Tipo assim: Amo, Palavras. "Serendipidade" e "flanar", andam comigo sempre nas caminhadas que faço com os pés e a mente.
 
É voce andando com leveza por ai descobrindo preciosidades. Ponto.
"Palavra puxa palavra" - diz Machado de Assis- "uma ideia traz outra, e assim se faz um livro, um governo, ou uma revolução, alguns dizem que assim é que a natureza compôs as suas espécies."
 
Uma crônica despretensiosa também nasce assim deabulantezinha, de cena em cena...
Olha o céu azul de Patrocínio! "Azul - perdão" me lembrei de Manuel de Barros. A cor azul, significa fé, espiritualidade, paz, e tranquilidade. Recebo tudo isto sobre a minha cidade.
Que tal flanar pelos lados do Hospital de Amor, em construção?. Antão venha com migo. Ou sem migo se quiser.
 
Sigo pela Avenida Pedro Marra. E agora que entendi por que alguns chamam essa via de Avenida dos Bálsamos. É que lá estão duas placas próximas. Avenida Pedro Marra. E Bálsamos. Mas, do lado do Jardim Vitória ( Bairro do triunfante e vitorioso, José Maria Portilho, vencendo um câncer) é Avenida Pedro Marra, nome do saudoso Avô do atual prefeito. Avenida dos Bálsamos, Morada Nova, só até o balão. 


 
É por lá, rua Dr Deiró Marra, homônimo do prefeito, este, salvo engano, um renomado tio do atual gestor. Sabe como é esse negócio de homenagens. Quem está no poder tem estas e outras prerrogativas. É quando correligionários e políticos da família, da vez, tem precedência. Depois vem outros, outra obras, outras homenagens afetivas.
 
Meu, e estas rampas de acessibilidade. Onde um cadeirante e alguém com mobilidade reduzida, vai mesmo? Bater com a cara no poste da cerca de arame? ( não é trabalho do Dr Danilo Pereira, isto eu garanto ) Espalhadas pelos bairros da cidade, estão estas rampas sem a mínima noção, equipamentos sem a menor funcionalidade. Dinheiro público desperdiçado.



Empaticamente me vi numa cadeira de rodas, tentando andar nas calçadas da cidade. Ou.. Impossível. Uma  cidade não foi feita para todos.
Com essa cultura dá pra notar que a vida de quem é deficiente já não é fácil e não falta quem dificulta o máximo. Exemplo?
 

Quem não soube. Um jovem atleta mineiro, conhecido como Flavinho, foi impedido de entrar no tatame no campeonato sul- americano de Karatê. (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

Foi desclassificado da disputa por ter a mão amputada. Mas o jovem tinha chegado até ali preparado pra isto. Ele que luta ( e vence) desde os 07 anos. Em 2019, quando a competição ocorria na Bolívia, em Santa Cruz de La Sierra, Flavinho obteve o 3º lugar. Havia vencido a seletiva no Brasil.  Pelo visto, mais do que um lutador comum, vai ter de ser muito forte para lutar contra grandes adversários e um terrível inimigo: O preconceito.


Espere ai...E esse solitário barraco de lona azul sendo erguido contrastando com o cenário por ali..


 
Lá está um senhor de certa idade tentando abrigar seus parcos pertences num casebre improvisado e ainda a ser erguido antes da noite.
Seguro meu ímpeto de aborda- lo. Certamente ele está constrangido, humilhado e mais um curioso é tudo que ele não quer ali por perto.
 
Venta muito. Aquilo chicoteia minha 'lma. Machuca meu olhar. É tocante ver uma pessoa que chegando ao entardecer da existência tem de lutar por teto, por pão e por dignidade. Certamente não era um "cidadão em situação de rua", mas pelo visto passa a ser. Com certeza vou perder o sono nesta madrugada e meu primeiro pensamento e prece vai ser pra ele.
" Ele não aguentou pagar aluguel" alguém por ali me revelou sem eu perguntar. Espero que ele seja amparado, não despejado pelo poder público. Há pessoas solidárias em nosso meio.. Volto pra acompanhar o caso.



 
Ops! Livro no lixo é comigo mesmo. Vou lendo, o título e o prefácio, querendo identificar o autor, a classificação, a editora. " O último Convite", um livro da doutrina Adventista do Sétimo Dia. Se o joguei fora? Não, levei pra casa. Vai ser lido e guardado no meu modesto acervo.
Tesouro no lixo. Já disse por aqui que conheci a extraordinária vida de Nísia Floresta, através de um livro que encontrei no lixo.
Uma vez em casa, o ritual anticovid. Devidamente esterilizado por Solange. " O Último Convite" não foi o primeiro, nem será o último.
 



Estou diante do Hospital de Câncer de Patrocínio- Hospital de Amor. Veja a robusta espinha dorsal daquilo que era um sonho.
Mas, excepcionalmente hoje, não vou enaltecer a diretoria, e as pessoas envolvidas na edificação desta monumental obra- isto deve ser feito sempre, sempre, sempre...mas outro dia..
 
Lá tem um Cachorrinho Preto. Um simples vira- lata. (acho que mais de um) mas fecha nele, por favor.
Provavelmente seja de um zelador que mora por lá.
Geente! Nos dias úteis, com os operários trampando na obra, ele é discreto, pode nem ser visto. Pasmacento acompanha todo movimento em uma sombra qualquer. Mas nos finais de semana, é a vez dele. Se transforma em guardador daquela obra. Só falta crachá e uniforme. Defende aquele espaço com unhas e dentes.
Quem o contratou para este trabalho? Quem designou a ele a tão nobre missão?
Um dia, por exemplo, estava lá e por coincidência, passou uma tropa de cavalos, uns dez, miguezando por ali, parecendo querer roubar alguma coisa, ele se agigantou e pos todos para correrem do local.
 
Parece saber que ali será erguido um monumento que vai salvar vidas. Mesmo sabendo que não terá seu trabalho lembrado ou reconhecido por ninguém, o anônimo guardinha, faz "a sua parte" com dedicação, senso de responsabilidade e bravura.
 
Passo diante do nova unidade de saúde que foi inaugurada na Sexta- Feira (29/04). Não tem como não pensar na exitosa gestão Deiró. No próximo pleito, se seus adversários vierem com discursos, frases feitas, vão levar lapada feia nas urnas. Dom Deirozão, tem obras e obras feitas pra mostrar.
 
É um elogio sim.. Mas, sei que ele não leu até aqui. Se apareceu alguma crítica no preâmbulo desta crônica ele encerrou por lá a leitura. Aliás, alguém já viu o tanto que secretários e assessores elogiam a administração em público. Dá impressão que o alcaide cobra isto. O homem é bom mesmo. É fera. Fodástico. Mas a coruja "gabando tôco" não pode exagerar tanto. É feio. É incenso demais. É babaovismo.
 
A última foto um flagrante que me fez pensar, que nem tudo está perdido. Ao fazer a calçada no entorno do complexo inaugurado, o pessoal salvou quatro árvores que já estavam plantadas ali onde passará o passeio.




Serendipidade! Eles vão fazer a calçada, salvando as árvores...Isto em Patrocínio é uma evolução a celebrar..

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E POR QUE MARIA APARECIDA PALUCCI, AINDA NÃO É RECONHECIDA COMO SECRETÁRIA DE CULTURA..





Ela não precisa provar mas nada a ninguém sobre sua competência, habilidade, bom caráter, sensibilidade, carisma e simpatia.
 
Dois anos e lá vai pedrada, quando Eliane Nunes se licenciou para disputar uma vaga na Câmara Municipal, sendo, por sinal, bem sucedida, ela assumiu o cargo de Coordenadora da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo. Falo de: MARIA APARECIDA PALUCCI - A CIDINHA DA CULTURA.
 
Com forte laço de amizade com a vereadora Eliane, deu sempre sequência e esteve sempre alinhada com os bons programas e propostas efetivadas pela ex-secretária. Portanto, infere-se que a parlamentar também aprove e apoie a ideia.
 
15 anos de Patrocínio, Cidinha abraçou a causa da cultura com rara desenvoltura, já recebeu o Título de Cidadã Patrocinense, atua firme como secretária, mas ainda é conhecida, apenas como coordenadora da secretaria. Sequer tem seu nome e sua foto ao lado do staff organizacional lá no portal da prefeitura.
 
Sabe-se que se trata de uma pasta com baixa dotação orçamentária, cuidando da Cultura e do Turismo e suas variações, o que exige muita criatividade e habilidade executiva, para manter girando um monte de pratos.
Senão vejamos.
 
Tem de acudir em tempo hábil a Corporação Musical Abel Ferreira; a Biblioteca Pública Municipal Idalides Paulina de Souza; o Conservatório Municipal de Música Dr. José Figueiredo; a Escola Municipal de Arte Irene Marra; o CEU das Artes; o Museu Histórico Municipal Professor Hugo Machado da Silveira; a Academia Patrocinense de Letras e Ponto de Cultura e Turismo Professora Maria Soares.
 
Palucci e sua brilhante equipe gira estes pratos e outros mais, com arte e maestria.
Portanto e por tanto: SECRETÁRIA Municipal de Cultura e Turismo: MARIA APARECIDA PALUCCI.
Cidinha já fez por merecer.
 
 

O mundo ocidental assistiu ,estarrecido, ao início da guerra na Ucrânia. Como pode em pleno século XXI uma guerra na Eurásia? Toda guerra é uma estupidez e decorre da rivalidade entre povos, ou do interesse em ampliar o poder de nações. No caso da Rússia não é diferente. As grandes potências sempre invadiram países e territórios para ampliar seu poder. Na antiguidade, Roma invadiu e destruiu Cartago, que era um empecilho à expansão do Império Romano. Mais recentemente, os Estados Unidos invadiram o Iraque, o Afeganistão, sendo que esta último há havia sido ocupado pela Rússia durante vinte anos. Nem Rússia, nem Estados Unidos conseguiram subjugar aquele povo.

Na Ucrânia, a peculiaridade é que o presidente não é um político, é um comediante. Conhecemos a fascínio e a influência que as mídias, especialmente a televisão, e as redes sociais exercem sobre as pessoas e se tornam um trampolim para a política. Pessoas sem nenhuma noção de política se elegem associando sua popularidade aos apelos da mídia. Romário e Tiririca são ótimos exemplos. Nada entendiam de política e chegaram aos altos cargos da vida pública: senador e deputado federal. Estes, pelo menos, foram e são bons políticos, sem nenhuma intenção de alçarem voos maiores.

Tomemos, agora, os deputados Daniel Silveira e Mamãe falei. Não têm nenhuma aptidão e noção de política, são broncos, sem cultura e, o que é pior, se julgam o máximo na política, fazendo todo tido de besteiras até serem cassados.

No Chile, uma pessoa muito nova foi eleita presidente. Não é político, vem das fileiras de protesto e da oposição. Todos estão curiosos, pagando para ver, o que vai acontecer com aquele país.

Como se coloca o comediante-presidente da Ucrânia? Como pode desafiar uma nação poderosa como a Rússia, com a qual faz fronteira e tem na língua russa a segunda língua de seu país? Será que imaginou que a Rússia não os atacaria?. Não avaliou as consequências de uma guerra para seu país? Não calculou a destruição que a guerra causaria? Acredito que não. Falta-lhe visão política, não tem nem mesmo noção de geopolítica. Obviamente, conhecia o poder militar da Rússia, mas, certamente, a falta de visão fez com que avaliasse mal as intenções da Rússia e consequências do enfrentamento.

E se seu concorrente, que era um político experiente, tivesse ganhado as eleições na Ucrânia? Teria estourado esta guerra? Não teria. Um político experiente teria avaliado de forma diferente um enfrentamento com a Rússia. Teria avaliado melhor as consequências da guerra e não agiria como bom-mocinho. Afastaria da OTAN em benefício de seu país.

Segundo maior país da Europa em extensão territorial, grande produtor e exportador de alimentos, muito industrializado, se vê, agora, arrasado por uma guerra insana que seu presidente, certamente, poderia ter evitado.

Enquanto a exposição na mídia e nas redes sociais forem o caminho para as pessoas se lançaram na política, estaremos sujeitos a pessoas desastrosas ocupando os cargos mais altos de um país, com prejuízo para a nação inteira.

Homenagem. É o que merece o ilustre e culto advogado Wilson Fernandes Veloso, falecido dia 11/4 (segunda-feira), aos 95 anos. Referenciando à sua memória, em poucas linhas, algumas palavras de sua autoria e a sua dedicação a outro patrocinense, de projeção nacional, homenageado por ele (Dr. Wilson): Oswaldo Pieruccetti (falecido, em BH, no dia 26/01/1990).

ELO ENTRE OS DOIS – Wilson Veloso, dentre os êxitos alcançados em sua existência, foi presidente do Instituto Oswaldo Pieruccetti, sediado em Araguari. Pois, Oswaldo foi prefeito daquele município (1948/1950), onde também se casou (com D. Eleonora de Carvalho). No livro “Oswaldo Pieruccetti, Vocação Para Servir”, Wilson fez a apresentação da obra literária. Escreveu: “...a vida de Oswaldo constitui, por inteiro e na sua feição mais consistente, um candelabro a marcar rumos a quantos almejam exercer, com dignidade, com honradez e com moderação, o exercício de uma profissão, trilhar os caminhos da atividade política ou peregrinar nas veredas da vida pública...” Na verdade, bela lição para os políticos da atualidade. Seria louvável se algum deles lesse o livro, escrito pelo acadêmico mineiro José Bento T. de Salles.

QUEM ERAM – Ambos udenistas. Ou seja, integrantes da União Democrática Nacional (UDN), sério partido político existente entre 1946 a 1964. Oswaldo, filho do italiano Adolpho Pieruccetti e da patrocinense Clotilde Mota. Nasceu na Praça da Matriz, lendário Hotel Globo, de propriedade de seus pais. Estudou no Grupo Escolar Honorato Borges (então, também na Praça da Matriz). Aos 15 anos de idade, pelo trem, dirigiu-se a Belo Horizonte para estudar, onde concluiu, com brilhantismo, o curso de Direito. No seu currículo é registrado a eleição para deputado estadual (1950, 1954 e 1958), coordenador das campanhas vitoriosas do governador Magalhães Pinto (UDN) e presidente da República Jânio Quadros, prefeito de BH por duas vezes, presidente da Siderúrgica Acesita e ocupante de diversos outros cargos públicos. Segundo Milton Magalhães, Wilson Veloso, além de renomado advogado, foi pecuarista, empresário, articulista da Gazeta de Patrocínio e também profissional de sucesso em Lavras, Belo Horizonte, Araguari e Brasília.

PALAVRAS CREPUSCULARES – Em novembro/2020, Dr. Wilson, direto da Fazenda Vereda dos Palmares, ofertando exemplar do referido livro, anotou no mesmo: “Ao amigo Eustáquio Amaral, ícone virtuoso do nosso jornalismo rangeliano e cultor de nossa história, aqui vai um precioso “retalho” de nossa colcha ontológica, que o tempo teceu.

Com admiração e especial apreço do leitor, Wilson Veloso.” Três meses depois (fevereiro de 2021), enfatizou ao telefone: “... você já recebeu o livro?” E Patrocínio desfilou na conversa agradável por 15 a 20 minutos. Assim, terminou a inimaginável despedida. Por tudo, gratidão a Wilson Fernandes Veloso. Eterno marco patrocinense. Na convivência e na política. Assim foi. Assim seja no exemplo para todos.

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ESTAMOS VENCENDO…


"BOLETIM COVID-19 NÃO MOSTRA REGISTROS DE CASOS SUSPEITOS E NEM ATIVOS"- Está lá no Site Maisumoline do Zeloi:
"Na Santa Casa, tanto os 21 leitos da enfermaria quanto os 10 leitos da UTI Covid estão vagos.
No Hospital MedCenter, tanto os 8 leitos disponíveis na enfermaria quanto os 4 leitos disponíveis na UTI Covid-19 estão vagos.
No setor de internação do Pronto Socorro Municipal, tanto os 16 leitos da ‘urgência’ quanto todos os 14 leitos da ‘emergência’ estão vagos."..
ESTAMOS VENCENDO...
Isto me traz um sentimento conflitante. Minha 'lma quer gritar: Huhu! Chupa corona! Estamos vencendo uma peste global! Que bom! Que maravilha! Que extraordinário! Que magnífico! Que Fantástico!...
ESTAMOS VENCENDO...
Mas em meu coração a celebração se empalidece, o luto ainda não saiu. Minha alegria é tímida, meu júbilo é contido. Tem tonalidade triste.
O horror que presenciamos ainda é recente. Por tanto, não vou pra galera...
ESTAMOS VENCENDO...
Mas tenho presente que tive medo de morrer, me cuidei, mas tive muito mais medo de perder as pessoas que amo. E perdi. Perdi um tio e muitos amigos...( Um deles foi Rondes Machado)
ESTAMOS VENCENDO...
Hoje no Supermercado Bernardão, encontrei com o radialista, narrador esportivo, amigo, Luiz Oliveira Cruz- O Luizinho da Difusora. Pedi se poderia lhe dar um abraço. Explico: Ele foi uma das últimas pessoas que abracei, nesse mesmo supermercado, acabavam de anunciar o isolamento, o distanciamento social, a proibição de se abraçar. Depois daquele abraço, fiquei constrangido, a consciência me pesou muito. Era como se tivesse cometido um crime hediondo.
Hoje, graças a Deus, pude lhe abraçar sem culpa... (Como é bom abraçar um amigo)
ESTAMOS VENCENDO...
Do meu lado continuo precavido, ressabiado, cuidadoso... A Fenacafé contabilizou um público de 131 mil pessoas nos cinco dias de festa. Ainda bem que a maioria não pensa como eu. Absolutamente nada contra a festividade. 180 anos do nosso Doce Colo de Minas, foi comemorado com reponsabilidade...Mas, não estive lá.
ESTAMOS VENCENDO...
A imagem desse homem, dando o primeiro passo depois do abismo me cai bem. É assim que me sinto. Um abismo ainda está no meu calcanhar..
ESTAMOS VENCENDO...
Mas ainda não quero festa. Não há foguetes. Mantenho bandeiras a meio pau. Ausências ainda me fere. Tantos se foram. Eu fiquei é verdade, por um propósito superior, que não alcanço, por habitar nas franjas dos mistérios. Mas preciso confessar. Que ainda estou por aqui, mas não me sinto melhor do que os que partiram. Não me sinto nenhum "filhinho do papai da céu". Não sou privilegiado. Escolhido. Apenas ainda estou por aqui... Meu consolo: Eles foram para um lugar melhor...


ESTAMOS VENCENDO...
Mas aquela sentença pesada, não pode ser esquecida:
"NÃO HAVERÁ VELÓRIO"...Aqui, com essa sentença, o assassino ultrapassou todos os limites. Adeus ao longe, onde já se viu. Era uma espécie de morte clandestina.. Do hospital, muitos foram levados para para a eternidade. Ou, velórios restritos, horas contadas, urnas lacradas, choro abafados pelas máscaras, sem o afeto dos abraços para consolar..


ESTAMOS VENCENDO...
É só o primeiro passo, nos afastando do abismo...Não é lugar de dançar.
RÁ! Mas tem uma coisa que covid covarde e o inferno todo não conseguirá APAGAR DOS NOSSOS CORAÇÕES O LEGADO DE BOAS LEMBRANÇAS QUE ELES NOS DEIXARAM...
( Fiz um dia essa colagem de foto, homenageando a todos.. pensando que eu poderia estar entre eles)
ESTAMOS VENCENDO...
ELES TAMBÉM VENCERAM...E ESTÃO MELHORES DO QUE NÓS...
Vou caminhar e me reconstruir pensando assim...

PALAVRAS MÁGICAS


É tempo de respeitar o outro e seu espaço. Tem uma tecla que vou bater sempre, sempre: Palavras mágicas. Cadê ?. Vejo que a gente de nossa sociedade anda tão entalacrada em si mesma. Tão enrustida em seus próprios interesses e em busca de seus direitos adquiridos, que não é exagero afirmar que estamos diante de uma geração de mau educados, estressados; por consequência, mau agradecidos e incivilizados. Deus Santo! Como tem gente grosseira, rude, seca, rígida, xucra, ríspida, fanática, boçal, áspera, turrenta, bruta, ignorante, truculenta... violenta. E gente culta, fina, que coleciona diplomas, frequenta igreja e fala de amor. Gente que por qualquer dá-cá-lá- aquela – palha, já está de cara feia, pronta para o coice, para patada no peito, para a garra na garganta, para o assédio moral, para o vídeo na Web, para o ato na rua, para o processo na justiça... para o dedo no gatilho... Olha o estrago que o esse estilo de vida tem feito. As pessoas estão perdendo a expressividade da alma; a doçura da cortesia; a beleza da afetividade; a riqueza no trato diário. VOU MAIS: Cadê o bom senso gente! Cadê a faculdade de apreciar, julgar com entendimento, com juízo, com tino, com siso, com discrição, com discernimento, com isenção, com imparcialidade ... com justiça. Por que tudo tem que se desembocar nas barras dos tribunais? Na cadeia?... No cemitério? Ora! Vamos desarmar os espíritos, gente! Resgatar a arte dos bons relacionamentos; a política da boa vizinhança; o entendimento entre os partes. E quem está falando em religião aqui? Quem? Estamos falando em convivência em sociedade. Em relacionamento humano. Em sociabilidade. Em respeito mútuo. Em se colocar no lugar do outro. OUVIR OS DOIS LADOS. Os dois. Não se ouve mais os dois lados. Duas, tres, palavras e lá vem a etiqueta na testa, a sentença irrevogável, a condenação eterna. Não sei o que fazer, mas sugiro que retiremos os extremos, os excessos e absurdos que vão se tornando prática normal na sociedade . Retire a poeira de cima das palavras mágicas, que tal usá-las em nosso cotidiano? Vamos lá, 3,2,1, ensaiando: Por favor! Muito obrigado!, Desculpe-me!, Perdoe-me!, Bom Dia!, Boa Tarde!, Vá com Deus!. E sorria, gente! Sorria, sem moderação!

OLHAR COM OLHOS DE VER...



E COMO adoro saber DISSO: A vida tem sempre outros sons, outras cores, outras texturas, outros sabores, outras palavras, outros sorrisos, outros caminhos, outras chegadas, outras saídas, outras pessoas, outros horizontes, outros dias melhores... Abaixo, portanto a estupidez humana! Ninguém tem de viver feito uma vespa maluca, dando pregadas uns nos outros, querendo que o outro pense igual, use o mesmo figurino ( Isto é patrulha ideológica)... Ninguém precisa maltratar, xingar, pisar, desfazer de ninguém- matar ou se matar, então, nem pensar- ...até no amor..até no amor, A VIDA TEM OUTRAS PESSOAS...Haja portas abertas! Outras margens...Outras paisagens...É SÓ OLHAR COM OLHOS DE VER...

RESUMINDO TUDO
: Que o Ser Humano, volte a ser Humano...Foi pra isto que a Pandemia veio...

IVAN BATISTA DA SILVA*


Setembro de 1969: Os 13 presos políticos trocados pelo embaixador americano no Brasil, Charles Elbrick, sequestrado por militantes do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8) e da Ação Libertadora Nacional (ALN). Os fatos são narrados no livro "O que é isso, companheiro", de Fernando Gabeira, um dos envolvidos na trama, que acabou virando filme, em 1997, sob a direção de Bruno Barreto e do livro "Memórias do Esquecimento" de Flávio Tavares (último agachado) tambem envolvido. 


O assunto parece fora de contexto, mas vira-e-mexe volta ainda que de forma velada. Os filmes sobre Lamarca e o mais recente sobre Marighela voltam a um tempo cujas marcas não se cicatrizam.

Não há duvidas de que a partir do início da década de sessenta a esquerda se estruturava e uma visão socialista começava a permear toda a sociedade. Fortalecia-se nas ligas camponesas, nas uniões estudantis, nas Universidades, nos movimentos religiosos, nas forças armadas, principalmente no Marinha e Exército. A vitória de Cuba contra Fulgêncio Batista, o comunismo instalado na Ilha, a luta e morte de Che Guevara embalavam o sonho da juventude e procuravam fincar o socialismo na América Latina.

Jânio renunciou e jogou o pais na fogueira. Veio o golpe cívico-militar de 64. A direita apoiou o golpe esperando assumir o poder, mas este ficou com os militares. A ideia era que, dentro de dois anos, devolveriam o poder aos civis. Mas veio o golpe dentro do golpe. Os militares fincaram o pé, deram uma banana para os civis, cancelaram as eleições de 66 e decidiram ficar por mais de vinte anos no poder.

Logo após o golpe em 64, iniciou-se a caça às bruxas. Cassaram inúmeros deputados, expulsaram das forças armadas muitos militares, enfim, expurgaram as repartições públicas e militares. Muitos se refugiaram Uruguai e, liderados por Brizola, tentaram rearticular a esquerda para retomada do poder. A esquerda tentava se articular e muitos grupos vão surgindo, a partir de 65 e, principalmente, a partir de 68. No Rio e Belo Horizonte, os secundaristas, estudantes do Ensino Médio, em uma clara manifestação favorável a uma revolução socialista, mergulharam em reuniões e mais reuniões e uma doutrinação constante. Muitos dos chamados terroristas saíram dos colégios e principalmente das Universidades. Em Belo Horizonte saíram do Colégio Central.

A esquerda, não podendo atuar abertamente, partiu para formação de grupos anônimos, chamados de terroristas, que julgavam tomar o poder através da guerrilha rural e urbana.

Após o golpe, Brizola, do Uruguai tentou rearticular a esquerda, certo de que o caminho para tomar o poder era a guerrilha rural. Montou um grupo para atuar no norte do Paraná que foi facilmente desarticulado. Tentou montar um grupo no Mato Grosso e, em 1967, para surpresa de seu grupo, desistiu da guerrilha e mandou vender um barco de doze toneladas que já navegava nas águas do Tocantins.

Carlos Lamarca, em foto tirada em 1969 em Osasco (SP),  durante treinamento 

Lamarca, capitão do exército, desertor, dedicou-se à guerrilha urbana até ser morto na Bahia em 1972. Marighela, da mesma forma, um comunista veterano, dissidente do PCB, dedicou-se à guerrilha urbana no PCdoB 
Houve divergência nas esquerdas do caminho a tomar. O PCB alinhado à União Soviética, não era favorável à luta armada. Preferiam a movimentação social, a movimentação das massas como houve, posteriormente, nas "Diretas Já’. O PC do B, alinhado e treinado em Cuba ,preferia a guerrilha rural. E o PCBR e ALN, VPR e outros grupos ,alinhados e treinados na China criaram a guerrilha urbana. O PCB alertava aos outros grupos que, não havia condições para a luta armada e que eles seriam vencidos , pois não teriam como confrontar com os militares.

Defendendo, no entanto, a teoria do foquismo, estes grupos acreditavam que, estabelecido um grupo de guerrilha, este teria apoio e adesão da população e se expandiria na região inteira, o que realmente não aconteceu.
Mas por que a guerrilha não deu certo? Houve vários fatores que a transformaram em uma guerra perdida como diz Alfredo Sirkis. Em primeiro lugar, envolveu um número muito pequeno da população, embora tenha havido diversos grupos.

Em segundo lugar, a teoria do foquismo não funcionou. Segundo esta teoria, criado um grupo de guerrilha em uma região esta ia se expandindo com o apoio e adesão da população. Não tiveram o apoio que esperavam da população na guerrilha rural e principalmente na guerrilha urbana voltada para sequestro, para assaltos a Bancos, e a outras instituições. Na guerrilha do Araguaia, onde os guerrilheiros permaneceram uns dois anos até serem descobertos, conquistaram a simpatia e apoio da população com a prestação de serviços. Havia estudantes de medicina qque faziam partos, distribuíam remédios para febre, gripe; professores que alfabetizavam; guerrilheiros que ajudavam pessoas nos pequenos serviços nos sítios. Mas, na terceira expedição do exército, os militares prendiam, torturavam simpatizantes e quem ajudava os guerrilheiros. Com isto, o apoio aos guerrilheiros desapareceu e, em alguns casos, os nativos os denunciavam ao exército.

Outro fator da derrota da luta armada foi que os que aderiam à luta armada era, de modo geral, pessoas muito novas. Fernando Pimentel tinha apenas dezenove anos quando adquiriu sua manqueira ao participar de uma tentativa frustrada de sequestro do cônsul norte-americano em Porto Alegre. Flávio Sirkys, entrou para a luta com dezessete anos e tinha vinte quando participou do sequestro do cônsul suíço que durou quarenta e dois dias, liderado por Lamarca, codinome Carlos. A ex-presidente Dilma era estudante do ensino médio quando entrou para a luta e foi presa com vinte e dois anos. Bete Mendes foi presa com vinte e um anos. Na guerrilha do Araguaia, de sessenta e poucos guerrilheiros, catorze tinham entre vinte e dois e vinte e cinco anos. Apenas um tinha mais de sessenta anos e três, mais de quarenta anos. A esquerda armada era composta de jovens da classe média.

A guerrilha da Serra do Caparaó ilustra muito outro fator de insucesso. Eram pessoas urbanas, vindos de Porto Alegre, que não sabiam viver no mato. Branquelos, logicamente eram logo notados pelos roceiros, tostados pelo sol. Não sabiam enfrentar a umidade da mata nem o frio intenso nas noites. Ficaram sem alimentos, começaram a matar animais e foram logo denunciados e presos.

Mas por que os jovens aderiram à luta armada? Porque o socialismo e comunismo foi a grande utopia do século. Embalou o sonho de uma grande parte da juventude até a dissolução da União Soviética. Havia utopias naquela época.


IVAN BATISTA DA SILVA* é professor e diretor do Colégio Atenas em Patrocínio, MG, e colaborador do portal Rede Hoje


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