
Alexandre Costa
Vivemos como se tivéssemos controle absoluto sobre o amanhã. Planejamos, projetamos, sonhamos… e, sem perceber, muitas vezes deixamos Deus fora dessa equação. Mas a Palavra nos confronta com uma verdade simples e poderosa: o tempo não nos pertence.
Em Tiago 4:13-15, somos lembrados de que não sabemos o que acontecerá amanhã. A vida é como um vapor — aparece por um pouco e logo se dissipa. Por isso, em vez de afirmarmos com soberba “amanhã faremos isso ou aquilo”, deveríamos dizer: “Se o Senhor quiser, viveremos e faremos isto ou aquilo.”
Essa não é uma frase religiosa, é uma postura de coração. É reconhecer que Deus é Senhor do tempo — e nós, apenas mordomos dele.
Curiosamente, essa verdade ecoa até fora das Escrituras. Na simplicidade e beleza da música nordestina, Flávio José canta: “Se avexe não, amanhã pode acontecer tudo, inclusive nada.”
Há uma sabedoria profunda nisso. O amanhã é incerto. Podemos ganhar ou perder, rir ou chorar, conquistar ou esperar. Ou simplesmente… nada acontecer. E isso nos leva a uma reflexão: estamos vivendo bem o hoje?
A Bíblia também nos orienta em Efésios 5:15-16 a remir o tempo, porque os dias são maus. Remir o tempo não é viver apressado, mas viver com propósito. É não desperdiçar oportunidades, não adiar o que Deus já nos chamou para fazer, não negligenciar o que é eterno por causa do que é passageiro.
Quantas vezes deixamos para depois uma conversa importante, um perdão necessário, um passo de fé? Quantas vezes dizemos “amanhã eu começo”, “amanhã eu mudo”, “amanhã eu busco mais a Deus”… sem perceber que o único tempo que realmente temos é o agora?
O tempo é um presente — e também uma responsabilidade.
Se Deus quiser, teremos o amanhã. Mas, se Ele já nos deu o hoje, então hoje é o dia de obedecer, de amar, de perdoar, de agir, de buscar, de viver com Deus no centro.
Que possamos aprender a viver com essa consciência: planejamos, sim — mas com humildade. Sonhamos, sim — mas com dependência. E vivemos — intensamente — cada dia como uma oportunidade dada por Deus.
Porque, no fim, o amanhã pode trazer tudo… ou pode não trazer nada. Mas o hoje já está em nossas mãos.
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