ESTAMOS VENCENDO…


"BOLETIM COVID-19 NÃO MOSTRA REGISTROS DE CASOS SUSPEITOS E NEM ATIVOS"- Está lá no Site Maisumoline do Zeloi:
"Na Santa Casa, tanto os 21 leitos da enfermaria quanto os 10 leitos da UTI Covid estão vagos.
No Hospital MedCenter, tanto os 8 leitos disponíveis na enfermaria quanto os 4 leitos disponíveis na UTI Covid-19 estão vagos.
No setor de internação do Pronto Socorro Municipal, tanto os 16 leitos da ‘urgência’ quanto todos os 14 leitos da ‘emergência’ estão vagos."..
ESTAMOS VENCENDO...
Isto me traz um sentimento conflitante. Minha 'lma quer gritar: Huhu! Chupa corona! Estamos vencendo uma peste global! Que bom! Que maravilha! Que extraordinário! Que magnífico! Que Fantástico!...
ESTAMOS VENCENDO...
Mas em meu coração a celebração se empalidece, o luto ainda não saiu. Minha alegria é tímida, meu júbilo é contido. Tem tonalidade triste.
O horror que presenciamos ainda é recente. Por tanto, não vou pra galera...
ESTAMOS VENCENDO...
Mas tenho presente que tive medo de morrer, me cuidei, mas tive muito mais medo de perder as pessoas que amo. E perdi. Perdi um tio e muitos amigos...( Um deles foi Rondes Machado)
ESTAMOS VENCENDO...
Hoje no Supermercado Bernardão, encontrei com o radialista, narrador esportivo, amigo, Luiz Oliveira Cruz- O Luizinho da Difusora. Pedi se poderia lhe dar um abraço. Explico: Ele foi uma das últimas pessoas que abracei, nesse mesmo supermercado, acabavam de anunciar o isolamento, o distanciamento social, a proibição de se abraçar. Depois daquele abraço, fiquei constrangido, a consciência me pesou muito. Era como se tivesse cometido um crime hediondo.
Hoje, graças a Deus, pude lhe abraçar sem culpa... (Como é bom abraçar um amigo)
ESTAMOS VENCENDO...
Do meu lado continuo precavido, ressabiado, cuidadoso... A Fenacafé contabilizou um público de 131 mil pessoas nos cinco dias de festa. Ainda bem que a maioria não pensa como eu. Absolutamente nada contra a festividade. 180 anos do nosso Doce Colo de Minas, foi comemorado com reponsabilidade...Mas, não estive lá.
ESTAMOS VENCENDO...
A imagem desse homem, dando o primeiro passo depois do abismo me cai bem. É assim que me sinto. Um abismo ainda está no meu calcanhar..
ESTAMOS VENCENDO...
Mas ainda não quero festa. Não há foguetes. Mantenho bandeiras a meio pau. Ausências ainda me fere. Tantos se foram. Eu fiquei é verdade, por um propósito superior, que não alcanço, por habitar nas franjas dos mistérios. Mas preciso confessar. Que ainda estou por aqui, mas não me sinto melhor do que os que partiram. Não me sinto nenhum "filhinho do papai da céu". Não sou privilegiado. Escolhido. Apenas ainda estou por aqui... Meu consolo: Eles foram para um lugar melhor...


ESTAMOS VENCENDO...
Mas aquela sentença pesada, não pode ser esquecida:
"NÃO HAVERÁ VELÓRIO"...Aqui, com essa sentença, o assassino ultrapassou todos os limites. Adeus ao longe, onde já se viu. Era uma espécie de morte clandestina.. Do hospital, muitos foram levados para para a eternidade. Ou, velórios restritos, horas contadas, urnas lacradas, choro abafados pelas máscaras, sem o afeto dos abraços para consolar..


ESTAMOS VENCENDO...
É só o primeiro passo, nos afastando do abismo...Não é lugar de dançar.
RÁ! Mas tem uma coisa que covid covarde e o inferno todo não conseguirá APAGAR DOS NOSSOS CORAÇÕES O LEGADO DE BOAS LEMBRANÇAS QUE ELES NOS DEIXARAM...
( Fiz um dia essa colagem de foto, homenageando a todos.. pensando que eu poderia estar entre eles)
ESTAMOS VENCENDO...
ELES TAMBÉM VENCERAM...E ESTÃO MELHORES DO QUE NÓS...
Vou caminhar e me reconstruir pensando assim...

PALAVRAS MÁGICAS


É tempo de respeitar o outro e seu espaço. Tem uma tecla que vou bater sempre, sempre: Palavras mágicas. Cadê ?. Vejo que a gente de nossa sociedade anda tão entalacrada em si mesma. Tão enrustida em seus próprios interesses e em busca de seus direitos adquiridos, que não é exagero afirmar que estamos diante de uma geração de mau educados, estressados; por consequência, mau agradecidos e incivilizados. Deus Santo! Como tem gente grosseira, rude, seca, rígida, xucra, ríspida, fanática, boçal, áspera, turrenta, bruta, ignorante, truculenta... violenta. E gente culta, fina, que coleciona diplomas, frequenta igreja e fala de amor. Gente que por qualquer dá-cá-lá- aquela – palha, já está de cara feia, pronta para o coice, para patada no peito, para a garra na garganta, para o assédio moral, para o vídeo na Web, para o ato na rua, para o processo na justiça... para o dedo no gatilho... Olha o estrago que o esse estilo de vida tem feito. As pessoas estão perdendo a expressividade da alma; a doçura da cortesia; a beleza da afetividade; a riqueza no trato diário. VOU MAIS: Cadê o bom senso gente! Cadê a faculdade de apreciar, julgar com entendimento, com juízo, com tino, com siso, com discrição, com discernimento, com isenção, com imparcialidade ... com justiça. Por que tudo tem que se desembocar nas barras dos tribunais? Na cadeia?... No cemitério? Ora! Vamos desarmar os espíritos, gente! Resgatar a arte dos bons relacionamentos; a política da boa vizinhança; o entendimento entre os partes. E quem está falando em religião aqui? Quem? Estamos falando em convivência em sociedade. Em relacionamento humano. Em sociabilidade. Em respeito mútuo. Em se colocar no lugar do outro. OUVIR OS DOIS LADOS. Os dois. Não se ouve mais os dois lados. Duas, tres, palavras e lá vem a etiqueta na testa, a sentença irrevogável, a condenação eterna. Não sei o que fazer, mas sugiro que retiremos os extremos, os excessos e absurdos que vão se tornando prática normal na sociedade . Retire a poeira de cima das palavras mágicas, que tal usá-las em nosso cotidiano? Vamos lá, 3,2,1, ensaiando: Por favor! Muito obrigado!, Desculpe-me!, Perdoe-me!, Bom Dia!, Boa Tarde!, Vá com Deus!. E sorria, gente! Sorria, sem moderação!

OLHAR COM OLHOS DE VER...



E COMO adoro saber DISSO: A vida tem sempre outros sons, outras cores, outras texturas, outros sabores, outras palavras, outros sorrisos, outros caminhos, outras chegadas, outras saídas, outras pessoas, outros horizontes, outros dias melhores... Abaixo, portanto a estupidez humana! Ninguém tem de viver feito uma vespa maluca, dando pregadas uns nos outros, querendo que o outro pense igual, use o mesmo figurino ( Isto é patrulha ideológica)... Ninguém precisa maltratar, xingar, pisar, desfazer de ninguém- matar ou se matar, então, nem pensar- ...até no amor..até no amor, A VIDA TEM OUTRAS PESSOAS...Haja portas abertas! Outras margens...Outras paisagens...É SÓ OLHAR COM OLHOS DE VER...

RESUMINDO TUDO
: Que o Ser Humano, volte a ser Humano...Foi pra isto que a Pandemia veio...

IVAN BATISTA DA SILVA*


Setembro de 1969: Os 13 presos políticos trocados pelo embaixador americano no Brasil, Charles Elbrick, sequestrado por militantes do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8) e da Ação Libertadora Nacional (ALN). Os fatos são narrados no livro "O que é isso, companheiro", de Fernando Gabeira, um dos envolvidos na trama, que acabou virando filme, em 1997, sob a direção de Bruno Barreto e do livro "Memórias do Esquecimento" de Flávio Tavares (último agachado) tambem envolvido. 


O assunto parece fora de contexto, mas vira-e-mexe volta ainda que de forma velada. Os filmes sobre Lamarca e o mais recente sobre Marighela voltam a um tempo cujas marcas não se cicatrizam.

Não há duvidas de que a partir do início da década de sessenta a esquerda se estruturava e uma visão socialista começava a permear toda a sociedade. Fortalecia-se nas ligas camponesas, nas uniões estudantis, nas Universidades, nos movimentos religiosos, nas forças armadas, principalmente no Marinha e Exército. A vitória de Cuba contra Fulgêncio Batista, o comunismo instalado na Ilha, a luta e morte de Che Guevara embalavam o sonho da juventude e procuravam fincar o socialismo na América Latina.

Jânio renunciou e jogou o pais na fogueira. Veio o golpe cívico-militar de 64. A direita apoiou o golpe esperando assumir o poder, mas este ficou com os militares. A ideia era que, dentro de dois anos, devolveriam o poder aos civis. Mas veio o golpe dentro do golpe. Os militares fincaram o pé, deram uma banana para os civis, cancelaram as eleições de 66 e decidiram ficar por mais de vinte anos no poder.

Logo após o golpe em 64, iniciou-se a caça às bruxas. Cassaram inúmeros deputados, expulsaram das forças armadas muitos militares, enfim, expurgaram as repartições públicas e militares. Muitos se refugiaram Uruguai e, liderados por Brizola, tentaram rearticular a esquerda para retomada do poder. A esquerda tentava se articular e muitos grupos vão surgindo, a partir de 65 e, principalmente, a partir de 68. No Rio e Belo Horizonte, os secundaristas, estudantes do Ensino Médio, em uma clara manifestação favorável a uma revolução socialista, mergulharam em reuniões e mais reuniões e uma doutrinação constante. Muitos dos chamados terroristas saíram dos colégios e principalmente das Universidades. Em Belo Horizonte saíram do Colégio Central.

A esquerda, não podendo atuar abertamente, partiu para formação de grupos anônimos, chamados de terroristas, que julgavam tomar o poder através da guerrilha rural e urbana.

Após o golpe, Brizola, do Uruguai tentou rearticular a esquerda, certo de que o caminho para tomar o poder era a guerrilha rural. Montou um grupo para atuar no norte do Paraná que foi facilmente desarticulado. Tentou montar um grupo no Mato Grosso e, em 1967, para surpresa de seu grupo, desistiu da guerrilha e mandou vender um barco de doze toneladas que já navegava nas águas do Tocantins.

Carlos Lamarca, em foto tirada em 1969 em Osasco (SP),  durante treinamento 

Lamarca, capitão do exército, desertor, dedicou-se à guerrilha urbana até ser morto na Bahia em 1972. Marighela, da mesma forma, um comunista veterano, dissidente do PCB, dedicou-se à guerrilha urbana no PCdoB 
Houve divergência nas esquerdas do caminho a tomar. O PCB alinhado à União Soviética, não era favorável à luta armada. Preferiam a movimentação social, a movimentação das massas como houve, posteriormente, nas "Diretas Já’. O PC do B, alinhado e treinado em Cuba ,preferia a guerrilha rural. E o PCBR e ALN, VPR e outros grupos ,alinhados e treinados na China criaram a guerrilha urbana. O PCB alertava aos outros grupos que, não havia condições para a luta armada e que eles seriam vencidos , pois não teriam como confrontar com os militares.

Defendendo, no entanto, a teoria do foquismo, estes grupos acreditavam que, estabelecido um grupo de guerrilha, este teria apoio e adesão da população e se expandiria na região inteira, o que realmente não aconteceu.
Mas por que a guerrilha não deu certo? Houve vários fatores que a transformaram em uma guerra perdida como diz Alfredo Sirkis. Em primeiro lugar, envolveu um número muito pequeno da população, embora tenha havido diversos grupos.

Em segundo lugar, a teoria do foquismo não funcionou. Segundo esta teoria, criado um grupo de guerrilha em uma região esta ia se expandindo com o apoio e adesão da população. Não tiveram o apoio que esperavam da população na guerrilha rural e principalmente na guerrilha urbana voltada para sequestro, para assaltos a Bancos, e a outras instituições. Na guerrilha do Araguaia, onde os guerrilheiros permaneceram uns dois anos até serem descobertos, conquistaram a simpatia e apoio da população com a prestação de serviços. Havia estudantes de medicina qque faziam partos, distribuíam remédios para febre, gripe; professores que alfabetizavam; guerrilheiros que ajudavam pessoas nos pequenos serviços nos sítios. Mas, na terceira expedição do exército, os militares prendiam, torturavam simpatizantes e quem ajudava os guerrilheiros. Com isto, o apoio aos guerrilheiros desapareceu e, em alguns casos, os nativos os denunciavam ao exército.

Outro fator da derrota da luta armada foi que os que aderiam à luta armada era, de modo geral, pessoas muito novas. Fernando Pimentel tinha apenas dezenove anos quando adquiriu sua manqueira ao participar de uma tentativa frustrada de sequestro do cônsul norte-americano em Porto Alegre. Flávio Sirkys, entrou para a luta com dezessete anos e tinha vinte quando participou do sequestro do cônsul suíço que durou quarenta e dois dias, liderado por Lamarca, codinome Carlos. A ex-presidente Dilma era estudante do ensino médio quando entrou para a luta e foi presa com vinte e dois anos. Bete Mendes foi presa com vinte e um anos. Na guerrilha do Araguaia, de sessenta e poucos guerrilheiros, catorze tinham entre vinte e dois e vinte e cinco anos. Apenas um tinha mais de sessenta anos e três, mais de quarenta anos. A esquerda armada era composta de jovens da classe média.

A guerrilha da Serra do Caparaó ilustra muito outro fator de insucesso. Eram pessoas urbanas, vindos de Porto Alegre, que não sabiam viver no mato. Branquelos, logicamente eram logo notados pelos roceiros, tostados pelo sol. Não sabiam enfrentar a umidade da mata nem o frio intenso nas noites. Ficaram sem alimentos, começaram a matar animais e foram logo denunciados e presos.

Mas por que os jovens aderiram à luta armada? Porque o socialismo e comunismo foi a grande utopia do século. Embalou o sonho de uma grande parte da juventude até a dissolução da União Soviética. Havia utopias naquela época.


IVAN BATISTA DA SILVA* é professor e diretor do Colégio Atenas em Patrocínio, MG, e colaborador do portal Rede Hoje


 Foto: Florian Pircher | Pixabay



Escrever
. É uma arte. Para quem gosta de escrever, para quem gosta de ler e para quem sabe escrever. Este amador “escriba” apenas atende aos dois primeiros quesitos. Dedicando atenção a alguns leitores – e eles a merecem – que sempre fazem indagações sobre o “via entis” (modo de ser) ou “modus agendi” (modo de atuar) deste autor, os feriados da Semana Santa propiciam apresentar pequenos esclarecimentos. Este é o singelo propósito.

PORQUE A POLÍTICA NÃO É FOCALIZADA? – Na verdade, ninguém pode ser analfabeto político, como descreveu o alemão Bertolt Brecht. Entretanto, em nível nacional, há bem melhores pensadores. Em nível municipal e regional, o autor não se sente no direito de praticar análises, pois há muitos anos não convive com os atuais atores políticos e contextos locais.

PENSAMENTO PÉTREO – Na administração pública (seja Executivo, seja Legislativo, seja Judiciário) dois preceitos são indispensáveis, são insubstituíveis: dignidade e sabedoria. Por isso, corrupção não. Mau uso do sagrado dinheiro público não. Promoção pessoal com cargo público também não. Dessa linha este autor jamais afastou-se.

PORQUE SÓ SAUDADE? – O passado é o pai do presente. Uma comunidade ou cidade, um país ou uma raça precisam saber de onde vieram, como surgiram e o porquê de seu perfil da atualidade. Assim, o escriba identificou um vazio na história patrocinense. Não de fotos, mas de fatos. Fatos históricos. Por isso, com ajuda, foram e são reveladas narrativas fascinantes tais como a do Rei Ambrósio, Índio Afonso e seus filhos, Cel. Rabelo, os “fogos”, Patrocínio no Império, todos os prefeitos, JK, as primeiras escolas, enfim, três ou quatro livros já estão escritos. Basta compilá-los, atualizá-los e revisá-los. Já é um bom acervo para a posteridade. Afinal, como escrevia Roberto Drummond, este minifúndio de papel tem mais de 44 anos de existência (com a mesma temática: Patrocínio).

E A ESTATÍSTICA MUNICIPAL? – Os cidadãos e os bons administradores são obrigados a conhecer a estatística socioeconômica de seu município ou Estado. Pela facilidade acadêmica, mesmo que seja julgada pouca, de lidar com fontes fidedignas como IBGE, Fundação João Pinheiro, Fundação Getúlio Vargas, diversos anuários técnicos, o escritor-cidadão é gostosamente forçado a sempre revelar informações e dados de ordem comunitária. Visando a melhoria do que não é bom. E a manutenção do que é bom. Sem nenhum viés político na interpretação técnica da informação.

PORQUE NÃO FAZ MAIS PESQUISAS E NÃO TEM PRESENÇA NAS REDES SOCIAIS? – Por gosto do autor até seria possível fazê-lo. Todavia, o mesmo é também profissional de gestão pública, sobretudo Saúde. E continua exercendo essa função. A missão desta gestão é realizada em cidade da Grande BH, consumindo dez horas diárias, de segunda-feira a sexta-feira. Isso inviabiliza o gosto do autor e de alguns leitores/pessoas para a expansão do seu trabalho amador na terra natal.

ATÉ QUANDO? – Escrever, à distância da querida cidade rangeliana, ocorrerá até a permissão final do bom Deus. E o livro? O tempo e a oportunidade o determinarão. E pisar o chão, que é a alma do que é escrito, semanalmente? Breve.

POR FIM – Mil desculpas pela ocupação deste espaço que deveria ser informativo. E não caixa postal para eventuais respostas e explicações.

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JÁ FOMOS MELHORES...



Esta foto ( da turma) encontra-se no acervo virtual fotográfico do Museu Prof. Hugo Machado da Silveira ( É sempre de bom alvitre e legal citar a fonte) Aprox. década de 1910. Diretoria do antigo Clube Literário "Castro Alves" (Patrocínio e Araxá). Na época em que reinava o analfabetismo, olhe o nível cultural dessa gente. Aliás a Biblioteca Municipal de Patrocínio, foi fundada em 1938 (!!!) Onde perdemos esta visão cultural?


Voltando à foto. Mire e veja quem eles homenageavam como Patrôno: Castro Alves. O Baiano conhecido como “Poeta dos Escravos" Engajado, nacionalista, poeta social, humano, humanitário e lírico.

Olhe a beca e a bigodeira na régua da rapaziada! Se o pessoal de Patrocínio e Araxá eram " fãs modinha"? Não eram. Castro Alves já havia falecido havia quase 40 anos...

Não perco esse gancho, mar nem morto: Quem são as referências culturais da sociedade hodierna. A Anitta? O Pablo Vittar? O Caneta Azul? O Luva de Pedreiro?.

Bem se vê. Inverteram a ordem natural. Normal hoje é a cachoeira cair pra cima. Quer fazer sucesso? Ter milhões de seguidores? Aqui vão dicas infalíveis. Baixe o nível. Seja deselegante, seja esquisito, seja bizarro, seja bisonho, seja grotesco, seja cafajeste, seja foda em besteirol. Renuncie seus valores. Defenda o indefensável. Fique do lado do tosco. Entre para o fã clube da burrice.

Quem não viu? Na entrega do Oscar, Chris Rock fez uma piada constrangedora, desconcertante, desproposital, ímbecil, sobre atriz Jada Pinkett, careca, afetada por uma doença chamada Alopecia. Primeiro. Olhe aqui pra mim- Nos olhos, por favor. Pediu pra parar, Parôô!,... Quando se tratar de doença, problema físico, mental. ACABOU O HUMOR. HÁ LIMITE, SIM! É AGRESSÃO VERBAL. VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA.

Will Smith, tomou as dores da esposa, ( Que deve sofrer muito com os efeitos dessa doença e ele sabe, como ninguém ) foi lá dar o troco a altura no babaca, que relinchava de rir no palco...Deu um taplefe no chalaçeiro, levou outro muito pior...

Defender a esposa é ato heróico. É prova de amor. No entanto...

Smith, foi expulso da Academia por 10 anos, foi "cancelado", teve de ser internado e deve perder a estatueta do Oscar.

Dez a zero para o panacão que continua sua carreira com suas gracinhas sem o mínimo de graça.

E como não falar no ex- mendigo de Brasília. O mandrião foi flagrado em cenas de sexo com uma mulher, num momento de terrível fragilidade dela. Pelo visto um surto, um apagão mental. Sua família foi devastada. Ela encontra-se internada em tratamento, não conta com a solidariedade, nem da ala feminina. Ele? Ou...Ele bombou. Virou celebridade nacional. Quebrou a web. Suas frases toscas e chulas viralizaram como gotas de sabedoria. Foi entrevistado nos grandes canais de mídia, recebeu convite para se candidatar a deputado, se tornou, influenciador digital. Virou consultor, grande galã pegador...É nojento. Pra não dizer asqueroso.

Em suma. NOSSA SOCIEDADE ESTÁ PODRE... Fã Clube de Castro Alves, em 1910... Ou...Já fomos melhores..

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BRILHANTE E VALOROSO”... ERA ELE...



Patrocínio despertou no dia 11/04 com uma triste nota: “FALECEU HOJE AOS 95 ANOS DR WILSON FERNANDES VELOSO”.

A Terra perdeu um cidadão íntegro; o Céu ganhou um’ alma ilustre. (Eu perdi um dos meus mais excelso e digno leitor e incentivador) Já confesso. Era meu nome para a Academia Patrocinense de Letras. Era literato. Como sabia adjetivar. Perto dele me sentia um sempre um escritor pangaré. Mas ele me colocava sempre lá nos pináculos da glória. .

Dr Wilson foi brilhante advogado, pecuarista, empresário e renomado cidadão totalmente do bem. Com o lastro de ter vivido e exercido brilhante trabalho nas cidades de Lavras, Belo Horizonte, Araguari e Brasília e Patrocínio. Fundou e presidiu o Instituto Oswaldo Pieruccetti (Outro fulgurante patrocinense que brilhou na côrte mineira).

Uma passagem curiosa sobre Dr Wilson, é que imagine, ele foi “expulso” (ou convidado a se retirar) do rol de estudantes do Colégio Dom Lustosa, nos idos 1942, por ser “Presbiteriano”? Ele contou isto certa feita numa crônica no JP. Claro que sem nenhuma mágua, apenas fez um registro a titulo de curiosidade. Inclusive solicitei que 80 anos depois, isto não tem nenhum cabimento. E quantos e quantos presbiterianos posteriormente estudaram naquele educandário - menos ele. Eu disse que seria até o caso da Gloriosa Escola Dom Lustosa lhe prestar uma homenagem especial. Nada foi feito. E não importa mais.

Dr Wilson, recebeu a Honrosa "Medalha Desembargador Hélio Costa". A honraria foi criada para integrar o poder judiciário com a comunidade e simbolizar o transcurso do dia da Justiça.

Nas foto Dr. Pedro Marcos Bergatti, diretor do Fórum da Comarca de Patrocínio presidiu a comissão que indicou o senhor Wilson Fernandes Veloso como agraciado para receber a medalha. Muito merecido.

Era nossa reserva moral. Se constituiu um arauto da paz, da ordem, da justiça e do bom senso na política e na imprensa local.

Até recentemente assinou na Gazeta de Patrocínio a conceituada coluna “Crônicas da Cidade”.

Um Rui Barbosa Rangeliano, sem tirar nem por. Seus escritos era uma fonte cristalina que edificava o leitor.

Nosso profundo sentimento de pesar aos filhos: Heloisa, Mariza, Wagner, Caio Marcos, Marco Antônio, genros, noras, netos, bisnetos e uma legião de amigos e admiradores.

Olha o e-mail que dele recebi por conta de um artigo de nossa lavra:

AO BRILHANTE E VALOROSO COLUNISTA“AO BRILHANTE E VALOROSO COLUNISTA

Meu fraternal abraço.

Aos 94 anos de vida, Deus que me tem distinguido com tão ricas e abençoadas bênçãos, quis, entre tantas, permitir-me desfrutar, no regresso acolhedor da minha terra natal, o meu derradeiro descanso outonal. É neste recanto feliz, ao peregrinar sobre as horas de recreio que me restam, debruço- me, a cada fim de semana, a deleitar-me o espírito ávido de ensinamentos, sobre seus auspiciosos, oportunos, valiosíssimos e, corajosamente, bem lançados comentários nas páginas da veneranda Gazeta de Patrocínio.

De sua acrisolada elegância como cronista formador de opiniões; de seu zelo como guardião dos bons costumes; de sua diamantina ética no manuseio de assuntos melindrosos e que exalam mau odor; de sua inatacável coragem cívica ao brandir a espada da lei contra os usurpadores da Pátria, de tudo isto já me havia dado a conhecer meu honrado e festejado empresário e homem público, Silas Brasileiro.

Agora, nesta edição do dia 23 de maio, diante da nobreza de seu gesto jornalístico, se postando, altivamente, na defesa do Presidente Bolsonaro, torpedeado, caluniado, ultrajado, vilipendiado na sua dignidade por uma alcatéia de lobos vorazes, famintos de poder como ração e garimpeiros de facilidades espúrias e lodosas, renova-se em mim a certeza de que a orgia e a algazarra dos maus já não nos incomodam e maltratam tanto, porque os homens de bem que ainda os temos no exercício do jornalismo caboclo e honrado, estão acordados e fazendo ouvir suas vozes na salvaguarda da Pátria estremecida.

Com minha renovada admiração, os cumprimentos do conterrâneo amigo.

Maio de 2020, Wilson Fernandes Veloso

COMO SE VIU. “BRILHANTE E VALOROSO”, ERA ELE...

Finalizo tomando emprestado as frases usadas por Rui Barbosa aos pés do túmulo de Machado de Assis:

.(...) Não é o clássico da língua; não é o mestre da frase; não é o árbitro das letras; não é o filósofo do romance; não é o mágico do conto; não é o joalheiro do verso, o exemplar sem rival entre os contemporâneos, da elegância e da graça, do aticismo e da singeleza no conceber e no dizer: é o que soube viver intensamente da arte, sem deixar de ser bom. (...)"

Dr Wilson Veloso, foi " Brilhante e Valoroso" em tudo... SEM DEIXAR DE SER BOM...

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MEMORIAL ÀS VÍTIMAS DA COVID 19



Em nossa coluna aqui na Gazeta de Patrocinio, Rede Hoje e Patrocinioonline, fizemos UMA SUGESTÃO á Vereadora Eliane Nunes, para que apresente um projeto ( Uma indicação) para que seja construído um MEMORIAL ÀS VÍTIMAS DA COVID 19 no município de Patrocínio. ( Após a publicação ela nos deu um feedback, dizendo, salvo engano o Vereador Thiago Malagoli já havia feita a solicitação, exceto a indicação do lugar par a homenagem)

Reafirmamos aqui nossa solicitação para que seja erigido um MEMORIAL ÀS VÍTIMAS DA COVID 19, Junto á obra, também algo que possa simbolizar o esforço sobre humano dos profissionais do setor da saúde.




O local indicado seria a Praça Carlos Pieruccetti (A Praça da Policlínica, foi o campo de batalha, onde ocorreu intensa vacinação contra a Covid- 19)

Em hipótese alguma se pode mudar o nome da praça. O patrono foi um dos conterrâneos mais ilustres. Um visionário, Jornalista, odontólogo, advogado, orador e político. Pai da Dona Lirinha. Vó do Médico e Músico Zé Carlos Lassi.

Esse memorial haverá de trazer a reverência, a lembrança, o respeito e a memória das (245) vítimas dessa terrível doença global. Muitos e muitos nem puderam velar seus entes queridos. Foram do Hospital correndo para o cemitério.

A Vereadora Eliane Nunes, defensora da cultura e da arte, seria grande parceira do Vereador Thiago Malagoli, nessa empreitada, pois sugiro que deva se mobilizar artistas plásticos, arquitetos, urbanistas, engenheiros, o pessoal do curso de Arquitetura e Urbanismo do UNICERP.

Certamente, nada fúnebre. Penso em algo artístico que se remeta á Alegria da Esperança Cristã.

Para sempre...Quem passar por lá, fará no mínimo, uma prece silenciosa com o olhar...

Querida. É a terra natal. É a terra em que se vive. Querida é a nossa Patrocínio. Dia 7 de abril é o seu aniversário. Agora, comemorou-se 180 anos de seu nascimento (emancipação/vida própria). Cento e oitenta anos para não serem esquecidos. Cada fase de sua vida é capítulo de sua história existencial. É bom recordar quem escreveu cada fase, cada capítulo. Na verdade, alguns autores, algumas celebridades, de um magistral tempo que se foi, merecem (ou mereceriam) estar numa imaginária grande festa de aniversário da cidade que tanto amaram.

MUNDIM NÃO PODE FALTAR... – Francisco Martins Mundim, o primeiro prefeito (utilizando o nome de Agente Executivo), batalhou muito pela emancipação patrocinense. Por volta de 1830-1840, comandou belicosas batalhas na Vila (Patrocínio). Os assaltantes de pedras preciosas e bandos de invasores das terras agrícolas eram os principais adversários. O seu prestígio junto ao Império atraiu o título de capitão (da Guarda Nacional) para si e ao seu pai Pedro. O Imperador também lhe concedeu o título de Cavalheiro da Imperial Ordem da Rosa do Brasil e favoreceu decisivamente à emancipação municipal.

MAIS CONVIDADOS... – Os primeiros vereadores também não podem se ausentar: Sargento Jerônimo, Fortunato Botelho, Lucas Rodrigues, Bento Mariano, José Fernandes e o intelectual Dâmaso José, que era juiz e delegado ao mesmo tempo, e Joaquim Magalhães, que quatro anos depois tornou-se o segundo prefeito (avô de 4º grau de Milton Magalhães).

O MAIS PODEROSO TEM CADEIRA CATIVA – Rangel. Há dois. Um festeiro, farrista, dono de rancho. Mas isso antes da emancipação. O poderoso Rangel surgiu dez anos depois (1853) da emancipação. Antônio Correa Rangel: vereador, presidente da Câmara, Agente Executivo e delegado. Esse patrocinense queria levar todos os vereadores para a prisão, devida à resistência ao seu nome para prefeito (a Câmara e a cadeia ficavam no mesmo prédio). Aí surge a inteligência de Francisco Alves Souza (famoso jurisconsulto patrocinense no Império). Com habilidade supera a dificuldade instalada. Tanto Rangel como Francisco são bem-vindos à festa.

PRESENÇA OBRIGATÓRIA: BERNARDO E ÍNDIO AFONSO – O escritor/juiz Bernardo Guimarães (patrono da Academia Brasileira de Letras) escreveu diversos romances de enorme êxito e popularidade. Patrocínio consta de, pelo menos, duas obras: “O Garimpeiro” e “Índio Afonso”. Esse, herói para alguns (grandes fazendeiros e Bernardo), bandido para outros (Guarda Nacional e juízes). Pela imprensa do Império, tornou-se a maior celebridade de Minas e, talvez, a maior do Brasil, nessa época final imperial. Patrocinense, conforme Censo de 1832-1835, viveu entre Patrocínio e o rio Paranaíba na região de Catalão-GO. Um pardo muito forte e de coragem alucinante.

CORONEL RABELO, O ÚNICO BARÃO DE PATROCÍNIO – Joaquim Antônio de Souza Rabelo nasceu em Santa Rita de Ibitipoca, viveu e faleceu no Município. Residiu na melhor casa da cidade, situada na Praça da Matriz (onde é hoje o Colégio Belaar). Monarquista, era tenente-coronel da Guarda Nacional (só título), foi o primeiro deputado (provincial) de Patrocínio e eleito senador do Império (não confirmado pelo Imperador Pedro II, devido ao crime do Juiz Ottoni). No ano da Proclamação da República (1889), em agosto, ganhou o título de “Barão de Patrocínio”. Como grande fazendeiro, Cel. Rabelo era acolhedor da histórica família do Índio Afonso, em suas fazendas. Por isso, é tido como o mandante do assassinato do juiz Eloy Ottoni, seu adversário político. Um de seus filhos foi prefeito (agente executivo) e depois suicidou-se (José Rabello da Fonseca).

OUTRO HERÓI... – Esse também tem que estar presente na surreal festa de aniversário. Olendino Francisco de Souza, o Comandante Souza. De origem humilde, o incrível e corajoso patrocinense retirou do inferno 307 pessoas. Sim, no incêndio em São Paulo (1972), Souza, com o helicóptero do Governo paulista, enfrentando chamas e fumaça, deu nova vida às pessoas no alto do trágico edifício. As emissoras de TV testemunharam a façanha.

HERÓIS DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL – Nessa fabulosa festa de aniversário não poderiam se ausentar os cinco patrocinenses que estiveram frente a frente com os alemães liderados por Hitler. São eles: Amadeu Lacerda (Rua Artur Botelho), Francisco Caracioli de Freitas (carteiro dos Correios, por último), Expedito Dias (família do Padre Modesto), Pedro Barbosa Vitor (voluntário patrocinense), e, Francisco Pedro da Silva (de Silvano-Folhados). E também da mesma maneira, os 21 patrocinenses desconhecidos pela história, presentes em outra guerra: a do Paraguai (1864-1870).

JORNALISTAS... – Carlos Pieruccetti (jornal Cidade de Patrocínio), Sebastião Elói, Odair de Oliveira (jornal Estado de Minas), Padre Nicolau Catalan (jornal Cidade de Patrocínio), Pedro Alves do Nascimento, Humberto Cortes, Petrônio de Ávila na reportagem... e tanta gente mais.

AS GRANDES LIDERANÇAS DO SÉCULO XX... E DE SEMPRE! – Engraçado, todos de terno branco, mostrando a honestidade e pureza que foram para a cidade. Honorato Borges (responsável pela ferrovia), Amir Amaral (o “JK patrocinense” e 1º lugar geral na Faculdade Nacional de Medicina), Mário Alves do Nascimento, Enéas Aguiar (promoveu a vinda da Cemig), Abdias Alves Nunes, Olímpio Garcia Brandão e... pouca gente a mais.

MESTRES DO ENSINO NO DESFILE... – Passando pela passarela da saudade, Padre Caprázio, Franklin Botelho, Olga Barbosa, Irma de Carvalho, Iraídes Machado e sua turma, Leonor Magalhães, prof. Hugo... e mais alguns.

LÁ VEM OS ARTISTAS... – Maestro José Carlos (autor da música patrocinense mais divulgada), prof. Olímpio dos Santos (aulas e arte), Baim (música), violinista Paulinho Machado (compositor), José Frazão (cantor), Massilon Machado (poeta), Joaquim Carlos dos Santos (maior historiador), e... também comparecem na utópica festa.

MOMENTO DE PRECE – Um quase santo, Padre Eustáquio (beato, que viveu em Patrocínio). Outro caminha para a beatificação, Dom Lustosa (bispo diocesano que criou a mais marcante escola regional, que leva o seu nome). Ambos são a luz maior dessa eterna festa.

E NÃO PARA DE CHEGAR GENTE – Agora, o bloco do esporte liderado por Véio do Didino (o “Telê Santana” rangeliano), Múcio (Seleção Mineira e Palmeiras), Pedrinho (Atlético Mineiro), Blair (Seleção Mineira do Interior), Rondes (o gênio da bola), Dedão, Calau, Romeuzinho, Ratinho, Macalé, Chapada, Natinho (o criador do PTC, que lhe custou uma lata de jabuticabas), Mathias Alfaiate (o criador da Corrida da Fogueira) e...

ENFIM – É uma festa de arromba. Gente demais. Tanta gente que escreveu a história de Patrocínio. Todos sopram as 180 velinhas desse sagrado chão, localizado no coração de Minas. Que recebe dos Céus a permanente benção.

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