Estudo inédito revela aumento alarmante de fake news sobre TEA

Da redação da Rede Hoje

Um estudo inédito conduzido pela Fundação Getulio Vargas (FGV), em parceria com a organização "Autistas Brasil", revelou um crescimento exponencial de 15.000% na desinformação sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) nos últimos cinco anos. O levantamento analisou conteúdos compartilhados em grupos conspiratórios do Telegram em 19 países da América Latina e Caribe. Nesta dia 2, o canal da Rede Hoje traz reportagem vídeo completa sobre o apoio ao autismo em Patrocínio e Minas.

Brasil lidera desinformação sobre autismo no continente

Os dados do estudo indicam que o Brasil é o país que mais dissemina desinformação sobre autismo na América Latina. Das 60 milhões de mensagens analisadas, 46% foram identificadas em comunidades brasileiras. A pesquisa aponta que esses conteúdos falsos atingiram mais de 1,7 milhão de usuários no Brasil e acumularam cerca de 14 milhões de visualizações.

Principais descobertas do estudo

Os pesquisadores do Laboratório de Estudos sobre Desordem Informacional e Políticas Públicas (DesinfoPop/CEAPG/FGV) identificaram que a pandemia da COVID-19 foi um fator determinante para a escalada dessas teorias da conspiração. Durante os anos de 2020 e 2021, o volume de fake news sobre autismo cresceu 635%, consolidando um terreno fértil para a propagação de desinformação nos anos seguintes.

100 milhões de visualizações e impacto regional

O levantamento contabilizou mais de 99 milhões de visualizações de conteúdos conspiratórios sobre o TEA no Telegram, com participação ativa de aproximadamente 4 milhões de usuários. Além do Brasil, os países que mais propagam essas informações falsas são Argentina, México, Venezuela e Colômbia.

150 falsas causas do autismo

Entre as informações falsas identificadas no estudo, os pesquisadores mapearam 150 supostas causas para o autismo, variando de absurdos como o consumo de Doritos e exposição a microondas até alegações de que o autismo seria causado pelo Wi-Fi, 5G, vacinas e até mesmo pela inversão do campo magnético da Terra. Essas desinformações reforçam a necessidade de uma maior fiscalização e conscientização pública.

150 falsas curas do autismo

Outro ponto alarmante do estudo é a descoberta de 150 falsas curas para o autismo, muitas delas potencialmente perigosas para a saúde. Entre os tratamentos fraudulentos mais comuns estão o uso de dióxido de cloro (CDS), também conhecido como “MMS”, além de ozonioterapia, terapia de eletrochoque de Tesla, ingestão de prata coloidal e azul de metileno. Essas práticas são promovidas por grupos que lucram com o desespero de famílias em busca de soluções.

A exploração comercial da desinformação

A monetização dessas informações falsas é um dos fatores que impulsionam sua disseminação. Muitas das falsas curas são vendidas por meio de grupos no Telegram, que exploram o desespero dos familiares de pessoas autistas. Além de promoverem falsas esperanças, esses tratamentos fraudulentos colocam vidas em risco.

Coordenador do estudo alerta sobre "epidemia digital" de mentiras

Para Ergon Cugler, coordenador do estudo e integrante da diretoria da Autistas Brasil, o Brasil se tornou o epicentro latino-americano da desinformação sobre o TEA. Ele classifica esse fenômeno como uma “epidemia digital”, onde grupos exploram o medo e a ignorância para lucrar com teorias absurdas.

A bolha da desinformação e o perigo das seitas digitais

Segundo Cugler, os grupos no Telegram que promovem essas informações falsas operam como "seitas digitais". Misturam pseudociência, teorias da conspiração e espiritualidade para criar uma bolha onde tudo parece fazer sentido internamente, afastando os indivíduos da realidade científica.

Mentiras sobre vacinas e alimentação

Entre os mitos mais prejudiciais está a ideia de que vacinas causam autismo, um boato que já foi amplamente desmentido pela ciência, mas que continua a circular nesses grupos. Também há desinformação sobre a alimentação, sugerindo que determinados alimentos podem "gerar" autismo, o que não tem embasamento científico.

O impacto da desinformação na sociedade

A propagação de fake news sobre o TEA não apenas gera desinformação, mas também reforça preconceitos e dificulta a aceitação e inclusão das pessoas autistas na sociedade. Pais e responsáveis acabam sendo bombardeados com informações erradas, o que pode prejudicar a busca por diagnósticos corretos e intervenções adequadas.

Dia Mundial de Conscientização do Autismo – 2 de abril

O Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado em 2 de abril, é um momento crucial para combater a desinformação e promover o respeito e a inclusão das pessoas no espectro autista. A data foi instituída pela ONU em 2007 e tem o objetivo de sensibilizar a sociedade sobre a importância de políticas públicas eficazes.

Por que 2 de abril é tão importante?

Além de conscientizar sobre os desafios enfrentados pelas pessoas autistas, a data visa incentivar a criação de políticas públicas de inclusão, diagnóstico precoce e acesso a terapias especializadas. Entidades de todo o mundo promovem campanhas para combater o capacitismo e garantir mais direitos às pessoas autistas.

A importância do apoio familiar e social

O apoio de familiares, amigos e da sociedade é essencial para a qualidade de vida das pessoas autistas. O acesso à informação correta sobre o TEA ajuda a combater mitos e favorece um ambiente mais inclusivo. Campanhas como o Abril Azul são fundamentais para reforçar essa conscientização ao longo de todo o ano.

FAQ: Tire suas dúvidas sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA)

O que é o autismo?

O autismo, ou Transtorno do Espectro Autista (TEA), é uma condição neurológica que afeta a comunicação, a interação social e o comportamento, podendo se manifestar de diferentes formas e intensidades.

O autismo tem cura?

Não. O TEA não é uma doença, mas uma condição do neurodesenvolvimento. Embora não tenha cura, terapias e suporte adequado podem ajudar na qualidade de vida das pessoas autistas.

Quais são os sinais do autismo?

Os sinais do TEA variam, mas podem incluir dificuldades na comunicação verbal e não verbal, interesses restritos, hipersensibilidade sensorial e comportamentos repetitivos.

Vacinas causam autismo?

Não. A ideia de que vacinas causam autismo surgiu de um estudo fraudulento publicado em 1998 e já foi amplamente refutada por instituições como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).

Conclusão

O estudo da FGV reforça a necessidade de combater a desinformação e garantir que informações corretas sobre o TEA cheguem às famílias e à sociedade. O Dia Mundial de Conscientização do Autismo é uma oportunidade de reforçar essa luta e promover um ambiente mais inclusivo para todos.


Fonte: TVT News


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