A eleição foi forçada por uma grave crise financeira, dívidas acumuladas de aproximadamente 4 milhões de reais e necessidade de uma reestruturação tanto administrativa quanto esportiva
Crédito foto: divulgação CAP
O torcedor que ver o CAP, como em 2023, quando chegou à oitavas de final do Brasleiro da Série D, contra a Portuguesa-RJ
Por Luiz Antônio Costa | Rede Hoje
O Clube Atlético Patrocinense (CAP), que completou 70 anos em 2024, vive um momento decisivo nesta segunda-feira, 18 de novembro, com a realização de uma eleição crucial para a escolha de sua nova Diretoria Executiva. O clube, que atravessa uma grave crise financeira, acumulando uma dívida de aproximadamente 4 milhões de reais, enfrenta uma reestruturação tanto administrativa quanto esportiva. A eleição ocorrerá na sede do clube, localizada na Avenida Benedito Romão de Melo, em frente à Estação Ferroviária, e será conduzida pelo presidente do Conselho Deliberativo, José Felix.
As expectativas em torno da eleição são grandes, não só pela situação delicada do clube, mas também pela possível entrada de um novo grupo de gestão. Nos bastidores, especula-se que o grupo do ex-presidente Maurício Cunha, atualmente vice-prefeito eleito de Patrocínio, assuma o comando do CAP, como prometido durante a campanha do prefeito Gustavo Brasileiro – que inclusive contou com o apoio da torcida do clube. De acordo com dirigentes que preferiram não se identificar, a candidatura do grupo de Cunha é uma possibilidade concreta, o que gera uma onda de esperança entre torcedores e conselheiros.
A renúncia do atual presidente, Roberto Avatar, o "Tatá", foi uma medida necessária para que as eleições pudessem ser realizadas dentro dos parâmetros exigidos pelo estatuto do clube. Aliás, diga-se: o CAP só não fechou de vez, graças ao Tatá, que investiu dinheiro próprio para manter o time ativo e não sofrer mais punições com um iminente abandono também do Campeonato Brasileiro, Série D, depois de toda a confusão, incluisive com a Polícia Federal. Com sua saída, Tatá abre espaço para a eleição de uma nova liderança, que terá o desafio de tirar o CAP da crise financeira e esportiva. A mudança de comando reflete o momento difícil vivido pelo clube, que, além de uma gestão econômica insustentável, enfrentou uma temporada de resultados abaixo das expectativas em campo.
70º aniversário de crises intermináveis
O CAP chegou ao seu 70º aniversário com um desempenho esportivo decepcionante. Após o rebaixamento para o Módulo II do Campeonato Mineiro, o time também foi eliminado de forma precoce na Série D do Campeonato Brasileiro, sofrendo uma goleada histórica de 6 a 0 para o São José-SP, e amargando a eliminação logo na primeira fase.
Além disso, o clube se envolveu em um escândalo de manipulação de resultados, com investigações da Polícia Federal – que ainda estão em curso -, tendo que depor na CPI da manipulação de resultados do futebol brasileiro, o que abalou ainda mais a sua credibilidade.
Neste cenário de fracasso esportivo e crise financeira, o clube se prepara para a eleição com um clima de incerteza, mas também com a esperança de que a nova diretoria possa recuperar a confiança da torcida e restaurar a imagem do CAP. A principal expectativa é que a futura gestão seja capaz de promover uma reestruturação eficaz, que passe pela transparência financeira e pela renovação da gestão esportiva, com o objetivo de reerguer o time e garantir sua sobrevivência no cenário estadual.
A eleição ocorrerá em duas chamadas: a primeira, às 19h30, exige a presença de pelo menos 50% dos conselheiros mais um, enquanto a segunda chamada, às 20h, será realizada com qualquer número de conselheiros. Com 52 conselheiros aptos a votar e serem votados, o quórum necessário para a escolha do novo presidente é considerado fundamental para o futuro do clube. A presença dos conselheiros será decisiva, não apenas para a legitimidade da eleição, mas também para a definição do caminho a ser seguido pelo CAP.
Dívida
A crise financeira do clube, agravada pela falta de recursos para honrar compromissos com jogadores, fornecedores e outras despesas, é um dos principais obstáculos enfrentados pela atual gestão. As dívidas, que somam em torno de 4 milhões de reais, colocam o clube em uma situação delicada, sem margem para erros. A expectativa é que a nova diretoria consiga atrair novos patrocinadores - e até mesmo transforme em SAF (Sociedade Anônima do Futebol) já autorizada -, investidores e parcerias que possam ajudar a aliviar a carga financeira e, ao mesmo tempo, promover uma reforma administrativa que permita maior controle e eficiência na gestão do clube.
Além das questões financeiras, o CAP também vive um momento de reflexão sobre sua administração esportiva. A eliminação precoce no Campeonato Brasileiro, combinada com o rebaixamento no Mineiro, expôs a fragilidade do time em campo, e a torcida não esconde sua insatisfação.
Torcida
Mas a torcida segue acreditando no Patrocinenense. A reconstrução do time, que só retornará ao Módulo I do Campeonato Mineiro, se em 2025, começar uma restruturação forte, que exige uma estratégia bem definida e uma reformulação no elenco, algo que será papel da nova diretoria a ser eleita.
Maurício Cunha
Foto: Difusora95A entrada do grupo de Maurício Cunha no comando do CAP, caso se confirme, é vista como uma chance de revitalização para o clube. Cunha, ex-presidente vitorioso do Patrocinense, é reconhecido pelo seu trabalho no passado e por sua ligação com a cidade e a comunidade esportiva. Sua experiência na gestão do clube, aliada à sua nova posição política como vice-prefeito, pode representar uma vantagem para atrair recursos e garantir a estabilidade financeira e administrativa do clube.
A noite de segunda-feira será um marco importante para o futuro do Clube Atlético Patrocinense. Os conselheiros terão nas mãos a decisão de escolher a nova liderança capaz de tirar o CAP da crise e garantir um novo ciclo de sucesso para o time. Embora o cenário seja desafiador, a eleição representa uma oportunidade de redenção para o clube e para a torcida, que espera ansiosamente por um futuro mais promissor após um ano marcado por decepções.
Ano para esquecer?
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Ao longo deste ano de 2024, de celebração pelos 70 anos do clube, o CAP teve que lidar com uma série de desafios, desde dificuldades financeiras até a necessidade de repensar sua administração. Em diversos momentos, a torcida e a comunidade esportiva da cidade demonstraram apoio ao time, mas também cobraram maior transparência e eficiência na gestão. A crise se acentuou com o aumento das dívidas, decisões administrativas nada convencionais e a dificuldade em honrar compromissos com fornecedores e jogadores, o que gerou um clima de tensão entre os torcedores e conselheiros.
Além das dificuldades financeiras, o CAP também enfrentou desafios dentro de campo. O time teve uma temporada de resultados abaixo das expectativas, o que gerou ainda mais pressão sobre a atual gestão.
Incerto
O clima que antecede a eleição é de incerteza, mas também de esperança de que uma nova direção possa reverter o quadro. Entre os conselheiros, circulam diferentes propostas de como o clube pode se reerguer financeira e esportivamente. A principal expectativa é que a nova diretoria consiga sanear as finanças e também estabelecer uma política de maior transparência e gestão compartilhada, com maior participação da torcida e da comunidade nas decisões do clube.
A eleição também marca um momento de renovação para o CAP, que, após 70 anos de história, se vê diante da necessidade de adaptação aos novos tempos. Muitos esperam que a nova gestão possa implementar uma estratégia mais moderna, capaz de atrair novos investidores e patrocinadores, além de recuperar a confiança da torcida e estabilizar a situação financeira do clube.
É chegada a hora do Módulo II
Em meio a essa transição, o futuro do CAP dependerá das decisões tomadas nesta eleição e da capacidade da nova diretoria em lidar com os inúmeros desafios que surgem à frente. A ida ao Módulo II em 2025, pode ser a chave de virada do Patrocinense que nunca teve tranquilidade desde 1985, quando disputou a Terceira Divisão – que foi criada por causa do clube (leia no livro “CAP: A História de Um Paixão Grená”) -, sempre vivendo em crises menores, como é comum a todo e qualquer clube do interior. Com a pressão por resultados e a expectativa de um novo ciclo, os próximos passos do clube podem ser determinantes para garantir sua sobrevivência e sucesso nos próximos anos.
A noite de segunda-feira, portanto, será um momento decisivo para o CAP, em que os conselheiros terão o poder de escolher uma nova liderança capaz de reconstruir o clube e preparar o terreno para os próximos 70 anos de história. Com a eleição, o time busca a recuperação financeira, o fortalecimento de sua identidade e a retomada de sua relevância no cenário esportivo estadual.