
Pedro Divino Rosa e seu mais novo livro. Crédito: Casa da Cultura de Estrela do Sul
Jornalista Pedro Divino Rosa reúne entrevistas e registros para contestar narrativa ficcional e destacar pesquisa própria
Da Redação da Rede Hoje
A história atribuída à personagem Dona Beija apresenta divergências em relação às versões difundidas em obras de ficção, segundo o jornalista Pedro Divino Rosa. O autor do livro “Dona Beija” reuniu dados documentais e entrevistas com descendentes diretos para reconstruir a trajetória com base em registros históricos. O objetivo do pesquisador é diferenciar elementos comprovados de narrativas construídas por autores que priorizam o apelo ficcional. A obra busca oferecer uma aderência maior às fontes documentais disponíveis sobre a biografada em Minas Gerais.
O jornalista Pedro Popó esclarece que, embora as obras de arte possuam liberdade para utilizar a licença poética, o rigor documental é o diferencial de seu livro. Em informações passadas à Rede Hoje, o autor destaca que sua pesquisa separou os fatos das interpretações puramente fantasiosas. O texto biográfico prioriza a fidedignidade dos dados obtidos através de fontes primárias e relatos de familiares residentes em Goiás. A proposta foca na recuperação da identidade real da moradora que marcou a história de Estrela do Sul.
O lançamento recente de uma releitura da novela por plataforma de streaming reacende o debate sobre a veracidade das informações apresentadas ao público. Segundo o autor, a produção atual segue linhas narrativas baseadas em mitos que não correspondem necessariamente aos fatos identificados em pesquisas. As entrevistas realizadas com pessoas ligadas à família da biografada reforçam a necessidade de um contraponto crítico às produções de entretenimento. O registro histórico busca preencher lacunas deixadas por roteiros que exploram apenas a mística da personagem.

Fotografia histórica de Dona Beija integra acervo cultural em Estrela do Sul – Crédito: Casa da Cultura de Estrela do Sul
Natural de Estrela do Sul, cidade onde Dona Beija morre, Pedro Divino Rosa desenvolve sua pesquisa a partir de investigações locais e análise de documentos históricos, além de entrevistas com estudiosos e descendentes, incluindo uma bisneta da personagem que reside em Goiás, reunindo informações organizadas no livro com o objetivo de apresentar uma versão fundamentada em evidências e relatos diretos, diferenciando sua abordagem de outras publicações que tratam o tema com maior liberdade narrativa.
O autor apresenta informações que divergem de relatos conhecidos, como a origem do ouvidor da Corte envolvido na história, que, segundo sua apuração, vem de Vila Boa de Goiás, atual cidade de Goiás, e não de Paracatu, além de contestar a versão sobre a paternidade da primeira filha de Dona Beija, afirmando que o pai é um padre chamado Francisco José da Silva, com base em dados levantados ao longo da pesquisa realizada para a elaboração da obra.
Pesquisa
O jornalista também relata aspectos da vida de Dona Beija em Estrela do Sul, afirmando que a personagem se desloca para a região com o objetivo de garimpar diamantes, informação que contrasta com versões conhecidas que apresentam outros motivos para sua mudança, sendo esse dado obtido por meio de entrevistas e registros locais analisados durante o processo de investigação, compondo o conjunto de informações que sustentam a narrativa apresentada no livro.
Família de Cultura

Cartaz do Primeiro Encontro regional de Cultura e Turismo em Estrela do Sul que inclui o historiador morto em 2023 Mário Lúcio Rosa (irmão de Pedro). Foto: Casa da Cultura de Estrela do Sul
Pedro Divino Rosa integra a família Rosa, reconhecida por atividades culturais desenvolvidas em Estrela do Sul e pela contribuição à preservação da memória histórica, ao lado dos irmãos Almir Almas, professor da ECA-USP, e Mário Lúcio Rosa, historiador morto em 2023, que atuam na manutenção de uma Casa da Cultura que abriga arquivo histórico, biblioteca e museu, reunindo acervo formado por documentos, objetos e registros utilizados em pesquisas, incluindo uma fotografia original de Dona Beija tirada pouco tempo antes de sua morte, em 1873.
Acervo
O acervo mantido pela família reúne materiais utilizados em estudos históricos e biográficos, contribuindo para a preservação de informações sobre personagens e acontecimentos da região, funcionando como ponto de apoio para pesquisadores e interessados na história local, além de servir como base para a elaboração de obras que buscam apresentar versões fundamentadas em documentos e registros históricos, ampliando o acesso a informações sobre o passado regional.
O escritor e historiador Edmar César Alves, autor de livros sobre fatos históricos ocorridos no Triângulo Mineiro, também se manifesta sobre o tema e corrobora as declarações de Pedro Divino Rosa, indicando concordância com os dados apresentados na pesquisa, o que reforça o debate sobre a necessidade de revisão de narrativas consolidadas ao longo do tempo com base em fontes que podem não refletir integralmente os acontecimentos históricos.
Estrela do Sul
A cidade de Estrela do Sul reúne locais associados à trajetória de Dona Beija, incluindo a Casa da Cultura Irmãos Rosa, que abriga parte do acervo histórico utilizado em pesquisas, além do casarão onde a personagem reside após deixar a região de Araxá, e ainda espaços como a igreja matriz e o cemitério local, que preservam registros e características da época, servindo como referências para estudos e visitação.

Capa do livro Dona Beija. Foto: Foto: Casa da Cultura de Estrela do Sul
O conjunto de informações reunidas por pesquisadores indica a existência de versões distintas sobre a história de Dona Beija, com divergências relacionadas às fontes utilizadas e às interpretações construídas ao longo do tempo, sendo a publicação do livro um elemento que amplia o debate sobre a construção histórica da personagem, ao apresentar dados baseados em documentação e depoimentos que diferem das narrativas difundidas em obras ficcionais, mantendo a discussão aberta entre estudiosos.





