro judicial ocorrido na década de 1930 em Minas Gerais
Da Redação da Rede Hoje
O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) lançou, na segunda-feira (4/5), o documentário “Sob o Peso da Tortura: o Caso dos Irmãos Naves”, que trata de um episódio classificado como um dos maiores erros do Judiciário brasileiro no campo do Direito Penal. A produção apresenta a prisão e a condenação de Sebastião José Naves e Joaquim Naves Rosa por um crime que não cometeram. O caso ocorreu no fim da década de 1930, no município de Araguari, no Triângulo Mineiro. O conteúdo resgata fatos históricos relacionados ao período e às decisões judiciais da época.
Produzido pela Diretoria Executiva de Comunicação, com apoio da Memória do Judiciário Mineiro, o documentário detalha a investigação conduzida após o desaparecimento de um comerciante em 1937. Os irmãos foram acusados de latrocínio e submetidos a tortura durante o processo investigativo. Familiares também foram presos e sofreram violência com o objetivo de forçar confissões. A obra reúne depoimentos e reconstruções que contextualizam os acontecimentos e seus desdobramentos no sistema de Justiça.

Beatriz Alamy, filha do advogado João Alamy Filho, que defendeu os irmãos Sebastião e Joaquim Naves, foi homenageada pelo presidente Corrêa Junior com um buquê de flores (Crédito: Euler Júnior / TJMG)
A exibição de estreia ocorreu no Cine Humberto Mauro, no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, com participação de autoridades do Judiciário, servidores, convidados e familiares de envolvidos no caso. O presidente do TJMG, desembargador Luiz Carlos Corrêa Junior, participou da sessão ao lado de outros integrantes da instituição. O evento foi aberto ao público e integrou a programação institucional da Corte mineira. Novas exibições estão previstas para Araguari, em 6/5, e no edifício-sede do tribunal, em 12/5.
Liberdade cerceada
Durante a apresentação, o presidente do TJMG afirmou que o documentário tem como objetivo registrar e divulgar o caso para conhecimento público. Ele destacou que os fatos ocorreram durante o Estado Novo, período em que havia restrições às liberdades individuais. Segundo o magistrado, a produção busca apresentar o episódio de forma transparente. O presidente eleito para o biênio seguinte também mencionou a importância do resgate histórico como forma de evitar repetição de situações semelhantes.

Sessão de estreia do documentário no Cine Humberto Mauro, no Palácio das Artes, em Belo Horizonte. Crédito: Euler Júnior / TJMG
Antes da exibição, houve homenagem a Beatriz Alamy, filha do advogado João Alamy Filho, responsável pela defesa dos irmãos. Ela recebeu reconhecimento institucional durante a cerimônia. O documentário tem duração de 55 minutos e inclui entrevistas com descendentes, historiadores e magistrados. A produção também apresenta trechos de encenações e referências ao filme “O Caso dos Irmãos Naves”, lançado em 1967, com base nos mesmos acontecimentos históricos.





