Medida atinge também China (34%), UE (20%), Japão (24%) e outros; Brasil já aprovou lei para retaliar barreiras comerciais.
Coletiva de Trump durante anúncio das tarifas. Foto: Flickr/WhiteHouse
Da redação da Rede Hoje
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (2) uma nova medida que impactará diretamente as relações comerciais do Brasil com os EUA. A partir de agora, todas as importações norte-americanas provenientes do Brasil estarão sujeitas a uma tarifa adicional de 10%. A decisão faz parte de um amplo pacote de retaliações contra países que impõem barreiras comerciais aos produtos americanos, incluindo nações como China, União Europeia e Japão.
Durante coletiva na Casa Branca, Trump detalhou que o cálculo das novas tarifas será baseado nas taxas que cada país aplica sobre mercadorias dos EUA. O presidente afirmou que os Estados Unidos cobrarão cerca de metade do valor que esses países têm exigido em barreiras comerciais. A estratégia foi apresentada como uma forma de equilibrar as relações comerciais, mas especialistas alertam para possíveis efeitos negativos na economia global.
A China aparece como o país mais afetado, com tarifa de 34%, seguida por Japão (24%), Índia (26%) e União Europeia (20%). Nações como Chile, Austrália, Singapura e Reino Unido receberam a mesma taxa do Brasil, de 10%. Trump justificou a decisão como uma medida necessária para proteger a indústria norte-americana, mas evitou impor tarifas equivalentes às cobradas por outros países, classificando sua abordagem como mais moderada.
O anúncio foi batizado por Trump como o "Dia da Libertação", em referência a uma suposta independência econômica dos EUA em relação a práticas comerciais que ele considera desleais. O presidente criticou acordos anteriores, afirmando que os contribuintes americanos foram prejudicados por anos. No entanto, a medida gerou reações imediatas nos mercados financeiros, com temores de uma escalada nas tensões comerciais globais.
A União Europeia já sinalizou que tomará medidas de retaliação
A União Europeia já sinalizou que tomará medidas de retaliação, enquanto analistas preveem que outros países também poderão responder com novas barreiras. O risco de uma guerra comercial ampliada preocupa investidores, que temem impactos negativos no crescimento econômico mundial. O dólar e as bolsas internacionais reagiram com volatilidade após o anúncio.
No Brasil, a resposta foi rápida. Um dia antes do anúncio de Trump, o Senado aprovou em regime de urgência um projeto de lei que autoriza o governo a adotar medidas de retaliação contra países que imponham barreiras comerciais aos produtos brasileiros. A proposta teve amplo apoio no Congresso e foi vista como uma preparação para possíveis tensões com os EUA.Brasil pessimistas com as novas tarifas
Além das tarifas recíprocas, os EUA também passaram a cobrar 25% sobre a importação de carros e produtos que não se enquadrem no USMCA, acordo comercial entre Estados Unidos, México e Canadá. As novas regras devem afetar diretamente setores como o automotivo e o agrícola, aumentando os custos para exportadores brasileiros.
A medida de Trump chega em um momento delicado para a economia global, já afetada por desacelerações e conflitos geopolíticos. Enquanto o governo americano defende a ação como necessária para proteger seus interesses, críticos argumentam que a estratégia pode levar a um ciclo de retaliações prejudiciais a todos os envolvidos. O desfecho dessa disputa comercial ainda é incerto, mas seus efeitos devem ser sentidos nos próximos meses.
Fonte: TVT News