Ipiranga em 1954.
Destaques: Blair (goleiro) e Rondes no meio exato. Havia cinco profissionais (de fora), inclusive o técnico.
Sport Club Patrocínio, campeão, uma versão do CAP.
Destaques: Peroba, Carmo e Kleber Guarda no meio. E, Ratinho (pai da atriz Patrícia Naves), primeiro dos quatro últimos com a camisa alvinegra e estrela solitária.
Convite da Solenidade do CAP campeão municipal, provisoriamente com o nome de Sport Club Patrocínio, na Rádio Difusora (Praça Honorato Borges).
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Toniquinha Lemos Borges (anos 40)
Histórica. Patrocínio perdeu uma pessoa assim. Dia 05 de fevereiro (sábado), à tarde, Toniquinha Lemos Borges Rodrigues, aos 97 anos, em sua longeva residência, à Rua Presidente Vargas, partiu para a vida eterna. Deixou, filhas (Brigida, Lucélia, Rosângela e Maria Hipólita), netos e sinceras amizades. Deixou carinho, amor a Patrocínio, ensinamentos e informações para a história patrocinense. Em homenagem à professora Toniquinha Borges, reviver um pouco os anos 30, 40 e 50, na sua literária visão, é apresentar a bucólica cidade da maneira que apenas ela soube fazê-la.
TRADICIONAL FAMÍLIA – Dona Toniquinha (Antônia Lemos Borges), viúva de empresário (que ditou a moda masculina em Patrocínio) Pedro Rodrigues Pereira. Última neta viva do maior líder político do Município do começo no século XX até o final dos anos 20, Honorato Borges. Ou coronel Honorato Martins Borges. Toniquinha também era prima em primeiro grau do ex-prefeito Enéas Aguiar (UDN) e de Júlio Aguiar. Sobrinha do coronel João Cândido de Aguiar. Nomes que os patrocinenses escutam e falam a todo instante. Suas irmãs se destacavam na Escola Honorato Borges (Prof. Clérida foi diretora e professora Célia, inesquecível mestra), nos anos dourados.
OS PRIMEIROS MOTORISTAS – Zaca Botelho, também primeira miss Patrocínio, foi a primeira “chofer” (motorista) da cidade (anos 30). Já os primeiros “choferes de praça” (taxistas) foram Milton Marques (ex-chofer de Honorato Borges), João de Deus (“dirigindo quase parando”), Júlio Pinto, Armando Santos, Emídio Santos (o “Patinho), João Comprido, Luiz Capuano (marido da prof. Lirinha), Fiínho Amaral e Eduardo..., segundo esse depoimento escrito da professora Toniquinha, em “Recordar é Viver”.
RIGOR NA ESCOLA – O Colégio N. S. do Patrocínio, em 1938, obrigava às meninas-moças a usarem uniformes limpos, passados e impecáveis. O Ginásio Dom Lustosa também. E, segundo Toniquinha, ex-aluna, não podia entrar na escola com cabelos “topete”, ou seja, para cima. Nem unhas grandes, nem com esmalte. Para se ter ideia do “conservadorismo” do Colégio, naquele ano (1938), a turma do 3º ano (Normal) fez excursão a Belo Horizonte, pelo trem de passageiros. Ao retornar, cinco estudantes voltaram com “permanente” nos cabelos, bem moderninho para a época. Consequência: foram expulsas da escola por uma semana.
LOJAS INESQUECÍVEIS – Casa Facury (Av. Rui Barbosa), Casa Mansur (Praça Santa Luzia), Casa da Ginuca (Rua Governador Valadares), Sêda Bela (de Mário Guimarães), Casa Stela (de Joaquim Dias), Casa São Paulo (do libanês Chucre), Casa Libaneza (do Jamal, praça Santa Luzia), Loja Moisés (de Maria Moisés), Casa Daura (de José Daura), Dragão das Louças (de Zico Mansur), Casa dos Calçados (Av. Rui Barbosa, do Abrahão), Casa do Tuniquinho (Av. Rui Barbosa), Casas Manuel Nunes (Rua Gov. Valadares), A Patrocinense (de Lázaro Caixeta), Bandeira Vermelha, Casa Armênia (de Demostenes Amaral, Praça Santa Luzia) e mais outras lojas indeléveis na memória de Patrocínio. Hoje, são somente retratos na parede. Bem amarelados. Ou, existem apenas na saudade. De uma Patrocínio rural e fraternal, onde todos conheciam todos. Como se observa nessa listagem, grande parte do comércio patrocinense pertencia a gente do Líbano ou de seus descendentes.
PRIMEIRAS PAPELARIAS – A pertencente ao Sr. Alfredo Borges, na Praça Honorato Borges com Rua Governador Valadares (posteriormente, foi a Sapataria do Bebem), foi a papelaria pioneira. Conforme Toniquinha Borges, a segunda papelaria localizou-se atrás do Grupo Escolar Honorato Borges. Pertenceu a Raul Chaves.
MAIS REVELAÇÕES – Padres Holandeses tinham “sinuca” no Dom Lustosa para se divertirem (inclusive na época do padre Eustáquio, residindo no ginásio). XXXX Alunos da Escola Honorato Borges (primário) para se formarem, aos dez anos de idade, tinham provas orais, com examinadores de outras cidades, além das provas escritas. XXXX Para viajar pelo trem de 1ª classe, usava-se chapéu, boina e guarda-pó (capa fina). XXXX O primeiro hotel de Patrocínio foi o Hotel Avenida, na Praça Santa Luzia (pista da Rua Cel. João Cândido), nos anos 30. O Hotel Santa Luzia foi o 2º, nos 40. XXXX Havia dentistas “práticos” como o Sr. Modesto Silveira e Lázaro Caixeta, chamados de “artistas das próteses”. XXXX Vinho “Generoso”, foi fabricado por José Olímpio Arantes, com uvas colhidas em seu quintal (região da antiga cadeia, próximo ao Dom Lustosa). XXXX E... tantas outras coisas testemunhadas pela memorável Dona Toniquinha.
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“Tributos”. Se assim podem ser qualificadas determinadas modalidades fiscais. Há alguns significativos, mas de menor conhecimento público. A CFEM é uma dessas modalidades. Na verdade, é a contrapartida financeira que uma mineradora paga aos Municípios, Estados e União pela exploração econômica de minerais em seus territórios. CFEM é a sigla de Compensação Financeira pela Exploração Mineral, criada pela Constituição de 1988. Para se ter ideia, apenas a exploração de fosfato em Salitre permitiu que a Prefeitura recebesse mais de R$ 10 milhões em 2021. A de Serra do Salitre recebeu quase R$ 5 milhões. Já Araxá recebeu R$ 12 milhões só referente ao pirocloro (de onde vem o nióbio). Há outros minerais que geram CFEM para Patrocínio e outras cidades mineiras. Pois, a CFEM em termos de todos os municípios de Minas Gerais gerou em 2021 R$ 2,3 bilhões. Muito dinheiro, na verdade. O conhecimento de pormenores e do ranking é saudável tê-lo. Sobretudo, porque Patrocínio é um neófito município minerador. E recebe algo por isso.
Foto de Евгения Егорова | Pexels
OS MINERAIS QUE COLABORAM COM O MUNICÍPIO – Durante 2021, a exploração de água mineral canalizou R$ 9 mil para os cofres municipais pela CFEM. Muito pouco, considerando a qualidade das águas Serra Negra. Para se ter referência, São Lourenço recebeu R$ 635 mil, e, Caxambu R$ 25 mil. O quartizito patrocinense contribuiu com R$ 21 mil para a arrecadação municipal, que também é pouco (quartzito é destinado a telhados). As areias marcam apenas presença, com quase R$ 4 mil em 2021. Porém, o fosfato é o grande destaque: a CFEM gerada por ele ultrapassa R$ 10, 25 milhões. Ou seja, R$ 10.252.872,00. Em poucas palavras, a CFEM de Patrocínio é gerada quase pela totalidade devido ao fosfato de Salitre.
O FOSFATO EM MINAS – A CFEM de todos os municípios mineiros no que se refere a apenas ao fosfato totalizou R$ 29 milhões. Desse total, Tapira recebeu R$ 12,3 milhões, Patrocínio R$ 10,3 milhões, Serra do Salitre R$ 4,5 milhões. E os restantes R$ 2 milhões para os demais municípios que possuem fosfato. Inclusive Patos de Minas, que somente recebeu R$ 180 mil de CFEM concernente ao fosfato (com Rochinha e tudo).
AS MAIORES CFEM’S DO TRIÂNGULO/NOROESTE – Paracatu recebeu em 2021 R$ 84,2 milhões, Vazante R$ 9,8 milhões, Patrocínio R$ 10,3 milhões, Araxá R$ 13,1 milhões, Tapira R$ 12,3 milhões e Coromandel (com diamante e calcário) R$ 1,2 milhão. Esses são os municípios da região que mais receberam CFEM. Todavia, se comparar com a Itabira de Carlos Drumond de Andrade (R$ 395 milhões), Itabirito de Telê Santana (R$ 523 milhões), Nova Lima do Vila Nova E.C. (R$ 324 milhões), Congonhas do Aleijadinho (R$ 570 milhões), Ouro Preto (R$ 68 milhões), Brumadinho, o palco da tragédia da Vale (R$ 165 milhões), e outros municípios, a CFEM do Triângulo/Noroeste é pífia. Pequena mesmo! Pois, onde há exploração de minério de ferro a CFEM é de muita expressão. E muito elevada.
DISTRIBUIÇÃO E APLICAÇÃO DA CFEM – A arrecadação paga pelas mineradoras (alíquota de 2%) é destinada 65% do total para o Município produtor do mineral, 23% para o Estado de Minas e 12% à União. Os recursos devem ser aplicados em saúde, educação, meio ambiente e infraestrutura. Portanto, tudo a ver com a destruição deixada pela mineração. Daí, a função da CFEM é mitigar, restaurar um pouco, o consequente cenário da retirada do minério.
O TAMANHO DA “CRIANÇA” – Em 2021, a operação do fosfato em Salitre foi de R$ 503,5 milhões, média de mais de R$ 40 milhões por mês. É desse montante expressivo que saiu somente R$ 10,3 milhões de CFEM para a Prefeitura. Exatamente 2,03%. Em Minas, maior do que Salitre, apenas Tapira. Aliás, os dois municípios são os maiores do Brasil, quanto ao fosfato. O terceiro é Ouvidor-GO e o quarto, Serra do Salitre.
UM RETRATO DE JANEIRO DE 2022 – A empresa Mosaic Fertilizantes é a maior do Brasil. Só ela recolheu quase R$ 3 milhões de CFEM em janeiro agora. Com chuva e todos os problemas da época. Desses R$ 3 milhões, Patrocínio recebeu (quase) R$ 1 milhão. Um terço, portanto. Isso em cima da operação na exploração em Salitre de (quase) R$ 50 milhões (só nesse mês de janeiro). Precisamente, uma atividade econômica de R$ 48.536.084,00, em Salitre (janeiro/2022).
POR FIM – Exploração mineral SIM. Preservação do meio ambiente, mesmo com recomposição, SIM também. Saúde plena da população no entorno, SIM, da mesma forma. Para tanto, para o necessário equilíbrio, a CFEM de Patrocínio não parece suficiente. A alíquota de 2% sobre a produção mineral é parca.
(Fonte básica: Agência Nacional de Mineração–ANM)
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