
O jovem Olimpio Brandão (em 1962), ainda como diretor da Metalúrgia Patrocínio, discursa na abertura da Feira Industrial da cidade na época, ladeado por Magalhães Pinto (governado do estado), o prefeito Enéas Aguiar e várias outras autoridades. Foto: reprodução video da Rede Hoje
Eustáquio Amaral
Exemplar. É gratificante conhecer uma pessoa assim. E melhor ainda se essa pessoa é um administrador público. Um prefeito competente e ilibado. Patrocínio já foi presenteado com alguém desse perfil. Patrocinense por adoção, puramente técnico, religioso e inteligente. Assim, foi Olímpio Garcia Brandão. Ou simplesmente, Dr. Olímpio. O prefeito visionário. Implantou indústrias. Criou escolas superiores e marcantes. Abriu caminho para o café em Patrocínio. Participou do Polocentro. Participou do movimento pela construção da BR 365. Promoveu a pavimentação a Ibiá e BH. Na sua gestão foram construídos os silos da Casemg. E tantas outras coisas a mais. Esse era o humilde prefeito que viajava para BH pelo Expresso União. Esse foi Dr. Olímpio, o “cara”, o político, o competente administrador, o ser humano.
O PREFEITO DO PLANEJAMENTO – Olímpio Brandão planejou e expandiu a área agrícola patrocinense. Passou de 8.000 ha para 80 mil ha (hectares) de área plantada. Isso na primeira metade dos anos 70. Colaborou e participou ativamente da criação do Polocentro (Programa de Desenvolvimento dos Cerrados), realizado pelo maior gênio agrícola do Brasil, Alysson Paolinelli, que até foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz, em 2022.

Em 1971, em cópia recuperada por IA de pintura original em painel do Auditório Municipal Geraldo Campos
PREFEITO QUE PLANEJOU PATROCÍNIO – Responsável direto pela elaboração do Plano Diretor. Iniciou a construção das avenidas chamadas de sanitárias (hoje, Av. João Alves do Nascimento, Av. Dom José André Coimbra, e, outras). Antevendo o crescimento agrícola de Patrocínio e região, em parceria com o Estado, construiu os Silos da Casemg, à beira da ferrovia, mirando a fácil exportação. Silos para Patrocínio e o Alto Paranaíba. Hoje, o desejo é implodir os silos de 50 anos (estariam velhos?).

Como representante da Metalúrgica discursando a abertura da feira da indústria de 1962 na cidade
PREFEITO COLOCOU PTC NA ROTA INDUSTRIAL – Com o apoio do INDI (órgão de fomento do Governo Estadual) atraiu duas fábricas de seda coligadas. Não poluentes e singulares. Minasilk e Serecitextil exportavam seda, cujas fábricas de tecelagem se localizavam em Patrocínio (próximo ao antigo Enxó Campestre). Esse sonho durou por 15 anos. Fundada em 21/01/1974. A produção de seda patrocinense, única em Minas Gerais, que correspondia a 10% da produção brasileira de seda, era toda exportada. Grande geradora de empregos. Algum “Sobrenatural de Almeida” conseguiu eliminar esse sonho realizado por Dr. Olímpio. Um “senhor gol contra” a Patrocínio.
PREFEITO QUE INOVOU NA EDUCAÇÃO – Na administração de Olímpio Garcia Brandão (1971-1975), foi criada a Faculdade de Filosofia, englobando os primeiros cursos superiores de Patrocínio, que se tornou o embrião da Unicerp. E não parou por aí. Instalou o Colégio Agrícola (depois Escola Agrotécnica Sérgio Pacheco). E instalou também o curso de Enfermagem da APAE.
PREFEITO IDEALISTA – Na Saúde, criou o Serviço Municipal de Saúde, precursor do SUS na cidade. Transferiu a rodoviária do centro (próximo ao Mercado Municipal) para a Av. Faria Pereira com Av. João Alves do Nascimento. A construção da rodovia Patrocínio–Ibiá–BR 262 foi fruto de seu planejamento. Isso mais tarde, quando ocupou a gerência de Planejamento do DER-MG.
SEM DEPUTADO, PORÉM COM FÉ – Pessoa simples. Austero. Sério. Católico fervoroso. Patrocínio não tinha deputado. Visando economia para os cofres municipais, viajava sempre sozinho pelas estradas de chão, utilizando o Expresso União. E sempre trazia da capital benefícios para Patrocínio. Algum político hoje faz alguma coisa similar?? Certamente a resposta é NÃO.
VIDA DE OLÍMPIO – Um dos seis filhos de Marciano Brandão, nasceu em Iguatama (MG), quando era chamada de Porto Real, no dia 11/03/1925. E faleceu em BH, onde passou a residir, vítima de câncer, em 05/04/2007, aos 82 anos. Aluno da Escola Honorato Borges, do Ginásio Dom Lustosa (onde também foi diretor, nos anos 60) e da Faculdade de Engenharia de Ouro Preto (cursou Engenharia de Minas, e, Metalurgia e Civil). Irmão do conceituado médico Dr. José Garcia Brandão. Em 1974, casou-se com Rita de Faria Tavares, filha de Secundino de Faria Tavares. Ela irmã dos políticos José de Faria Tavares (foi deputado e senador), Dario (também deputado), Carlos (deputado) e Expedito de Faria Tavares (foi inclusive Presidente da Assembleia Legislativa). Aliás, todos os Faria Tavares estudaram e viveram em Patrocínio. Todos da emblemática UDN.
SEM VOTO, SEM CORRUPÇÃO, SEM FESTA – Quando prefeito (antes ou depois) andava a pé no meio da comunidade patrocinense (igreja, compras, etc.) Sem carro, sem saber dirigir. Todavia, de cabeça erguida. Assessor do prefeito Enéas Aguiar (UDN), em 1958-1961. Prefeito nomeado pelo grande udenista Governador Rondon Pacheco (1971-1975). Pois, no Governo Militar, os prefeitos das capitais e estâncias hidrominerais eram nomeados. Patrocínio era considerada “estância hidromineral”, como Araxá e Poços de Caldas.
FONTES – Livro “Caminhos do Cerrado”, escrito pelos patrocinenses José Américo Ribeiro, Eduardo Carvalho Brandão (médico) e Olímpio Garcia Brandão. E a “Primeira Coluna”, deste autor, escrita em outubro/2021, publicada na Gazeta de Patrocínio, RedeHoje e Patrocinioonline.





