
Operação Carga Pesada 2 cumpre mandados em Minas Gerais (Foto: GAECO)
Ação é desdobramento de investigação que identificou Patrocínio como centro operacional de quadrilha de roubo de cargas.
Da Redação da Rede Hoje
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado de Minas Gerais deflagrou a Operação Carga Pesada 2 na manhã desta terça-feira, 3 de março de 2026. A iniciativa é fruto direto da investigação iniciada na primeira fase, ocorrida em junho de 2025, que identificou a cidade de Patrocínio como a base operacional do grupo criminoso. Naquela ocasião, as autoridades cumpriram 24 mandados de prisão e 26 de busca e apreensão em cidades como Uberaba, Ibiá e Alfenas. A operação de 2025 também alcançou o estado de Pernambuco, com diligências realizadas no município de Caruaru. O foco atual é desarticular a rede de agentes públicos que davam suporte logístico a essa estrutura.
A investigação aponta que os suspeitos recebiam vantagens indevidas de membros de uma organização criminosa que foi alvo da primeira fase da operação. Conforme os levantamentos realizados, os investigados teriam praticado crimes contra a administração pública em tese para favorecer o grupo criminoso anterior. A organização denunciada na fase inicial é apontada como responsável por roubo e furto de cargas em diversas regiões. O esquema envolvia também desvios patrimoniais e adulteração de veículos automotores para ocultar a origem ilícita dos bens. As apurações indicam que o recebimento de valores ocorria de forma sistemática para acobertar as atividades do grupo.
Os detidos na operação de hoje incluem 3 investigadores de polícia e 1 escrivão de polícia que foram conduzidos conforme as ordens judiciais expedidas pela justiça mineira. Todos os mandados foram devidamente cumpridos nas cidades de Belo Horizonte e Ribeirão das Neves durante as primeiras horas do dia. O apoio técnico para o cumprimento das diligências foi fornecido pelo Gaeco de Belo Horizonte e pela Corregedoria da Polícia Civil. O material apreendido nas residências dos envolvidos passará por análise para subsidiar a continuidade das investigações em curso. Não foram divulgados os nomes dos policiais civis presos nesta fase da operação policial.
Histórico e bloqueios
Durante a fase inicial dos trabalhos em 2025, a justiça determinou o sequestro de 38 veículos utilizados pela organização criminosa em suas atividades ilícitas. Além dos automóveis, foi decretada a indisponibilidade de diversos imóveis e o bloqueio de valores depositados em contas bancárias dos investigados. Essas medidas financeiras visaram desestruturar o poder econômico da quadrilha que operava a partir de sua base em Patrocínio. O cruzamento de dados bancários permitiu identificar o fluxo de dinheiro que supostamente irrigava o esquema de corrupção policial. As provas colhidas naquela época fundamentaram os pedidos de prisão temporária executados na manhã desta terça-feira.
Os crimes investigados nesta segunda fase possuem ligação direta com os fatos apurados no início da Operação Carga Pesada que revelou grandes esquemas de logística criminosa. A associação entre os agentes públicos e os criminosos teria facilitado a continuidade de delitos patrimoniais graves em rodovias mineiras. Os detidos permanecem à disposição da autoridade policial e do judiciário para os procedimentos de praxe que seguem as normas vigentes. O Ministério Público continuará analisando os dados colhidos para verificar a participação de outros envolvidos no esquema ilícito. Novas fases da operação podem ocorrer caso surjam indícios de outros agentes envolvidos na prática.
A Operação Carga Pesada 2 demonstra o esforço contínuo no combate à corrupção em setores estratégicos da segurança pública e da administração de justiça no território mineiro. O recebimento de propinas ou vantagens indevidas é o foco central das diligências realizadas nesta terça-feira pelas equipes do Gaeco. A Polícia Civil de Minas Gerais colabora por meio de sua corregedoria para garantir que as condutas dos servidores sejam devidamente apuradas e punidas. As investigações seguem em sigilo para preservar a coleta de provas e a identificação de novos indícios de crimes. O balanço final das apreensões será divulgado após a conferência de todos os materiais.
A primeira fase da operação já havia identificado o grupo responsável por furtos de cargas e agora a justiça foca nos facilitadores dentro da estrutura estatal. O envolvimento de 1 escrivão e 3 investigadores reforça a necessidade de auditorias constantes nas delegacias especializadas do Depatri. Os resultados das buscas e apreensões domiciliares serão anexados ao processo principal que tramita na comarca responsável pelo caso. Espera-se que a conclusão deste inquérito ocorra nas próximas semanas com o oferecimento de denúncia formal pelo promotor de justiça. A sociedade aguarda o desenrolar do processo para que os bens desviados possam ser recuperados.
Informações do MPMG





