Padre Eustáquio em 1943


Epopeia
. Fatos memoráveis e gloriosos sempre marcam um tempo. Há quinze anos, carismático e milagroso sacerdote holandês foi beatificado no Brasil. Exatamente na tarde e noite de 15 de junho de 2006. E uma emissora de rádio fez uma singular transmissão da beatificação. Talvez, nenhum componente da mídia (rádio, TV ou jornal) tenha feito ação semelhante até à época. Padre Eustáquio e Rádio Difusora são os épicos protagonistas do inesquecível acontecimento.

A BEATIFICAÇÃO – Quinta-feira, dia 15/6/2006, Estádio Mineirão com mais de 70 mil fiéis, 16h, aconteceu a solenidade. Embora por volta de 13h a área externa do antigo Mineirão já cotinha “um mar” de gente. O arcebispo Dom Walmor Oliveira de Azevedo (hoje, presidente da CNBB) dirigiu o evento juntamente com o representante do Vaticano.

PRESENÇA PATROCINENSE – Em torno de 300 devotos do Padre Eustáquio de Patrocínio estiveram no Mineirão, liderados pelo padre Vinicius Maciel (hoje, pró-reitor do Santuário/Igreja de Padre Eustáquio em BH) e pelo padre Osmânio.

O QUE É BEATIFICAÇÃO – É um ato oficial da Igreja, onde o Papa inscreve um cristão como bem-aventurado. Isso após comprovação de um milagre atribuído ao cristão. Em poucas palavras, é o passo mais importante no caminho para esse cristão se tornar santo, no futuro.

Padre Eustáquio(em pe), Padre Matias(primeiro diretor do Ginásio Dom Lustosa) e Padre Gil, em 1925. Pouco depois estiveram em Patrocínio.


QUEM FOI PADRE EUSTÁQUIO
– Nasceu em Aarle-Rixtel, Holanda, no dia 3/11/1890. Em 12/6/1925 chegou ao Rio de Janeiro e em 15/6/1925 à Água Suja (Romaria), onde foi nomeado vigário. Em 11/9/1926, em uma de suas visitas a Patrocínio, Padre Eustáquio van Lieshout, em nome da Congregação dos Sagrados Corações assinou o contrato de doação do imóvel para instalação do Ginásio Dom Lustosa. Em 15/2/1936 foi transferido para Poá, pertinho de São Paulo, onde apareceu nacionalmente devido aos seus milagres. Em 11/10/1941, após rápidas passagens por Rio Claro, Campos do Jordão, Araguari e Rio de Janeiro, chegou a Patrocínio, onde se tornou capelão da (pequena) Igreja de Santa Luzia e padre na Santa Casa, mas residindo no Ginásio. E diversos milagres aconteceram na cidade pelas suas bênçãos. Em 12/2/1942, foi transferido para Ibiá, viajando de trem. Em 7/4/1942, ocorreu a sua chegada em BH, onde assumiu a direção da Paróquia de São Domingos. Em 30/8/1943, faleceu no Hospital Alberto Cavalcanti (BH). Nesse um ano e quatro meses, realizou diversos milagres (a ele atribuídos). Em 31/8/1943, a capital assistiu ao seu mais solene féretro (enterro). Autoridades e uma multidão participaram do sepultamento. Os seus restos mortais, hoje, estão sepultados na Igreja que leva o seu nome, na rua e bairro que têm o seu nome também.

SUI GENERIS – A Rádio Difusora foi uma das três emissoras presentes no Estádio (Rádio América/BH e Rede Católica de Rádio), transmitindo em tempo real. A, então, Difusora-AM e pela Internet começou a sua jornada cristã às 14h e encerrou às 21h30min, algum tempo após o término da solenidade. Antes e depois do evento da beatificação no gramado do Mineirão, foram apresentadas diversas passagens do santo padre em Patrocínio e Romaria. Participaram da mais histórica jornada da rádio, segundo Sanarelli, os repórteres Cristiano Romão e o (próprio) Alberto Sanarelli, percorrendo o hall e todos os espaços estratégicos do Estádio. E, na cabine nº 1, este cronista (Eustáquio Amaral) e José Maria Campos, que dia 15 desta semana disse: “...hoje faz 15 anos exatos que realizamos a mais longeva transmissão da história da Rádio Difusora Foram sete horas e meia ininterruptas...” Além dos quatro apresentadores, Benildo Borges cuidou da logística e técnica da Difusora.



1941: Multidão em frente à, então, Capela de Santa Luiza, em Patrocínio, em uma das primeiras bençãos de Padre Eustáquio na cidade


E MAIS...
– Nessas sete horas e meia, não houve intervalos, nem interrupções, apenas eram lidas mensagens de seis patrocinadores da transmissão. Grupo AGAL (combustíveis), Casas Manoel Nunes, Colégio Atenas, Viação Cidade de Patrocínio, Reunidas Agropecuária e Paróquia Padre Damião de Molokai. Tudo o que foi dito envolvia a vida de Padre Eustáquio.




Fotos:
1. jornalistas credenciados Cristiano Romão, Benildo Borges e Alberto Sanarelli no gramado do Mineirão, durante a Baetificação em 2006
2. Arcebisbo Dom Walmor na leitura ritual à vista do Mineirão lotado

3 . José Maria Campos e Eustáquio Amaral, às 21h, comentando a beatifiação na cabine central do estádio.


FONTES DAS FOTOS
– Livro Bem-Aventurado Eustáquio, escrito pela patrocinense Lucélia Borges Pereira. Arquivo do Patrocínioonline e livro de José Vicente Andrade.

ERRAMOS – Na edição passada, crônica sobre o craque Peroba, a foto que aparece no tópico “Cena Um: 1950” refere-se ao episódio apresentado na “Cena Dois: 1952”. E vice-versa. As demais fotos estão com as legendas corretas. Pedimos desculpas.

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Peroba na Seleção de Patrocínio no dia 1 de maio de 1962, quando foi inaugurado o Estádio Júlio Aguiar, num jogo de igual para igual com o América (BH). Na foto, o “meio de campo” Peroba - com um círculo amarelo -  está centralizado entre Dizinho e Romeuzinho Malagoli, agachado.



Tempo.
O poder da mente, do pensamento, permite viajar por ele. Permite até visitar à imortalidade. Diversas vozes patrocinenses moram nesse pedaço da eternidade. Vozes de radialistas que se foram. Entretanto, as suas vozes não foram esquecidas. Jamais o serão. Vozes como de Joaquim Assis, Humberto Cortes, Roberto Taylor e Renato Oliveira (esse falecido há duas semanas) ecoam nos céus da cidade.



A pandemia trouxe para toda a sociedade momentos de dúvida e incerteza e situações totalmente inusitadas. Nem na segunda guerra mundial, por exemplo,  ouviu-se falar de fechar fronteiras entre países e muito  menos um país fechando fronteiras entre   suas cidades. Estabeleceu-se uma guerra silenciosa. Não nos resta dúvida  de que a pandemia afetou praticamente todos os setores da sociedade.  Com o ensino, com as escolas não foi diferente. Vivemos o avesso das coisas.
Em março do ano passado, de um dia para o outro,  vimos  a escola sem alunos. Três coisas são essenciais na escola: a presença do professor, a presença do aluno e a sala de aula. Repentinamente, não se tinha mais na escola nem o aluno, nem o professor  e a sala de aula estava completamente vazia.



Naquela situação do “e agora o que fazer”, rapidamente no Colégio Atenas, descobrimos o caminho das pedras e cinco dias após a paralização começávamos as aulas remotas. Imaginávamos que tudo voltaria ao normal em sessenta dias. No entanto, foram catorze meses. No inicio, parecia que estávamos em um buraco negro, mas, aos poucos, foi surgindo uma normatização para o ensino remoto. As normas do Conselho Estadual de Educação, por exemplo,  são minuciosas: toda escola particular deve gravar as aulas e mantê-las arquivadas por cinco anos.
As aulas remotas funcionam bem, mas existem muitos percalços. Os professores se desdobram na preparação das aulas, na gravação de vídeo, na necessidade de prender a atenção dos alunos diante de uma tela de computador. Há uma tarefa excessiva que, muitas vezes, leva o professor à exaustão.  O ensino remoto  deixa lacunas para as escolas e principalmente para os pais. Ajudar os filhos, principalmente das séries iniciais, não é tarefa fácil para os pais. Muitos,  quando chegam do trabalho, à noite ainda tem  de cuidar do estudo dos filhos, ajudá-los a fazer tarefa, ensiná-los a ler. Aos jovens, falta-lhes, muitas vezes,  a disciplina pessoal para ficar quatro, cinco horas diante do computador.
A pergunta que ainda perdura é se realmente está na hora de os alunos voltarem para as escolas, mesmo porque cada cidade age de uma forma diferente quanto a data de volta e com quem voltar. Em muitas cidades, por exemplo, como Patrocínio, não se permitiu a volta imediata do Ensino Infantil. Já, em Belo-Horizonte, a prefeitura determinou a volta primeiro do Ensino Infantil. Como não se tem um parâmetro para mediar estas situações, prevalece o bom senso, a avaliação da expansão ou do recrudescimento da Covid 19 e a necessidade  mesma de voltar às aulas.
Em Patrocínio, dia vinte e quatro de maio, completamos o retorno de todas as turmas, iniciado em dez de maio, com aprovação das  secretarias de Saúde e de Educação que preparou, através de uma série de reuniões, este retorno.  Acredito, sim, que está na hora de voltar às aulas e que a  medida da prefeitura foi acertada. As crianças e os jovens precisam do convívio social que o colégio lhes proporciona.  O isolamento lhes causa irritação, ansiedade, tensões e, muitas vezes, um comportamento depressivo.
Estava na hora de voltar, sim. Os professores estão exaustos, os pais estão sobrecarregados com as tarefas escolares dos filhos pequenos, as crianças já não aguentam mais o isolamento dentro de casa. Do ponto de vista didático-pedagógico, é necessário sanar as deficiências existentes e só o ensino presencial nos permite fazê-lo com eficiência.
Nada melhor do que o retorno às aulas. O Colégio ganhou  nova vida, os jovens retornaram à convivência com seus grupinhos, como é próprio da adolescência, e as crianças esbanjam alegria nos corredores e pátios do colégio. Temos relatos de pais de que as crianças, após voltarem para as aulas, estão muito mais calmas em casa, sem ansiedade.
No caso do Colégio Atenas, tudo está muito bem organizado e estamos seguindo, rigorosamente, em todos os setores, o protocolo estabelecido pelo Conselho Nacional e pelo Conselho Estadual de Educação e atendendo, também, as orientações da  Secretaria Municipal de Saúde e Secretaria Municipal de Educação.   Corredores, maçanetas das portas, corrimãos são desinfetados quatro vezes ao dia.  A entrada dos alunos está dividida em dois grupos e cada grupo entra por uma portaria para evitar aglomeração. O Colégio tem muito espaço, muitas  áreas para esportes. Com isto, conseguimos manter o distanciamento até mesmo nos intervalos e recreios e os alunos cumprem  muito bem as normas. Estamos tendo todo cuidado não só com as crianças, mas também com os jovens e também com professores e funcionários.
A Secretaria Municipal de Saúde teve a feliz ideia de iniciar a vacinação de professores e funcionários da educação o que, sem dúvida, trará muita tranquilidade para todos e segurança para os pais.
É preciso que os pais confiem no trabalho das escolas e retornem seus filhos aos Colégios. Sinceramente, acredito que os alunos estão  muito mais seguros e protegidos no Colégio do que nas ruas, do que nos clubes, ou mesmo na convivência familiar, pois nas escolas estamos sempre cuidando deles.





Primeiro de Maio de 1962: inauguração do Estádio Júlio Aguiar.
Reprodução de "O Diário" de Belo Horizonte